Meus cumprimentos ao Marcio Meirelles
Texto enviado pelo documentarista Joatan Berbel, via e-mail, ao professor e pesquisador Pablo Miguez, em 14 de maio de 2010, após resposta de Marcio Meirelles, publicada no jornal O Globo, a coluna da Caetano Veloso sobre o Pelourinho, na qual cita Marcio Meirelles, Secretário de Cultura do Estado da Bahia.
Caro Paulo,
Não tenho o email do Marcio Meirelles, para expressar-lhe diretamente os meus cumprimentos pela bela, precisa e civilizada carta que ele enviou ao Segundo Caderno do O Globo de hoje, em resposta ao artigo que Caetano Veloso publicou no mesmo jornal, domingo passado. A carta de Marcio, deveria ser integrada numa declaração a ser lida nos Encontros dos Secretários de Cultura.
Reagi ao artigo do Caetano, escrevendo um email para a editoria do Segundo Caderno, onde digo: [1. O fato de ter uma coluna com Caetano Veloso, não garante que Caetano Veloso seja capaz de produzir um conteúdo interessante.
– O artigo dele cheira a requentado. É antigo e conceitualmente ultrapassado.
– Ainda mais que a matéria da página 3, reflete uma outra visão que não é nem contemporânea e muito menos Bahiana. E choca com a visão de Caetano.
A minha crítica é mais abrangente e dizia respeito à nova proposta editorial do Segundo Caderno, falava na condição de assinante. Mas, não deixei de ver o quanto o Caetano se revela refém do pensamento patrimonialista que fundou a noção de patrimonio histórico no Brasil e que dá ao IPHAN, e por consequencia este poder imperial intervencionista.
A carta do Márcio é uma declaração de princípios que todos os gestores públicos deveriam assumir.
Tenho saudade do tempo da Secretaria da Música e Artes Cenicas, quando ia a Salvador para conversar com o Marcio, e ouvir suas idéias sobre o Teatro Vila Velha.
Tenho o CD Trilhas do Vila, que foi apoiado pela Secretaria naquela época. Este CD tem as músicas de JARBAS BITTENCOURT, que a meu ver já deveria ter alcançado renome nacional e internacional.
Se não for incômodo para vc! Por favor transmita estas palavras ao Marcio.
PS. Seria oportundo resgatar o filme “Comunidade dos Maciel”, dirigido por Olney São Paulo e Tuna Espinheira (tenho dúvidas se são os dois ou é só o Tuna), que retrata a vida da comunidades das prostitutas que viviam na região central da cidade. Vi este filme na Jornada Brasileira de Curta-Metragem de 1974, a primeira vez que fui a Salvador. O filme estava censurado e foi exibido numa sessão secreta para poucos.
abrcs
Joatan