{"id":152,"date":"2008-11-12T21:30:44","date_gmt":"2008-11-13T00:30:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=152"},"modified":"2011-09-11T21:32:17","modified_gmt":"2011-09-12T00:32:17","slug":"teatro-com-batuque","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2008\/11\/teatro-com-batuque\/","title":{"rendered":"Teatro com Batuque"},"content":{"rendered":"<p><em>Entrevista publicada no site Globo Teatro (www.agentesevenoteatro.com.br), em 12 de novembro de 2008.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O diretor M\u00e1rcio Meirelles fala sobre o Bando de Teatro Olodum, que apresenta &#8220;\u00d3 Pa\u00ed, \u00d3&#8221;, &#8220;Cabar\u00e9 da RRRRa\u00e7a&#8221;, &#8220;\u00c1fricas&#8221; e &#8220;Sonho de uma noite de ver\u00e3o&#8221; no Teatro Villa Lobos entre 5 e 21 de dezembro.<\/em><\/p>\n<p><strong>COME\u00c7O<\/strong><br \/>\n\u201cO Bando come\u00e7ou a partir de uma vontade de colocar em cena a cultura afro-baiana, depois da constata\u00e7\u00e3o de que uma cidade com 80% da po pula\u00e7\u00e3o negra, n\u00e3o refletia essa densidade no palco. Um pa\u00eds onde o negro \u00e9 o grande respons\u00e1vel pela identidade cultural n\u00e3o tinha uma dramaturgia, nem grupos que discutissem as quest\u00f5es dessa enorme fatia da popula\u00e7\u00e3o brasileira nos palcos. Ent\u00e3o, com um grupo de artistas \u2013 entre eles Chica Carelli, que continua na dire\u00e7\u00e3o do grupo \u2013 resolvi criar um projeto para responder a isso. Na \u00e9poca, o Olodum queria tamb\u00e9m trabalhar com outras linguagens, al\u00e9m da m\u00fasica. Resolvemos fazer uma oficina e a partir da\u00ed escolher o grupo. Os principais crit\u00e9rios seriam uma viv\u00eancia anterior nessa cultura, a vontade de estar no palco e, principalmente, o compromisso com as quest\u00f5es negras. De 80 inscritos, 30 compuseram o primeiro grupo.\u201d<\/p>\n<p><strong>CRESCIMENTO<\/strong><br \/>\n\u201cNunca fomos uma atividade a mais do Olodum. Sempre fomos um grupo associado ao Olodum. Fomos nos distanciando \u00e0 medida que ganh\u00e1vamos autonomia. J\u00e1 que os projetos do grupo j\u00e1 eram independentes, dentro do Olodum. Durante a reforma do Pelourinho, logo depois da cria\u00e7\u00e3o do Bando, em 94 \u2013 momento em que eu assumia a dire\u00e7\u00e3o do Teatro Vila Velha e levava o Bando comigo \u2013 nossa posi\u00e7\u00e3o foi mais radical do que a do Olodum em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00edda dos moradores. E t\u00ednhamos agora um teatro. J\u00e1 t\u00ednhamos criado nossa pr\u00f3pria infra-estrutura e agora t\u00ednhamos tamb\u00e9m um teatro para cuidar. A\u00ed a separa\u00e7\u00e3o foi maior. Quando fizemos \u2018Cabar\u00e9 da Rrrra\u00e7a\u2019, tivemos a not\u00edcia de que apenas 1% do p\u00fablico de teatro em Salvador era negro&#8230; Fizemos ent\u00e3o uma promo\u00e7\u00e3o de meia-entrada para negro. Foi um esc\u00e2ndalo nacional, fomos acusados de racismo e o Minist\u00e9rio P\u00fablico nos advertiu de que poder\u00edamos ser processados por isso. Ent\u00e3o, assumimos que todos os baianos s\u00e3o negros e fizemos meia-entrada para todos. O resultado foi que, a partir de ent\u00e3o, pelo menos 60% da plat\u00e9ia de nossos espet\u00e1culos na Bahia \u00e9 formada por negros. Entretanto, ao contr\u00e1rio do Il\u00ea Ay\u00ea e de outras entidades militantes, o Olodum n\u00e3o nos apoiou, ao rev\u00e9s, em entrevista, a diretoria do grupo disse que n\u00e3o concordava conosco, que isso era exclus\u00e3o etc.\u201d<\/p>\n<p><strong>ESTOURO<\/strong><br \/>\n\u201cViv\u00edamos um processo de cria\u00e7\u00e3o constante. T\u00ednhamos feito \u2018Essa \u00e9 Nossa Praia\u2019 e criado a maioria dos personagens. Fizemos espet\u00e1culos de rua, performances, improvisa\u00e7\u00f5es, usando esses personagens em v\u00e1rias novas situa\u00e7\u00f5es. T\u00ednhamos uma pauta num teatro (ainda n\u00e3o t\u00ednhamos o Vila, foi em 92) e poucos dias de ensaio. Exatamente seis. O grupo acabou brigando comigo, diziam que eu estava louco de jogar eles assim no palco, sem preparar melhor. Eu tinha certeza de que daria certo, eles e seus personagens tinham musculatura suficiente pra isso. Brigamos, discutimos muito, ficamos os dois \u00faltimos ensaios sem falar mais do que o necess\u00e1rio para os ensaios acontecerem e estreamos. \u2018\u00d3 Pa\u00ed, \u00d3\u2019 foi um grande sucesso!\u201d<\/p>\n<p><strong>L\u00c1ZARO<\/strong><br \/>\n\u201cEle sempre foi importante para o grupo. Pelo talento, pela for\u00e7a e vontade de trabalhar. Ele fez uma oficina, tinha 15 pra 16 anos. N\u00e3o quer\u00edamos meninos no grupo porque sempre d\u00e1 trabalho. Mas ele foi incr\u00edvel na audi\u00e7\u00e3o. Ele percebeu que um ator se dirigia a algum participante e pedia para este sair. Era como elimin\u00e1vamos o cidad\u00e3o. Ent\u00e3o, cada vez que o ator ia na dire\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro, ele dava um jeito de sair do lugar e o ator n\u00e3o conseguia pedir para ele sair. Assim foi ficando. A gente percebeu e foi deixando. Da\u00ed ele ficou. N\u00e3o era especialmente talentoso. Seu talento ele construiu com muito trabalho. Um dia, est\u00e1vamos em temporada, ele, visivelmente angustiado e dividido, me disse que Jo\u00e3o Falc\u00e3o havia chamado ele para \u2018A M\u00e1quina\u2019. Eu disse: V\u00e1. Depois voc\u00ea volta, se quiser. Ele foi, fez, aconteceu toda essa reviravolta e ele continua no Bando, com v\u00e1rios projetos conosco. O fato dele ter ido pro mundo deu maior visibilidade ao grupo e agora os outros atores aparecem. O bando \u00e9 uma escola. Temos o projeto de realmente montar uma escola para atores negros, usando o m\u00e9todo de trabalho do grupo.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista publicada no site Globo Teatro (www.agentesevenoteatro.com.br), em 12 de novembro de 2008. &nbsp; O diretor M\u00e1rcio Meirelles fala sobre o Bando de Teatro Olodum, que apresenta &#8220;\u00d3 Pa\u00ed, \u00d3&#8221;, &#8220;Cabar\u00e9 da RRRRa\u00e7a&#8221;, &#8220;\u00c1fricas&#8221; e &#8220;Sonho de uma noite de ver\u00e3o&#8221; no Teatro Villa Lobos entre 5 e 21 de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[11],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=152"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":154,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152\/revisions\/154"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}