{"id":1560,"date":"2012-03-18T21:36:07","date_gmt":"2012-03-19T00:36:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=1560"},"modified":"2012-03-18T21:59:20","modified_gmt":"2012-03-19T00:59:20","slug":"cristal-puro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2012\/03\/cristal-puro\/","title":{"rendered":"CRISTAL PURO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\" align=\"CENTER\"><em>Em 1983, quando o Avel\u00e3z y Avestruz fez SIMUN, de Strindberg, no antigo Teatro Sto Ant\u00f4nio, Fernando B\u00e9lens escreveu este texto sobre o espet\u00e1culo:<\/em><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">A viagem de SIMUN, \u00faltima produ\u00e7\u00e3o do Avel\u00e3z y Avestruz (by Marcio Meirelles) n\u00e3o tem escala; pegando o p\u00fablico viciado num tempo de espet\u00e1culo teatral comercial, vai num crescendo de emo\u00e7\u00f5es e significa\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas do mais puro requinte, beleza e pique. O texto e o contexto est\u00e3o t\u00e3o profundamente entela\u00e7ados que torna-se no m\u00ednimo redutor analisar a encena\u00e7\u00e3o em suas partes estanques. Nesta minha primeira rela\u00e7\u00e3o com SIMUN fui absolutamente seduzido pelo tri\u00e2ngulo geom\u00e9trico da coloca\u00e7\u00e3o c\u00eanica das estruturas \u201cmaiores\u201d dos m\u00fasicos\/atores\/coro. Determinados por esta cl\u00e1ssica forma\u00e7\u00e3o teatral, estas estruturas maiores repetem inconsciente ou conscientemente na movimenta\u00e7\u00e3o esta equidade m\u00e1gica e n\u00e3o \u00e9 menos importante um toque de tambor do ANTIC\u00c1LIA ou um sussurr-vento-coro.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Numa na\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana talvez no in\u00edcio do s\u00e9culo a mulher recebe do homem a tarefa de matar o invasor franc\u00eas. A partir da\u00ed surge a pergunta: &#8211; de que maneira matar? A resposta \u00e9 a magia-cultural-loucura. Desterrado de seus amigos\/mulher\/filhos\/p\u00e1tria\/sonhos e acima de tudo invadindo outros que tamb\u00e9m t\u00eam amores\/filhos\/p\u00e1tria\/sonhos, a mulher parte para a resit\u00eancia atrav\u00e9s da ilus\u00e3o (profunda s\u00edntesis com os elementos mais intuitivos do inconsciente). Talvez seja esta a est\u00f3ria. A resolu\u00e7\u00e3o \u00e9 profundamente superior e vemos desfilar perante n\u00f3s um encadeamento de imagens sons e palavras que nos remetem a quest\u00f5es bastante atuais como do colonialismo que persiste mesmo de formas disfar\u00e7adas, camale\u00f4nicamente muda de cor\/de jeito\/forma&#8230; L\u00edbano, Ar\u00e1bia, Om\u00e3, I\u00eamen e quem sabe Arg\u00e9lia&#8230; O Coro parece a multid\u00e3o \u00e1rabe que espera\/v\u00ea\/registra\/participa\/vivencia e responde a todas as fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de que j\u00e1 falava Arist\u00f3teles (IDADE DO OURO).<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">JOGO-DIAL\u00c9TICA-JOGO-DIAL\u00c9TICA = as oposi\u00e7\u00f5es cristalinas deste SIMUN de Marcio Meirelles chegam a transpar\u00eancias sem nenhum (PODER X MAGIA) (HOMEM X MULHER) (COLONIZADOR X RESIST\u00caNCIA) (INVASOR X INVADIDOS) (CONSTRU\u00c7\u00c3O DESTRUI\u00c7\u00c3O) (EROS X TANATOS) (FILHO X CAD\u00c1VER) e outras de menos import\u00e2ncia ou que n\u00e3o consegui penetrar nesta primeira aprecia\u00e7\u00e3o. FICA F\u00c1CIL VIAJAR. E viajamos todos como num frenesi onde a economia e o detalhe parecem substituir o grandioso quase grandiloquente que foi MACBETH de Marcio. O toque do tambor que marca a \u201cmorte\u201d do filho do franc\u00eas \/ o piano que nos transporta a um emocionante clich\u00ea de feliz vida familiar burguesa \/ o pano atado \u00e0 cabe\u00e7a do militar invasor em processo de destrui\u00e7\u00e3o \/ a areia \/ os figurinos deslumbrantes do coro \/ a sonoridade das vozes \/ a linda barriga de Biskra\/Eug\u00eania que por metalinguabruxaria mostra o filho que no texto pede ao HOMEM \/ os tijolos \/ qualquer momento do som do ANTIC\u00c1LIA \/ E O PIQUE!<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">PS: Com um elenco de tal qualidade: Harildo\/Fulco\/Eug\u00eania o trabalho dos atores poderia ser 3.485.231 milh\u00f5es de vezes melhor, but a capacidade de interpretar deste elenco \u00e9 tal que se n\u00e3o participam com grandes parcelas para este grande brilho de SIMUN, d\u00e3o inequivocamente sua contribui\u00e7\u00e3o. O bel\u00edssimo coro de claros contornos cl\u00e1ssicos \u201csegura\u201d a extrema vibra\u00e7\u00e3o que sabemos ter as dan\u00e7arinas Ana Nossa e Lilian Gra\u00e7a, prontas para todos os palcos da vida, mas sem nenhuma d\u00favida saltam do conjunto do coro pela pr\u00f3pria postura de um corpo-sempre-sendo-trabalhado transformando-as juntamente com Joram Macedo em corifeus inconscientes do grupo, ouso o inconscientes.<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Qui-Bom ver Teatro-teatro<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><span style=\"font-size: small;\">Fernando B\u00e9lens<\/span><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1983, quando o Avel\u00e3z y Avestruz fez SIMUN, de Strindberg, no antigo Teatro Sto Ant\u00f4nio, Fernando B\u00e9lens escreveu este texto sobre o espet\u00e1culo: A viagem de SIMUN, \u00faltima produ\u00e7\u00e3o do Avel\u00e3z y Avestruz (by Marcio Meirelles) n\u00e3o tem escala; pegando o p\u00fablico viciado num tempo de espet\u00e1culo teatral comercial,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[63,123],"tags":[72,22,38,12,73,260,89,97,70,20,44,32,48,142,472,64,104],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1560"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1560"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1560\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1564,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1560\/revisions\/1564"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}