{"id":158,"date":"2001-03-30T23:34:16","date_gmt":"2001-03-31T02:34:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=158"},"modified":"2011-09-13T23:39:07","modified_gmt":"2011-09-14T02:39:07","slug":"pe-de-guerra-faz-a-festa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2001\/03\/pe-de-guerra-faz-a-festa\/","title":{"rendered":"&#8220;P\u00e9 de guerra&#8221; faz a festa"},"content":{"rendered":"<p><em>Texto publicado no jornal Folha da Bahia, em 30 de mar\u00e7o de 2001, escrito pelo jornalista Marcos Uzel, sobre o Pr\u00eamio Copene de Teatro &#8211; Edi\u00e7\u00e3o 2000. &#8220;P\u00e9 de Guerra&#8221; rendeu a Marcio Meirelles a premia\u00e7\u00e3o de Melhor Espet\u00e1culo Adulto e Melhor Diretor, e para Neide Moura, o pr\u00eamio de Melhor Atriz Coadjuvante.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O humor ensaiado cedeu lugar \u00e0 poesia. Ao inv\u00e9s dos holofotes e do tapete vermelho oscarizado, as cores de um espet\u00e1culo popular. Do circo ao bloco afro, do cordel ao Carnaval, a cerim\u00f4nia de entrega do Pr\u00eamio Copene de Teatro &#8211; Edi\u00e7\u00e3o 2000, levada ao palco do TCA na noite de anteontem pelo diretor M\u00e1rcio Meirelles, celebrou o coletivo, juntou tradi\u00e7\u00e3o e tecnologia e chutou os clich\u00eas para formar uma festa com identidade pr\u00f3pria. Entraram em cena o teatro do futebol, do picadeiro e da drag-queen, entre outras express\u00f5es diferentes na forma, mas unidas pelo ritual da divers\u00e3o e suas reservas de fantasia.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi de exacerbar a comicidade. Mas Bargagerie Spielberg estava l\u00e1 no palco, listando seu imenso nome art\u00edstico e fazendo todo o mundo rir. Z\u00e9 Celso Martinez, tamb\u00e9m. Saudado com um trof\u00e9u especial, o diretor mais dionis\u00edaco do teatro brasileiro, que h\u00e1 mais de 30 anos n\u00e3o pisava no palco do TCA, quebrou as formalidades de uma homenagem do g\u00eanero e escancarou o del\u00edrio c\u00eanico. Embalado pela percuss\u00e3o do Il\u00ea Aiy\u00ea, Z\u00e9 Celso derramou vinho no trof\u00e9u, saiu dan\u00e7ando com espectadores pela plat\u00e9ia (sem poupar nem uma das funcion\u00e1rias da casa), deitou no palco e ganhou do namorado alguns beijos do balacobaco ? pertinho do casal, uma das dan\u00e7arinas do Il\u00ea n\u00e3o escondeu o susto.<\/p>\n<p>&#8220;Para mim isso n\u00e3o \u00e9 uma homenagem. \u00c9 uma ordena\u00e7\u00e3o. O teatro \u00e9 divino. Aprendi isso na Bahia. Foi o candombl\u00e9 que me ensinou. Foi o Carnaval que me ensinou. Aqui, Dion\u00edsio \u00e9 um orix\u00e1 a mais. Evo\u00e9!&#8221;, saudou Z\u00e9 Celso, pouco antes de anunciar o pr\u00eamio mais aguardado da noite: o de melhor espet\u00e1culo adulto para P\u00e9 de guerra, que tamb\u00e9m rendeu um trof\u00e9u para M\u00e1rcio Meirelles na categoria melhor diretor (entregue pelo mestre de capoeira angola, Jo\u00e3o Pequeno). &#8220;A delicadeza e a beleza talvez sejam a melhor arma que a gente tem. Estou muito feliz, mas a gente n\u00e3o pode esquecer do pa\u00eds em que a gente est\u00e1&#8221;, enfatizou M\u00e1rcio, dando um sopro de realidade no meio da fantasia.<\/p>\n<p>Uma das sacadas da encena\u00e7\u00e3o foi abrir a festa com o mestre Bule Bule, grande s\u00edmbolo da cultura popular baiana, exaltando o teatro e fazendo a apresenta\u00e7\u00e3o em forma de cordel, no lugar dos habituais mestres-de-cerim\u00f4nias. Veterano das artes circenses, Anselmo Serrat anunciou O v\u00f4o da Asa Branca como o melhor espet\u00e1culo infanto-juvenil. A equipe da pe\u00e7a, que est\u00e1 em cartaz no Rio, n\u00e3o p\u00f4de comparecer, mas o diretor Deolindo Checcucci fez quest\u00e3o de enviar o discurso, dedicando o pr\u00eamio a &#8220;todos os sem-terra que querem voar&#8221;, numa refer\u00eancia a uma das quest\u00f5es citadas na pe\u00e7a.<\/p>\n<p>O diretor Rino Carvalho, que est\u00e1 em cartaz com a montagem Esperando Godot &#8211; Detalhe no Festival de Curitiba, ganhou aplausos calorosos ao ser anunciado pelo jogador Bob\u00f4 como a revela\u00e7\u00e3o do ano passado. Na mensagem enviada n\u00e3o dispensou o trocadilho: &#8220;S\u00f3 n\u00e3o gostaria de montar um espet\u00e1culo que tivesse o nome Esperando o patroc\u00ednio&#8221;.<\/p>\n<p>Entre euforia e lamento, outros representantes da nova gera\u00e7\u00e3o do teatro baiano tamb\u00e9m subiram ao palco. A iniciante Cl\u00e1udia Barral recebeu da veterana Cleise Mendes o trof\u00e9u na categoria melhor autor, enquanto o elenco fixo do grupo Os Argonautas, anunciado pela jornalista Wanda Chase, faturou a estatueta na categoria destaque, dedicando o pr\u00eamio a Harildo D\u00e9da, incentivador do trabalho da companhia.<\/p>\n<p>Apontado como um dos favoritos da noite, Harildo acabou perdendo o trof\u00e9u de melhor ator para Frank Menezes. Anunciado por Bagagerie Spielberg, Frank n\u00e3o escondeu a surpresa diante da premia\u00e7\u00e3o. &#8220;Queria que Harildo ganhasse&#8221;, assumiu emocionado, homenageando, com eleg\u00e2ncia, seus demais concorrentes. Se a escolha foi (de fato) surpreendente, o mesmo n\u00e3o se pode dizer sobre Paulo Pereira, aguardado como um nome quase certo na categoria ator coadjuvante. &#8220;T\u00f4 nervoso, mas t\u00f4 controlado. T\u00e1 dominado, t\u00e1 tudo dominado&#8221;, disparou, debaixo de risos e aplausos calorosos da plat\u00e9ia.<\/p>\n<p>Enfim, as atrizes. A eleita foi Iami Rebou\u00e7as, a grande presen\u00e7a feminina nos palcos baianos em 2000. Pena que ela &#8211; atualmente em cartaz no Rio com O v\u00f4o da Asa Branca &#8211; n\u00e3o p\u00f4de comparecer para receber a estatueta das m\u00e3os de ningu\u00e9m menos do que a cantora mais teatral do pa\u00eds: Maria Beth\u00e2nia (e sua indefect\u00edvel corridinha na sa\u00edda de cena), interpretando a can\u00e7\u00e3o Cacilda para celebrar as atrizes da Bahia.<\/p>\n<p>A cantora foi a surpresa mais bonita da festa, com direito at\u00e9 a cometer um pequeno lapso e chamar a premiada de Lami. &#8220;\u00ca vontade de ser feliz!&#8221;, brincou Iami Rebou\u00e7as na mensagem que enviou, citando uma das frases do primeiro mon\u00f3logo de sua carreira. E ainda n\u00e3o foi desta vez que Faf\u00e1 Menezes, favorita como a coadjuvante do ano, levou a estatueta. O pr\u00eamio ficou para Neide Moura, que, feliz da vida, explicitou a emo\u00e7\u00e3o: &#8220;Esses aplausos chegam aos meus ouvidos como uma melodia celestial&#8221;, poetizou.<\/p>\n<p>Enquanto Z\u00e9 Celso Martinez fez de sua participa\u00e7\u00e3o uma farra, a outra homenageada da noite, Haydil Linhares, ganhou de M\u00e1rcio Meirelles um acarinhamento \u00e0 altura de sua import\u00e2ncia na hist\u00f3ria do teatro baiano. Comovida, a veterana atriz, que acumulou tantos trabalhos marcadamente c\u00f4micos e cordelescos, foi receber seu pr\u00eamio especial repetindo um ritual de anos: subiu ao palco descal\u00e7a, t\u00e3o despojada e popular quanto o clima evo\u00e9 com ax\u00e9 da festa, que entre uma e outra discord\u00e2ncia, primou por um resultado c\u00eanico equilibrado.<\/p>\n<p><strong>PREMIADOS<\/strong><br \/>\nEspet\u00e1culo adulto: P\u00e9 de guerra<br \/>\nEspet\u00e1culo infanto-juvenil: O v\u00f4o da Asa Branca<br \/>\nDiretor: M\u00e1rcio Meirelles (P\u00e9 de guerra)<br \/>\nAutor: Cl\u00e1udia Barral (O cego e o louco)<br \/>\nAtor: Frank Menezes (Volpone)<br \/>\nAtor coadjuvante: Paulo Pereira (O cego e o louco)<br \/>\nAtriz: Iami Rebou\u00e7as (Umbig\u00fcidades)<br \/>\nAtriz coadjuvante: Neide Moura (P\u00e9 de guerra)<br \/>\nDestaque: Os Argonautas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto publicado no jornal Folha da Bahia, em 30 de mar\u00e7o de 2001, escrito pelo jornalista Marcos Uzel, sobre o Pr\u00eamio Copene de Teatro &#8211; Edi\u00e7\u00e3o 2000. &#8220;P\u00e9 de Guerra&#8221; rendeu a Marcio Meirelles a premia\u00e7\u00e3o de Melhor Espet\u00e1culo Adulto e Melhor Diretor, e para Neide Moura, o pr\u00eamio de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=158"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":159,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158\/revisions\/159"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}