{"id":1607,"date":"2012-04-15T11:17:14","date_gmt":"2012-04-15T14:17:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=1607"},"modified":"2012-04-15T11:19:21","modified_gmt":"2012-04-15T14:19:21","slug":"reflexao-de-cleise-mendes-sobre-a-censura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2012\/04\/reflexao-de-cleise-mendes-sobre-a-censura\/","title":{"rendered":"REFLEX\u00c3O DE CLEISE MENDES SOBRE A CENSURA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Embora a lei anti baixaria &#8211; que ainda considero uma lei discriminat\u00f3ria e me lembra muito alguma coisa como censura &#8211; \u00a0j\u00e1 tenha sido votada e sancionada, gostei de ver a reflex\u00e3o de Cleise Mendes sobre o assunto. Concordo com a \u00a0densa ironia cleiseana e reproduzo aqui o artigo publicado no blog CARAMUR\u00ca &#8211; O PORTAL DO PENSAMENTO, \u00a0 \u00a0 (http:\/\/www.caramure.com.br\/artigos\/rumo-a-perfeicao-ou-joguem-flores-na-geni\/) \u00a0no dia 19\/03\/2012, com o t\u00edtulo:<\/em><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">RUMO \u00c0 PERFEI\u00c7\u00c3O OU JOGUEM FLORES NA GENI<\/h4>\n<div id=\"attachment_1609\" style=\"width: 206px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/cleise-e-caca.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1609\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1609\" title=\"cleise mendes e carlos nascimento\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/cleise-e-caca-196x300.jpg\" alt=\"\" width=\"196\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/cleise-e-caca-196x300.jpg 196w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/cleise-e-caca-672x1024.jpg 672w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/cleise-e-caca.jpg 904w\" sizes=\"(max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1609\" class=\"wp-caption-text\">Cleise Mendes e Carlos Nascimento em O POBRE ASSASSINO, espet\u00e1culo dirigido por Harildo Deda<\/p><\/div>\n<p>Projeto de lei denominado Antibaixaria, apresentado pela deputada estadual Luiza Maia, que visa proibir a contrata\u00e7\u00e3o, com dinheiro p\u00fablico, de artistas cujas can\u00e7\u00f5es ofendam a imagem feminina ou incentivem a viol\u00eancia contra a mulher, ser\u00e1 votado na Assembl\u00e9ia Legislativa da Bahia no pr\u00f3ximo dia 20. Como m\u00e9rito do projeto, pode-se computar a discuss\u00e3o que vem ocorrendo em sites e blogs, pois nestes tempos de inani\u00e7\u00e3o intelectual qualquer movimento que leve \u00e0 express\u00e3o de ideias e ao debate pode ser visto como algo em princ\u00edpio saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Dos argumentos que percorri, pr\u00f3 e contra, um dos mais razo\u00e1veis e que corresponde \u00e0 minha experi\u00eancia pessoal \u00e9 que os projetos art\u00edsticos, ao reivindicar apoio dos cofres p\u00fablicos, s\u00e3o examinados por comiss\u00f5es de artistas e intelectuais de reconhecida compet\u00eancia, plenamente capazes de avaliar a relev\u00e2ncia cultural de tais propostas. Mas o que se quer, quase sempre, com uma \u201clei\u201d no dom\u00ednio da cultura, \u00e9 justamente invalidar ou no m\u00ednimo tornar dispens\u00e1vel o processo de aprecia\u00e7\u00e3o, discuss\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o, o choque de vis\u00f5es, o salutar dissenso. Pretende-se resolver \u201cde cima\u201d, rotulando-se a priori o que pode ou n\u00e3o pode ser oferecido ao p\u00fablico. Algu\u00e9m j\u00e1 pensou quantas leis seriam necess\u00e1rias para prever todos os supostos \u201cmalef\u00edcios\u201d que uma obra de arte pode causar \u00e0 sensibilidade dos incautos cidad\u00e3os? Consta que o romance\u00a0<em>L\u00e1grimas do Jovem Werther<\/em>, de Goethe, levou em seu tempo in\u00fameros jovens leitores ao suic\u00eddio. Ah! Se houvesse, ent\u00e3o, uma lei contra contar hist\u00f3rias de amor infeliz! Quantas vidas teriam sido poupadas!<\/p>\n<p>Quanto ao projeto Antibaixaria, o que me espanta nessa ideia de lei \u00e9 a exclusividade do seu alvo. Por que apenas m\u00fasicas que ofendam a mulher? Se o objetivo \u00e9 impedir que o dinheiro p\u00fablico seja gasto em produtos art\u00edsticos nocivos \u00e0 sociedade, por que ent\u00e3o n\u00e3o incluir, num amplo gesto de defesa, toda a sociedade? Devem portanto ser evitadas m\u00fasicas que tratem pejorativamente as crian\u00e7as, os jovens, os idosos; as pessoas muito magras ou as muito gordas; as muito pobres ou as muito ricas; as adeptas de um bom copo, e as abst\u00eamias; as gulosas e as anor\u00e9xicas; as viciadas em trabalho e as pregui\u00e7osas; as devotas e as sem f\u00e9. N\u00e3o se deve tamb\u00e9m admitir can\u00e7\u00f5es cujas letras desonrem os torcedores do Bahia, do Vit\u00f3ria, ou de qualquer outra associa\u00e7\u00e3o futebol\u00edstica, o mesmo devendo ser aplicado aos demais esportes, por quest\u00e3o de isonomia. E para que o alcance da lei seja realmente amplo e irrestrito, por que n\u00e3o incluir nossos irm\u00e3os animais, tantas vezes vitimados por musiquinhas cru\u00e9is? Nada de \u201catirei o pau no gato\u201d ou \u201cpisa na barata, oi, mata essa barata, oi\u201d, portanto.<\/p>\n<p>Mas uma d\u00favida ainda paira, no esfor\u00e7o de defender a coisa p\u00fablica de todo tipo de arte delet\u00e9ria: por que apenas a m\u00fasica? (Ou ser\u00e1 que dev\u00edamos dizer: por que apenas a m\u00fasica baiana?) Pois n\u00e3o existem tantos romances, filmes, pe\u00e7as teatrais, pinturas, quadrinhos, blogs, e tudo o mais que nossa imagina\u00e7\u00e3o venha a criar, capazes de veicular palavras e imagens ofensivas a qualquer transeunte do espa\u00e7o social? Logo, uma lei que se queira verdadeiramente ampla e democr\u00e1tica deve contemplar a preven\u00e7\u00e3o contra toda e qualquer express\u00e3o art\u00edstica que possa vir a se tornar nociva aos consumidores. E seria necess\u00e1rio come\u00e7ar pela<em>Il\u00edada,\u00a0<\/em>de Homero, com suas aterradoras descri\u00e7\u00f5es de guerra. Quando crian\u00e7a, tive pesadelos com o guerreiro que teve o olho vazado por uma lan\u00e7a\u2026<\/p>\n<p>Depois que tivermos criado leis em n\u00famero suficiente para higienizar todas as formas de arte, deixando-as isentas de viol\u00eancia, sarcasmo, deboche, preconceito, hediondez, morbidez, grotesco, nonsense, bobagem, erotismo, sacanagem e o que mais fira as almas sens\u00edveis, poderemos todos, numa Rep\u00fablica ideal, apenas ouvir as can\u00e7\u00f5es que tenham como assunto o cotidiano dos anjos e as sonoridades que tecem em suas harpas, reclinados em brancas nuvens. \u00a0E ent\u00e3o estaremos livres tamb\u00e9m de outra praga do nosso tempo: a pirataria. Pois as m\u00fasicas angelicais ser\u00e3o distribu\u00eddas gratuitamente por um governo bom e justo, para todos os cidad\u00e3os, j\u00e1 que ningu\u00e9m sentir\u00e1 o menor desejo de copi\u00e1-las ilegalmente.<\/p>\n<p>Cleise Mendes<\/p>\n<p>16\/03\/2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora a lei anti baixaria &#8211; que ainda considero uma lei discriminat\u00f3ria e me lembra muito alguma coisa como censura &#8211; \u00a0j\u00e1 tenha sido votada e sancionada, gostei de ver a reflex\u00e3o de Cleise Mendes sobre o assunto. 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