{"id":1646,"date":"2012-08-17T08:55:54","date_gmt":"2012-08-17T11:55:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=1646"},"modified":"2012-08-17T08:55:54","modified_gmt":"2012-08-17T11:55:54","slug":"marcio-meirelles-volta-a-comandar-espetaculo-no-vila-velha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2012\/08\/marcio-meirelles-volta-a-comandar-espetaculo-no-vila-velha\/","title":{"rendered":"Marcio Meirelles volta a comandar espet\u00e1culo no Vila Velha"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><strong>Montagem &#8216;Dr\u00e1cula&#8217; estreia nesta sexta (17) no palco principal do Teatro Vila Velha<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: right;\">Clarissa Pacheco &#8211; Jornal da Metr\u00f3pole<\/p>\n<p>O diretor teatral baiano Marcio Meirelles volta a comandar um espet\u00e1culo no Teatro Vila Velha. A montagem &#8216;Dr\u00e1cula&#8217;, baseada na obra hom\u00f4nima de Bram Stoker, estreia nesta sexta-feira (17) no palco principal do teatro e segue em cartaz at\u00e9 26 de agosto e, depois, entre 14 a 23 de setembro, sempre \u00e0s 20h.<\/p>\n<div id=\"attachment_1648\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/blog-JoaoMiletMeirelles-5469-07-de-agosto-de-2012.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1648\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1648\" title=\"blog-JoaoMiletMeirelles-5469-07 de agosto de 2012\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/blog-JoaoMiletMeirelles-5469-07-de-agosto-de-2012-300x207.jpg\" alt=\"foto: jo\u00e3o milet meirelles\" width=\"300\" height=\"207\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/blog-JoaoMiletMeirelles-5469-07-de-agosto-de-2012-300x207.jpg 300w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/blog-JoaoMiletMeirelles-5469-07-de-agosto-de-2012-1024x707.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1648\" class=\"wp-caption-text\">foto: jo\u00e3o milet meirelles<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">JM &#8211; Quando come\u00e7ou a ser feito o trabalho de &#8216;Dr\u00e1cula&#8217; e quando surgiu a ideia de trabalhar a hist\u00f3ria em teatro?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">MM \u2013 O Supernova come\u00e7ou a trabalhar na montagem em mar\u00e7o, os ensaios em maio. Mas a ideia de traduzir o romance para o palco, \u00e9 de 1977, 35 anos portanto. Li o romance de Bram Stoker no ver\u00e3o de 76, quando morava no Rio. Fiquei muito impactado principalmente com a riqueza do livro que n\u00e3o era traduzida em nenhuma adapta\u00e7\u00e3o pro cinema ou quadrinhos&#8230; Da\u00ed me veio a vontade de v\u00ea-lo no palco. Logo depois voltei pra Salvador e outros artistas e eu criamos o Avel\u00e3z y Avestruz. Fizemos alguns espet\u00e1culos. \u00c9ramos um grupo, pod\u00edamos planejar, criar juntos, desenvolver uma metodologia de trabalho e uma po\u00e9tica. Enquanto est\u00e1vamos montando FAUSTO, voltou a vontade de encenar o romance. Tinha Carlos Nascimento, que fazia Mefisto, na pe\u00e7a, e que na \u00e9poca ach\u00e1vamos ideal pro papel do vampiro. Mas ele n\u00e3o quis e foi bom. Explico: dali at\u00e9 agora, vivi muitas coisas aprendi que existem muitos teatros, muitas formas de se fazer discursos. Copolla fez a sua adapta\u00e7\u00e3o do romance pro cinema, incluindo a ideia absurda de que o vampiro \u00e9 movido por uma paix\u00e3o rom\u00e2ntica, \u00e9 um ser apaixonado. E n\u00e3o consigo encontrar pista para isso no romance. Herzog fez sua bel\u00edssima vers\u00e3o de NOSFERATU, onde a quest\u00e3o da solid\u00e3o, do poder e da imortalidade s\u00e3o tratados poeticamente. Tive acesso \u00e0 hist\u00f3ria em quadrinhos de Crepax, que condensa todo o roteiro de acontecimentos do livro, magistralmente&#8230;. o Avel\u00e3z y Acestruz acabou, trabalhei com outros grupos em outros processos e sistemas de cria\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, teve o TCA, o Vila Velha, o Bando&#8230; passei pela gest\u00e3o p\u00fablica. Comecei a investigar o di\u00e1logo entre a cena e as tecnologias do audiovisual e da computa\u00e7\u00e3o&#8230;. enfim: foi agora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">JM &#8211; H\u00e1 um diferencial na apresenta\u00e7\u00e3o do protagonista. Como vai ser trabalhado isso?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">MM \u2013 Pois \u00e9 por isso foi bom Cac\u00e1 (Carlos Nascimento) n\u00e3o ter querido fazer \u00e0 \u00e9poca. Agora percebo que a presen\u00e7a de Dr\u00e1cula, no livro, \u00e9 maior do que poderia ser representada por um ator. Ele \u00e9 onipresente. De 27 cap\u00edtulos que tem o romance, aparece somente nos quatro iniciais. E esta parte da narrativa \u00e9 usada em todos os filmes sobre o mito. Depois, passamos dez outros cap\u00edtulos sem ver o seu nome sequer ser mencionado e sua presen\u00e7a est\u00e1 na atmosfera, nas tempestades, em animais, em n\u00e9voa&#8230; depois, at\u00e9 o fim, ele aparece mais 3 vezes: uma, \u00e9 visto andando na rua (ao meio dia), noutra \u00e9 flagrado no quarto dos seus antagonistas, dando o sangue de seu peito \u00e0 Mina, a \u00faltima \u00e9 quando seu caix\u00e3o \u00e9 aberto e, sem uma palavra, \u00e9 morto. Portanto, Dr\u00e1cula \u00e9 tudo, \u00e9 toda a narrativa, \u00e9 um monstro constru\u00eddo ardilosamente por v\u00e1rios testemunhos registrados em cartas, di\u00e1rios, not\u00edcias de jornal e outros documentos. N\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m \u00e9 algo que tememos em n\u00f3s mesmos, \u00e9 algo que o ocidente constr\u00f3i e tr\u00e1s do oriente para autorizar expedi\u00e7\u00f5es, invas\u00f5es, destrui\u00e7\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o de povos e culturas&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">JM &#8211; Como \u00e9, para voc\u00ea, levar ao palco do teatro a hist\u00f3ria de um &#8220;mito&#8221;?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">MM \u2013 Gosto desses grandes mitos da humanidade, sempre achei que o teatro vive deles e se perde quando esquece isto. Fausto, Dom Quixote, Baal, Dr\u00e1cula, Med\u00e9a, etc s\u00e3o mitos que nos explicam que tratam das grandes quest\u00f5es sem resposta que encaramos durante toda nossa exist\u00eancia&#8230; Com eles o Teatro trata do poder, da morte, da sa\u00fade da cidade, da polis, cuida de seu papel pol\u00edtico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">JM &#8211; H\u00e1 um tempo a pe\u00e7a vem sendo divulgada na internet, inclusive o processo de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma inova\u00e7\u00e3o? O uso da tecnologia faz parte da montagem?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">MM \u2013 Alguns outros grupos e artistas t\u00eam feito isso tamb\u00e9m. O teatro do s\u00e9culo XXI tem que dialogar com todas as novas formas de comunica\u00e7\u00e3o, tem que redescobrir seu papel no mundo contempor\u00e2neo. Ha que construir novas dramaturgias (estruturas narrativas da cena) e novos atores capazes de interagir com bytes. Lidar com seu corpo f\u00edsico e esse mesmo corpo transformado em bytes e espalhado num universo virtual. Al\u00e9m do qu\u00ea, gosto de tornar p\u00fablicos os processos. Gosto de colabora\u00e7\u00e3o. A cultura digital tem propiciado isso. Temos a possibilidade de tornar um processo criativo aberto a todos. Sempre meus ensaios s\u00e3o meio assim, sempre tem gente assistindo, estudantes que acompanham as montagens, outros artistas&#8230; \u00e9 bom. Quando o espet\u00e1culo estr\u00e9ia ele \u00e9 o resultado de uma grande discuss\u00e3o sobre um determinado tema ou momento do mundo, do homem ou da cidade. Ganha mais legitimidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">JM &#8211; Como foi esse processo de produ\u00e7\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">MM \u2013 Conversei casualmente com Ciro Sales e Will Brand\u00e3o sobre minha vontade de fazer DR\u00c1CULA. Tem umas 10 pe\u00e7as que gostaria de fazer antes de morrer. J\u00e1 tenho 58 anos e \u00e9 tempo de ir fechando as contas com o mundo. Da\u00ed eles e Luisa Proserpio quiseram tornar o projeto uma realiza\u00e7\u00e3o do Supernova em resid\u00eancia no Teatro Vila Velha. O Teatro tem se equipado para isso, pra responder a essas demandas de um teatro digital. E estamos fazendo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif;\">\u00c9 um elenco jovem, com pessoas com quem nunca tinha trabalhado, mas que j\u00e1 tinham feito oficinas comigo e j\u00e1 sabiam o que ando procurando com o teatro, minhas angustias com o tempo e com o mundo, minhas propostas est\u00e9ticas e pol\u00edticas e toparam encarar tamb\u00e9m o mito Dr\u00e1cula. \u00c9 uma forma nova de fazer teatro. S\u00e3o muito din\u00e2micos, um misto de empres\u00e1rios e artistas. Uma nova gera\u00e7\u00e3o mesmo. T\u00e1 sendo tamb\u00e9m interessante acompanhar atrav\u00e9s deles os caminhos da produ\u00e7\u00e3o teatral na Bahia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">publicado em 17\/08\/2012 no blog:<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">http:\/\/www.metro1.com.br\/portal\/?varSession=noticia&#038;varEditoriaId=26&#038;varId=16425<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Montagem &#8216;Dr\u00e1cula&#8217; estreia nesta sexta (17) no palco principal do Teatro Vila Velha Clarissa Pacheco &#8211; Jornal da Metr\u00f3pole O diretor teatral baiano Marcio Meirelles volta a comandar um espet\u00e1culo no Teatro Vila Velha. 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