{"id":170,"date":"2010-05-14T00:07:51","date_gmt":"2010-05-14T03:07:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=170"},"modified":"2014-03-24T08:32:53","modified_gmt":"2014-03-24T11:32:53","slug":"pelo-pelourinho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2010\/05\/pelo-pelourinho\/","title":{"rendered":"PELO PELOURINHO"},"content":{"rendered":"<p><em>Artigo publicado pelo jornal O Globo, no dia 14 de maio de 2010, <a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2010\/05\/politica-o-largo-da-ordem\/\">em resposta ao artigo<\/a> do cantor e compositor Caetano Veloso, no mesmo jornal, sobre a situa\u00e7\u00e3o do Pelourinho.<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_2049\" style=\"width: 624px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Remix_Doc_TiagoLima-0020-2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2049\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2049 \" title=\"ensaio de trilogiaREMIX.doc#aquartape\u00e7a - foto: tiago lima\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Remix_Doc_TiagoLima-0020-2.jpg\" alt=\"\" width=\"614\" height=\"410\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Remix_Doc_TiagoLima-0020-2.jpg 1024w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Remix_Doc_TiagoLima-0020-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2049\" class=\"wp-caption-text\">ensaio de trilogiaREMIX.doc#aquartape\u00e7a - foto: tiago lima<\/p><\/div>\n<p>Caro Caetano, Motivado pelo seu artigo do domingo passado, resolvi escrever esta carta, para esclarecer algumas coisas.<br \/>\nVoc\u00ea fala de mim como artista, criador do Bando de Teatro Olodum (que gerou L\u00e1zaro Ramos e Virg\u00ednia Rodrigues) e da pe\u00e7a \u201c\u00d3 pa\u00ed, \u00f3!\u201d (depois filme e s\u00e9rie televisiva).<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m como gestor, Secret\u00e1rio de Cultura do Estado da Bahia, \u201crespons\u00e1vel pelo destino do Pelourinho\u201d.<br \/>\nN\u00e3o sou respons\u00e1vel pelo destino do Pelourinho porque ningu\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pelo destino de nada. O destino \u00e9 um conjunto de acontecimentos que parecem pr\u00e9via e inexoravelmente tra\u00e7ados. Mas, de fato, s\u00e3o constru\u00eddos e podem ser alterados por circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas, sociais, emocionais, econ\u00f4micas, pol\u00edticas&#8230; Vejo-me apenas como parte deste elenco que constr\u00f3i e modifica os acontecimentos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, ao contr\u00e1rio do que voc\u00ea afirma, nas pe\u00e7as da \u201cTrilogia do Pel\u00f4\u201d \u2014 especialmente \u201c\u00d3 pa\u00ed, \u00f3!\u201d e \u201cBai bai Pel\u00f4\u201d, que criei e te emocionaram e nos aproximaram \u2014 n\u00e3o havia \u00f3dio. Havia indigna\u00e7\u00e3o por ver um poder truculento promover uma limpeza \u00e9tnica e social, expulsando os antigos moradores do Pelourinho e entregando as casas, que eles mantiveram de p\u00e9, a novos ocupantes.<\/p>\n<p>Diferente do exemplo da Lapa, no Rio, onde o poder p\u00fablico fez sua parte, e a iniciativa privada e a sociedade, as delas, aqui, o governo fez tudo, como um pai\/padrasto, \u201ccom dinheiro numa m\u00e3o e o chicote na outra\u201d. Tentando ser o condutor do destino.<\/p>\n<p>Mas o \u201cdestino\u201d \u00e0s vezes n\u00e3o obedece a seus condutores, e o tempo d\u00e1 respostas. A reforma n\u00e3o deu certo. A pintura das casas, que lembrava Santo Amaro em festa e te encantou, n\u00e3o era feita pelos moradores, nem pela prefeitura.<\/p>\n<p>O Pelourinho foi reformado, ou seja, ganhou nova forma. N\u00e3o foi revitalizado, n\u00e3o retomou sua capacidade vital, n\u00e3o se pensou em sustentabilidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel revitalizar um territ\u00f3rio urbano sem a for\u00e7a de seus moradores, sem a\u00e7\u00f5es articuladas dos tr\u00eas entes federados. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel tratar o Pelourinho como uma \u00e1rea isolada, um (im)poss\u00edvel parque tem\u00e1tico. A maioria das solu\u00e7\u00f5es est\u00e1 no entorno para onde foram muitas das fam\u00edlias retiradas da \u00e1rea, ocupantes agora de outras ru\u00ednas ou marquises, sobrevivendo do poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Criamos o Escrit\u00f3rio de Refer\u00eancia do Centro Antigo de Salvador para articular o Plano de Revitaliza\u00e7\u00e3o do Centro Antigo. Em parceria com a Unesco, ele foi conclu\u00eddo e ser\u00e1 apresentado no dia 2 de junho, com a entrega do Pal\u00e1cio Rio Branco restaurado. Ampliamos a \u00e1rea expositiva dos museus do lugar, triplicando a frequ\u00eancia e diversificamos a programa\u00e7\u00e3o art\u00edstica dos largos; temos tido, como voc\u00ea j\u00e1 comprovou, um p\u00fablico significativo.<\/p>\n<p>Caetano, meu amigo, o Bando precisou de dois anos para fazer sua primeira temporada no Rio, quatro para entregar ao mundo uma Virg\u00ednia Rodrigues, oito para um L\u00e1zaro Ramos, 17 para \u201c\u00d3 pa\u00ed, \u00f3!\u201d virar filme, 18 anos para a s\u00e9rie. Os processos culturais sustent\u00e1veis levam um tempo, mas, desde o seu in\u00edcio, o Bando sempre teve a vitalidade necess\u00e1ria para ser agora o que \u00e9. Talvez um anticarlismo. Sem \u00f3dio. S\u00f3 um caminho em outra dire\u00e7\u00e3o. Um outro ponto de vista. Outra pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixe sua vis\u00e3o, t\u00e3o preciosa sempre ao Brasil, ser nublada por quest\u00f5es partid\u00e1rias.<\/p>\n<p>N\u00e3o abandonamos o Centro Antigo de Salvador. Ele estava abandonado. O crack \u00e9 uma realidade tr\u00e1gica. A segunda renda per capita das capitais brasileiras, o quarto pior ensino p\u00fablico, o abismo social, a fragilidade de nossas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram criados nos \u00faltimos tr\u00eas anos e meio. N\u00e3o era poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00d3 pa\u00ed, velho: quem criou um espet\u00e1culo e um grupo capazes de te emocionar poderia abandonar o sujeito da pe\u00e7a?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo publicado pelo jornal O Globo, no dia 14 de maio de 2010, em resposta ao artigo do cantor e compositor Caetano Veloso, no mesmo jornal, sobre a situa\u00e7\u00e3o do Pelourinho. Caro Caetano, Motivado pelo seu artigo do domingo passado, resolvi escrever esta carta, para esclarecer algumas coisas. 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