{"id":1716,"date":"2013-08-20T14:26:34","date_gmt":"2013-08-20T17:26:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=1716"},"modified":"2013-08-20T18:18:57","modified_gmt":"2013-08-20T21:18:57","slug":"diario-de-um-encenador-em-sao-tome","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2013\/08\/diario-de-um-encenador-em-sao-tome\/","title":{"rendered":"di\u00e1rio de um encenador em s\u00e3o tom\u00e9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">entre \u00a0e 31 de julho estive em s\u00e3o tom\u00e9 e pr\u00edncipe para dar uma oficina para atores no projeto P-STAGE &#8211; realiza\u00e7\u00e3o da CENALUS\u00d3FONA com a colabora\u00e7\u00e3o do TEATRO VILA VELHA entre outras institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_1717\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_2787.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1717\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1717 \" title=\"foto: eduardo pinto\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_2787-300x200.jpg\" alt=\"foto: eduardo pinto\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_2787-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_2787.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1717\" class=\"wp-caption-text\">foto: eduardo pinto<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><strong>dia 1<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o Tom\u00e9 \u00e9 lindo<\/p>\n<p>pode-se ver nas fotos<\/p>\n<p>mas \u00e9 terr\u00edvel tb<\/p>\n<p>\u00e9 pobre controlado uma sociedade q vive sob\u2026.<\/p>\n<p>a coloniza\u00e7\u00e3o ainda n acabou<\/p>\n<p>basta ver-se a internet \u00e9 mto cara e mto complicada e mto lenta<\/p>\n<p>como pode haver desenvolvimento de um povo neste s\u00e9culo<\/p>\n<p>sem acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e a conex\u00f5es?<\/p>\n<p>sem comunica\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>na televis\u00e3o passa o pior das produ\u00e7\u00f5es brasileiras e portuguesas\u2026.<\/p>\n<p>como se constr\u00f3i uma identidade assim?<\/p>\n<p>mas h\u00e1 o povo<\/p>\n<p>o milagre do povo<\/p>\n<p>q continua<\/p>\n<p>q avan\u00e7a e constr\u00f3i e mant\u00e9m alguma coisa essencial e necess\u00e1ria<\/p>\n<p>as oficinas apenas come\u00e7aram come\u00e7o a conhecer melhor cultura e povo e fato e hist\u00f3ria<\/p>\n<p>o teatro revela representa e \u00e9 uma hist\u00f3ria<\/p>\n<p>o modo com q se faz tb<\/p>\n<p>v\u00e1rios grupos: f\u00f4l\u00f4 bl\u00e1gi (forro &#8211; o povo daqui &#8211; brasil), parodiantes da ilha, os criativos, caravana africana, l\u00e9gi t\u00e9la (raiz da terra), boneco animado da ilha, os brincalh\u00f5es, gente de dor alegre, faz tudo &#8211; como se faz teatro aqui?<\/p>\n<p>e muitos atores que participam mtas vezes de v\u00e1rios grupos, com nomes esssencialmente s\u00e3otomenses: admilze allainy ateriana azinilda edzanea henayelde mardiginia regner virginito wademeide wazil\u00e2nia entre charles e odair e osvaldo e sandra e nelson e outros<\/p>\n<p>um in\u00edcio t\u00edmido um chegar sem pressa com cautela quem sou eu quem \u00e9 este?<\/p>\n<p>um in\u00edcio lindo de aproxima\u00e7\u00e3o de culturas de teatros de hist\u00f3rias<\/p>\n<p>15\/07\/2013<\/p>\n<div id=\"attachment_1720\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_2836.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1720\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1720\" title=\"IMG_2836\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_2836-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_2836-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_2836.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1720\" class=\"wp-caption-text\">foto: eduardo pinto<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><strong>dia 2<\/strong><\/p>\n<p>no segundo da oficina em s tom\u00e9 dia fui brindado com uma suite de dan\u00e7as populares s tomenses<\/p>\n<p>e de outras \u00e1fricas tb<\/p>\n<p>uma explos\u00e3o de alegria no final do encontro<\/p>\n<p>uma celebra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>foi um dia em q partimos dos ritmos e da concentra\u00e7\u00e3o j\u00e1 iniciados no primeiro<\/p>\n<p>da\u00ed surgiu o movimento e a semente de personagens<\/p>\n<p>personagens f\u00f4l\u00f4s &#8211; quase um in\u00edcio de ESSA \u00c9 NOSSA PRAIA<\/p>\n<p>podemos fazer se quisermos um belo painel de personagens e situa\u00e7\u00f5es locais como na TRILOGIA DO PEL\u00d4 q tb come\u00e7ou assim em oficina<\/p>\n<p>a no\u00e7\u00e3o clara pra alguns de q \u00e9 assim q se constr\u00f3i dramaturgia<\/p>\n<p>de q o texto surge<\/p>\n<p>qdo se tem o q dizer<\/p>\n<p>qdo se tem concentra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>a pergunta de amador pinto fernandes ator do grupo OS CRIATIVOS<\/p>\n<p>o marcio tem esse m\u00e9todo escrito como um manual<\/p>\n<p>resposta<\/p>\n<p>n\u00e3o<\/p>\n<p>pq vou inventando a cada dia<\/p>\n<p>o ator deve ir estruturando seu pr\u00f3prio manual<\/p>\n<p>um roteiro de como ele se prepara e constr\u00f3i o seu discurso<\/p>\n<p>ele autor de sua pr\u00f3pria representa\u00e7\u00e3o do mundo do qual \u00e9 testemunha<\/p>\n<p>temos uma base<\/p>\n<p>a imagina\u00e7\u00e3o (e a indigna\u00e7\u00e3o) \u00e9 a mat\u00e9ria prima do ator<\/p>\n<p>a partir dai pode-se preparar um discurso<\/p>\n<p>movimento concentra\u00e7\u00e3o respira\u00e7\u00e3o olhar redes entre olhares observa\u00e7\u00e3o aten\u00e7\u00e3o em si no outro<\/p>\n<p>no todo<\/p>\n<p>busca de um ritmo exterioriza\u00e7\u00e3o do ritmo em sons<\/p>\n<p>afinidade de sons volume melodia din\u00e2mica andamento<\/p>\n<p>volta a respira\u00e7\u00e3o a novas pulsa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>ao movimento<\/p>\n<p>da\u00ed em roda<\/p>\n<p>como no samba<\/p>\n<p>na capoeira<\/p>\n<p>dialogar provocar com sons e movimentos<\/p>\n<p>criar situa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>a situa\u00e7\u00e3o proposta come\u00e7ou com<\/p>\n<p>eu s\u00f3 vim avisar q o passarinho dela fugiu<\/p>\n<p>da\u00ed uns se interessaram outros desviaram<\/p>\n<p>novos assuntos foram inseridos<\/p>\n<p>e fechou-se c o aviso de q o passarinho dela fugiu<\/p>\n<p>a mem\u00f3ria<\/p>\n<p>a mem\u00f3ria imediata de c quem contracenei e o q disse e qual a sensa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>a mem\u00f3ria cumulativa de guardar ritmos outras situa\u00e7\u00f5es olhares rostos dos outros transforma\u00e7\u00f5es provocadas por mudan\u00e7as de respira\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o nos outros e em cada um<\/p>\n<p>hj e ontem e desde o in\u00edcio<\/p>\n<p>e por fim a celebra\u00e7\u00e3o detonada pelas palmas e ritmos e vontades<\/p>\n<p>s tom\u00e9 &#8211; a beleza<\/p>\n<p>alguma coisa como ilh\u00e9us itaparica<\/p>\n<p>cacau orla mar<\/p>\n<p>abund\u00e2ncia de peixes de frutas<\/p>\n<p>\u00e9 como se fosse um para\u00edso mas h\u00e1 o dinheiro<\/p>\n<p>h\u00e1 o poder<\/p>\n<p>h\u00e1 os interesses<\/p>\n<p>h\u00e1 o mundo real pral\u00e9m do imaginado<\/p>\n<p>pral\u00e9m do prazer<\/p>\n<p>h\u00e1 as diferen\u00e7as mantidas como garantia e domina\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>h\u00e1 a falta de ind\u00fastria pro bem e pro mal<\/p>\n<p>h\u00e1 a aus\u00eancia<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">16\/07\/2013<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_3149.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1721\" title=\"IMG_3149\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_3149-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_3149-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_3149.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">dia 3<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">no in\u00edcio reflex\u00e3o pq da aus\u00eancia de um manual escrito<\/span><\/p>\n<p>teatro se escreve a cada dia em cada novo projeto<\/p>\n<p>c cada novo agrupamento humano q quer fazer<\/p>\n<p>e isso \u00e9 claro pra mim<\/p>\n<p>principalmente agora q trabalho c a UNIVERSIDADE LIVRE DE TEATRO VILA VELHA<\/p>\n<p>o CURSO LIVRE DE TEATRO DA ETUFBA<\/p>\n<p>preparo a encena\u00e7\u00e3o de ESPELHO PARA CEGOS<\/p>\n<p>e fa\u00e7o esta oficina em s tom\u00e9<\/p>\n<p>cada um um teatro<\/p>\n<p>cada um um processo<\/p>\n<p>a mesma base<\/p>\n<p>mas como fixar um c\u00e2none<\/p>\n<p>como estruturar um m\u00e9todo<\/p>\n<p>se n reescrevendo a cada dia o m\u00e9todo<\/p>\n<p>se n transgredindo e desobedecendo o planejado<\/p>\n<p>passamos quase duas horas organizando os trinta toques e sons<\/p>\n<p>em dois &#8220;conjuntos&#8221; sonoros de 15 toques cada<\/p>\n<p>em dois objetos musicais<\/p>\n<p>os ritmos se desencontravam<\/p>\n<p>come\u00e7avam casando um toque c outro<\/p>\n<p>outro toque era acrescentado e se encaixava e iam se encaixando e de repente tudo come\u00e7ava a atravessar e recome\u00e7ar e encaixar e desencaixar<\/p>\n<p>conseguimos montar os dois poliritmos com a ajuda de alguns facilitadores entre eles uns j\u00e1 tem estrada nos sons e instrumentos<\/p>\n<p>depois retomar os personagens<\/p>\n<p>uma longa caminhada<\/p>\n<p>o in\u00edcio \u00e9 sempre caminhar<\/p>\n<p>um caminho q vai do primeiro dia at\u00e9 sempre<\/p>\n<p>respirar<\/p>\n<p>aten\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>consci\u00eancia da respira\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>mudar<\/p>\n<p>lembrar<\/p>\n<p>voltar \u00e0 respira\u00e7\u00e3o cotidiana<\/p>\n<p>retomar a respira\u00e7\u00e3o imaginada e constru\u00edda<\/p>\n<p>a mem\u00f3ria e o poder de reconstruir qdo quiser a partir de nenhum est\u00edmulo outro q n a vontade de mudar de assumir um outro estado provocado pela mem\u00f3ria f\u00edsica da respira\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>do ritmo e da pulsa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>por fim os personagens retornam<\/p>\n<p>e aceleram a respira\u00e7\u00e3o e o ritmo do andar<\/p>\n<p>o andamento<\/p>\n<p>em busca de alguma coisa q se quer muito<\/p>\n<p>e por fim se chega ao lugar onde estaria o q se quer<\/p>\n<p>onde aconteceria o necess\u00e1rio<\/p>\n<p>e n sucede<\/p>\n<p>n se encontra o buscado<\/p>\n<p>relatar o q se buscou<\/p>\n<p>e o exerc\u00edcio era relatar c sons<\/p>\n<p>os sons constru\u00eddos at\u00e9 ent\u00e3o<\/p>\n<p>o som de cada um como uma digital como a identidade a fala<\/p>\n<p>usar os sons produzidos como linguagem<\/p>\n<p>depois substituir a linguagem dos sons por palavras<\/p>\n<p>o primeiro a relatar n encontrou mais uma festa<\/p>\n<p>o segundo embarcou na festa q era de crian\u00e7as e q tinha q acabar cedo<\/p>\n<p>e tinha bebida alco\u00f3lica<\/p>\n<p>levada por m\u00e3es<\/p>\n<p>e as crian\u00e7as sumiram<\/p>\n<p>e n tenho nada a ver c isso<\/p>\n<p>e um longo discurso c\u00eanico sobre a isen\u00e7\u00e3o de responsabilidade da sociedade em rela\u00e7\u00e3o aos problemas coletivos<\/p>\n<p>vou resolver o meu<\/p>\n<p>o outro resolva o seu<\/p>\n<p>na roda final a cobran\u00e7a de concentra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>de q se escute a proposi\u00e7\u00e3o e se execute o proposto<\/p>\n<p>teve gente q fez<\/p>\n<p>teve gente q<\/p>\n<p>teve gente<\/p>\n<p>e o debate sobre a diversidade dos participantes<\/p>\n<p>mtos c experi\u00eancia estrada forma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>outros iniciando<\/p>\n<p>excluir ou incluir<\/p>\n<p>ajudar o outro a ser tb<\/p>\n<p>ou ser e ir?<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">17\/07\/2013<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_2736.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1722\" title=\"IMG_2736\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_2736-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_2736-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_2736.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">dia 4<\/strong><\/p>\n<p>os personagens saem dos ritmos de cada um<\/p>\n<p>surgem &#8220;como se estivesse vendo meus vizinhos&#8221;<\/p>\n<p>os vizinhos q v\u00e3o servir pra falar coisas<\/p>\n<p>quem s\u00e3o eles?<\/p>\n<p>surgem como dan\u00e7arinas jogadores atletas policiais<\/p>\n<p>trabalhadores pequenos propriet\u00e1rios c as terras invadidas<\/p>\n<p>o q dizer c eles?<\/p>\n<p>os personagens s\u00e3o como instrumentos q os atores devem saber tocar<\/p>\n<p>e produzir a m\u00fasica q quiserem<\/p>\n<p>ouvir os outros personagens<\/p>\n<p>produzir uma m\u00fasica coletiva<\/p>\n<p>q diga coisas<\/p>\n<p>parte-se de mtos lugares<\/p>\n<p>n\u00f3s partimos da respira\u00e7\u00e3o q come\u00e7a com caminhar<\/p>\n<p>os participantes trouxeram tambores de seus grupos<\/p>\n<p>lindos cheios de hist\u00f3rias<\/p>\n<p>hj os ritmos s\u00e3o produzidos por tambores<\/p>\n<p>q conduzem as a\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>meio elenco toca meio elenco improvisa<\/p>\n<p>apresentam os personagens e partem para uma jam session<\/p>\n<p>os tambores guiam as a\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>cada tocador com seu ritmo conduz um personagem do outro ator<\/p>\n<p>h\u00e1 uma invers\u00e3o<\/p>\n<p>agora \u00e9 meu ritmo q conduz seu personagem<\/p>\n<p>fa\u00e7o c q entrem em cena intensifico as situa\u00e7\u00f5es aumentando o volume ou andamento<\/p>\n<p>tiro o seu personagem de cena parando de tocar<\/p>\n<p>no intervalo outra explos\u00e3o<\/p>\n<p>tambores e dan\u00e7as<\/p>\n<p>por fim<\/p>\n<p>falar<\/p>\n<p>dar nomes aos personagens e organizar sua mem\u00f3ria<\/p>\n<p>o q aconteceu?<\/p>\n<p>em roda cada personagem se apresenta e diz o q faz<\/p>\n<p>em roda s\u00e3o feitas perguntas para q se possa conhecer melhor cada um deles<\/p>\n<p>as improvisa\u00e7\u00f5es continuam como fala<\/p>\n<p>cada personagem interfere na hist\u00f3ria do outro<\/p>\n<p>afirmando coisas atos q mtas vezes o personagem arguido tenta negar<\/p>\n<p>e mtas vezes o interlocutor diz tenho provas<\/p>\n<p>e as provas s\u00e3o aceitas<\/p>\n<p>mesmo se n expostas<\/p>\n<p>\u00e9 o princ\u00edpio do jogo teatral<\/p>\n<p>o outro nos conduz tb<\/p>\n<p>as perguntas q fica \u00e9<\/p>\n<p>q perguntas n foram feitas?<\/p>\n<p>quem \u00e9 seu personagem e o q vc vai fazer dele?<\/p>\n<p>sobre isso vamos trabalhar segunda feira<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">18\/07\/2013<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_7053.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1727\" title=\"IMG_7053\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_7053-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_7053-300x200.jpg 300w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/IMG_7053-1024x682.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">dia 5<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">hj n tem encontro na oficina<\/span><\/p>\n<p>tem abertura do festival gravana<\/p>\n<p>gravana \u00e9 a esta\u00e7\u00e3o seca q dura dois meses depois das chuvas<\/p>\n<p>e corresponde a julho\/agosto<\/p>\n<p>\u00e9 um festival de cultura q envolve os fazeres das ilhas<\/p>\n<p>quatro participantes da oficina se apresentam num grupo de dan\u00e7a tradicional<\/p>\n<p>por isso discutimos ontem como seria<\/p>\n<p>houve consenso em suspendermos a oficina<\/p>\n<p>abertura oficial c o ministro da educa\u00e7\u00e3o cultura e forma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>o diretor de cultura o de turismo e outra coisa q esqueci<\/p>\n<p>o diretor da cst telef\u00f4nica q tem o monop\u00f3lio dos celulares e internet<\/p>\n<p>e q cobra um absurdo pelo servi\u00e7o<\/p>\n<p>mas q est\u00e1 patrocinando o evento<\/p>\n<p>com muitas discuss\u00f5es sobre isso<\/p>\n<p>principalmente por causa da assinatura da cst<\/p>\n<p>no banner do festival<\/p>\n<p>coisa q no brasil nem se questiona mais<\/p>\n<p>nem se percebe<\/p>\n<p>nem se v\u00ea<\/p>\n<p>mas h\u00e1 uma disputa acirrada entre criadores de material gr\u00e1fico<\/p>\n<p>produtores e agentes do patrocinador<\/p>\n<p>tb na mesa o presidente da cenalus\u00f3fona<\/p>\n<p>falas m\u00fasica<\/p>\n<p>qdo vai come\u00e7ar a dan\u00e7a falta luz<\/p>\n<p>esperamos<\/p>\n<p>falta gas\u00f3leo [disel] no gerador<\/p>\n<p>volta a luz<\/p>\n<p>dan\u00e7am um pouco visivelmente constrangidos<\/p>\n<p>os atores q trabalham conosco na oficina<\/p>\n<p>falta luz<\/p>\n<p>h\u00e1 j\u00e1 gas\u00f3leo liga-se o gerador<\/p>\n<p>fim da abertura oficial<\/p>\n<p>perguntas<\/p>\n<p>pra quem foi aquela abertura?<\/p>\n<p>q p\u00fablico se espera para o festival?<\/p>\n<p>quais s\u00e3o os crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o das apresenta\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>temos discutido mto isso de p\u00fablico e pol\u00edticas culturais.<\/p>\n<p>o fato \u00e9 q hj n temos encontro para a oficina<\/p>\n<p>mas este encontro aqui c a cultura s\u00e3otomense e c a pol\u00edtica do setor no pa\u00eds<\/p>\n<p>valeram como um aprendizado<\/p>\n<p>como colocar isso no palco<\/p>\n<p>no experimento q faremos?<\/p>\n<p>logo ao sair do arquivo hist\u00f3rico nacional onde o festival foi aberto<\/p>\n<p>deparamos com um outro festival de rua de rap hip hop onde jovens de atitude ao som de djs dan\u00e7am e fazem rimas<\/p>\n<p>repistas d\u00e3o seu recado put your hands up put your hands up<\/p>\n<p>no duplo sentido da frase estadounidense mas universal<\/p>\n<p>mostram a indigna\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao mundo e nos manda colocar as m\u00e3os ao ar<\/p>\n<p>como diz\u00edamos qdo eu era crian\u00e7a e brincava de pol\u00edcia e ladr\u00e3o<\/p>\n<p>quem s\u00e3o os ladr\u00f5es?<\/p>\n<p>19\/07\/2013 (<span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">escrito em 27\/07\/2013)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">dia 6<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">mudamos de espa\u00e7o<\/span><\/p>\n<p>de manh\u00e3 fomos eduardo pinto (produtor) e eu<\/p>\n<p>ao liceu tentar local mais amplo pra nossos encontros<\/p>\n<p>a sala da casa da cultura \u00e9 mto pequena<\/p>\n<p>falamos c o diretor<\/p>\n<p>e conseguimos pq a cenalus\u00f3fona j\u00e1 tinha mandado uma carta h\u00e1 uma semana ou mais solicitando<\/p>\n<p>e todas essas formalidades epistolares parecem fazer parte dos ritos locais<\/p>\n<p>s\u00e3o levadas muito a s\u00e9rio<\/p>\n<p>n sei se para retardar a\u00e7\u00f5es ou se pela sacraliza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>para q elas tenham valor e sentido<\/p>\n<p>de outra forma q valor tem uma institui\u00e7\u00e3o se vc pode resolver as coisas pessoalmente?<\/p>\n<p>fomos ent\u00e3o um pouco antes da hora do ensaio<\/p>\n<p>para a casa da cultura a princ\u00edpio para trabalhar l\u00e1 mesmo<\/p>\n<p>mas decidimos ir para o liceu<\/p>\n<p>mesmo pq a chave da sala onde ensaiamos est\u00e1 na m\u00e3o de algu\u00e9m q n se acha<\/p>\n<p>e hj tem um semin\u00e1rio sobre direitos de propriedade intelectual<\/p>\n<p>organizada at\u00e9 onde pude entender por uma organiza\u00e7\u00e3o internacional<\/p>\n<p>faz parte do festival gravana<\/p>\n<p>e mtos ligados \u00e0 cultura oficial est\u00e3o envolvidos nele<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>no liceu<\/p>\n<p>a sala ampla e empoeirada<\/p>\n<p>foi arrumada<\/p>\n<p>temos 24 atores hj<\/p>\n<p>o n\u00famero varia entre 24 e 31 a cada dia<\/p>\n<p>mais para o fim do ensaio chegam mais 3 e participam como observadores<\/p>\n<p>no in\u00edcio<\/p>\n<p>depois do aquecimento em q caminhamos respiramos<\/p>\n<p>reconstru\u00edmos personagens<\/p>\n<p>fazemos uma grande roda e um ator vai at\u00e9 o centro e apresenta o seu<\/p>\n<p>outro ator vai at\u00e9 l\u00e1 e contracena c ele<\/p>\n<p>o primeiro sai e chama outro q vem e contracena c o q ficou<\/p>\n<p>assim v\u00e3o aparecendo rela\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>basicamente contam trechos de coisas q viveram em outros exerc\u00edcios<\/p>\n<p>\u00e9 a proposta<\/p>\n<p>apresentam o personagem agora a partir n s\u00f3 da imagina\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>mas tb de experi\u00eancias q ele teve com outros personagens feitos pelos outros<\/p>\n<p>depois escolho seis atores q contaram experi\u00eancias<\/p>\n<p>q podem gerar discursos e pe\u00e7o q escolham seu time<\/p>\n<p>assim formamos 6 grupos de 4 atores<\/p>\n<p>pe\u00e7o q improvisem uma cena coletivamente<\/p>\n<p>e come\u00e7amos a criar as 6 cenas c as quais trabalharemos<\/p>\n<p>eles apresentam as cenas em cima de um pequeno palco q existe na sala<\/p>\n<p>estar um palco foi um diferencial<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>pedi q<\/p>\n<p>escrevam sobre o personagem<\/p>\n<p>tragam can\u00e7\u00f5es q lembrem o personagem ou a cena<\/p>\n<p>tragam textos q quueiram ler e tenha a ver c os personagens ou cenas<\/p>\n<p>escrevam as cenas<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">22\/07\/2013 (<\/span><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">escrito em 26\/07\/2013)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">dia 7<\/strong><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>mudo a configura\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o<\/p>\n<p>crio um corredor com espectadores dos dois lados<\/p>\n<p>e isso deve ser levado em conta<\/p>\n<p>retomamos as cenas<\/p>\n<p>cada grupo apresenta de novo o q fez<\/p>\n<p>agora mais estruturado<\/p>\n<p>menos improvisado<\/p>\n<p>uma certa e primeira consolida\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>ou edi\u00e7\u00e3o do q fizeram no dia anterior<\/p>\n<p>depois de apresentarem sentam e escutam as perguntas e quest\u00f5es<\/p>\n<p>dos outros atores q devem<\/p>\n<p>falar sobre o q viram e n sobre o q gostariam de ter visto<\/p>\n<p>falar sobre o q foi feito e n sobre o q fariam<\/p>\n<p>dizer as d\u00favidas q surgiram<\/p>\n<p>fazer perguntas q tentem elucidar aspectos d\u00fabios ou pouco claros da cena e das rela\u00e7\u00f5es entre os personagens<\/p>\n<p>falar sobre as rela\u00e7\u00f5es e objetivos dos personagens q lhe sugerem as a\u00e7\u00f5es apresentadas<\/p>\n<p>fazer uma cr\u00edtica n de valor mas de pertin\u00eancia do apresentado no sentido de o q vi foi isso e me escaparam mtas coisas pq\u2026\u2026.<\/p>\n<p>apresentar um espelho para q o grupo q apresentou possa ver o q foi feito atrav\u00e9s dos olhos dos outros<\/p>\n<p>o grupo q apresentou n fala nada<\/p>\n<p>escuta e vai procurar responder reformulando a cena<\/p>\n<p>ou clareando a narrativa das a\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>o trabalho acabou bem tarde e n pudemos fazer a roda final<\/p>\n<p>poucos trouxeram o q pedi ontem<\/p>\n<p>textos can\u00e7\u00f5es cenas escritas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>23\/07\/2013 (<span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">escrito em 26\/07\/2013)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">dia 8<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">come\u00e7amos com o aquecimento<\/span><\/p>\n<p>cada um canta a can\u00e7\u00e3o q trouxe<\/p>\n<p>dividimos os grupos para trabalharem melhor as cenas<\/p>\n<p>trabalho eu pr\u00f3prio cada grupo<\/p>\n<p>tento introduzir as can\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>sentimos dificuldade paramos fazemos s\u00f3 as cenas<\/p>\n<p>e vou uma a uma trabalhando<\/p>\n<p>no\u00e7\u00f5es de espa\u00e7o c\u00eanico de dist\u00e2ncia entre os personagens<\/p>\n<p>de olhar de vis\u00e3o de pontos de vista de sonoridades<\/p>\n<p>discutimos conte\u00fado e forma<\/p>\n<p>sugiro e ou\u00e7o sugest\u00f5es a partir do q foi dito ontem<\/p>\n<p>e do q pensamos sobre o q foi dito e o q fizemos<\/p>\n<p>as cenas v\u00e3o crescendo tomando forma<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>problema c aus\u00eancias e atrasos<\/p>\n<p>novos atores introduzem seus personagens em grupos<\/p>\n<p>onde faltaram personagens<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>esbarramos numa cena q trata da quest\u00e3o do uso de drogas<\/p>\n<p>n \u00e9 um tema local ainda<\/p>\n<p>n se sabe mto bem ou se confunde a natureza e efeito de cada uma<\/p>\n<p>cheiram liamba fumam droga<\/p>\n<p>maconha deixa as personagens completamente fora de si<\/p>\n<p>sem nenhum controle sem reconhecer os outros<\/p>\n<p>e por fim um professor e uma estranha aparecem e numa recupera\u00e7\u00e3o m\u00e1gica &#8220;salvam&#8221; os 2 drogados<\/p>\n<p>levam-nos para o hospital para a &#8220;cura&#8221;<\/p>\n<p>discutimos sobre isso sobre as drogas<\/p>\n<p>e decidimos abandonar o tema<\/p>\n<p>caro \u00e0s ongs mas alheio ainda ao cotidiano local<\/p>\n<p>q valeria a pena discutir se tiv\u00e9ssemos tempo para desenvolver uma pesquisa e um ponto de vista sobre o assunto<\/p>\n<p>se f\u00f4ssemos testemunhas deste fato e pud\u00e9ssemos apresenta-lo para q a plat\u00e9ia tomasse decis\u00f5es a respeito<\/p>\n<p>o grupo sente-se frustrado<\/p>\n<p>mas vai recome\u00e7ar e refazer a cena<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>pergunto o q este teatro q estamos fazendo tem a ver c o q eles fazem normalmente aqui<\/p>\n<p>quais as diferen\u00e7as e como podem usar as ferramentas q estamos experimentando ou criando para seu trabalho individual<\/p>\n<p>apesar de \u00e0s\u00a0 vezes trabalharem a partir de textos na maioria das vezes trabalham a partir de improvisa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>algu\u00e9m traz um gui\u00e3o e faz a escala de atores\/personagens<\/p>\n<p>eles improvisam e estruturam a pe\u00e7a<\/p>\n<p>nunca tinham trabalhado a partir do personagem e de uma cria\u00e7\u00e3o de roteiro coletivo<\/p>\n<p>n costumam trabalhar c ritmos e can\u00e7\u00f5es locais<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>barros sinaliza a necessidade de compromisso de estudo de pesquisa q poucos trouxeram os textos ou fizeram os trabalhos propostos<\/p>\n<p>q gostam muito de falar e trabalham pouco pra mudar q se querem ser profissionais precisam ter compromisso<\/p>\n<p>q muitos faltam chegam atrasados e atrapalham o andamento c isso<\/p>\n<p>q teatro n \u00e9 f\u00e1cil precisa de disciplina e dedica\u00e7\u00e3o q os personagens precisam aparecer<\/p>\n<p>q precisam saber sobre o q est\u00e3o falando qdo falam coisas e a cena da droga foi o exemplo<\/p>\n<p>agradeceram a barros pela fala<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>falo: meu filho mais velho \u00e9 bi\u00f3logo trabalha c corais e mergulha<\/p>\n<p>qdo soube q eu vinha pra s. tom\u00e9 ficou mto animado pq gostaria de vir e mergulhar aqui<\/p>\n<p>aqui existe uma riqueza e diversidade mto grandes de vida marinha e ele gostaria de conhecer<\/p>\n<p>da\u00ed ele me escreveu um imeio dizendo q eu devia mergulhar pra conhecer o seu universo e assim entende-lo um pouco mais<\/p>\n<p>isso foi uma indica\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>da\u00ed nos inscrevemos num mergulho e ontem fomos fazer o primeiro treinamento na piscina<\/p>\n<p>fomos orientados sobre todos os procedimentos e advertidos de todas as dificuldades e perigos<\/p>\n<p>nos ensinaram todos os sinais necess\u00e1rios para o primeiro mergulho<\/p>\n<p>sinais de comunica\u00e7\u00e3o c significados espec\u00edficos p os mergulhadores<\/p>\n<p>ensaiamos o mergulho v\u00e1rias vezes<\/p>\n<p>ensaiamos algumas possibilidades de acidente com seus perigos as alternativas de solu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>est\u00e1vamos aptos a estrear no mar<\/p>\n<p>em pouca profundidade mas no mar<\/p>\n<p>hj fomos ao ilh\u00e9u das cabras e ancoramos perto de um navio naufragado<\/p>\n<p>colocamos roupas e equipamento<\/p>\n<p>o figurino pr\u00f3prio<\/p>\n<p>e mergulhamos<\/p>\n<p>desci segurando a corda da \u00e2ncora como todos os outros<\/p>\n<p>o ouvido doia um pouco na descida mas fiz o q ensaiei e resolveu<\/p>\n<p>enqto alguns j\u00e1 nadavam c seu instrutor para mais longe da \u00e2ncora da zona de seguran\u00e7a e mais para perto do navio<\/p>\n<p>eu comecei a achar q n ia dar certo q eu ia entrar em p\u00e2nico q n ia saber coordenar tudo o q t\u00ednhamos ensaiado<\/p>\n<p>subi e desci 3 vezes<\/p>\n<p>o instrutor perguntava atrav\u00e9s de sinais se estava tudo bem eu dizia q sim mas n estava<\/p>\n<p>da \u00faltima vez q desci e j\u00e1 ia desistir pensei<\/p>\n<p>de alguma forma estou aqui representando meu filho<\/p>\n<p>mergulho por ele q n est\u00e1 aqui para mergulhar e para ele<\/p>\n<p>para entender melhor seu universo<\/p>\n<p>se eu desistir vou falhar c ele e vou perder a experi\u00eancia de ver a diversidade de vida q existe aqui em baixo<\/p>\n<p>vou perder a aventura<\/p>\n<p>percebi q respirava corretamente e q tudo estava como tinha sido ensaiado<\/p>\n<p>era ir e fui<\/p>\n<p>vivi a aventura at\u00e9 o fim<\/p>\n<p>vi os peixes corais e pedras vi q o navio tinha se transformado num monstro marinho macio ao toque<\/p>\n<p>n mais o toque frio do metal nos dedos era como um animal gelatinoso q alimenta outras vidas em simbiose<\/p>\n<p>vi o universo que fascina e alimenta meu filho e o representei num mergulho q sua aus\u00eancia geogr\u00e1fica n permitia<\/p>\n<p>assim \u00e9 o teatro uma aventura<\/p>\n<p>temos equipamentos\/ferramentas e procedimentos q vamos construindo nos ensaios<\/p>\n<p>qdo estamos aptos mergulhamos no palco e representamos o p\u00fablico q n est\u00e1 al\u00ed mas espera q o representemos<\/p>\n<p>q vivamos situa\u00e7\u00f5es q n est\u00e3o no nosso cotidiano mas q s\u00e3o parte da experi\u00eancia humana neste universo<\/p>\n<p>as vezes desconhecido<\/p>\n<p>o p\u00e2nico de entrar no palco e fazer o q ensaiamos pode ser vencido se fizermos exatamente o q ensaiamos<\/p>\n<p>e estivermos preparados pra solucionar problemas e acidentes q por acaso venham a acontecer<\/p>\n<p>da\u00ed emergimos outros novos renovados mais ricos possuidores de uma nova vida e experi\u00eancia<\/p>\n<p>e teremos feito nosso papel &#8211; representado e entendido melhor o outro q ao se ver em n\u00f3s reconhece<\/p>\n<p>o nosso esfor\u00e7o e a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia e pode lidar c ela fora de si e corrigir caminhos<\/p>\n<p>e mudar a rota e ser melhor<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>24\/07\/2013 (<span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">escrito de 26 a 29\/07\/2013)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">dia 9<\/strong><\/p>\n<p>arrumamos as cenas<\/p>\n<p>o grupo q fez a cena das drogas vai propor uma nova<\/p>\n<p>atores q n vieram no primeiro dia<\/p>\n<p>em q as cenas foram criadas ou seja n participaram do processo completo<\/p>\n<p>onde cada um primeiro apresentou seu personagem<\/p>\n<p>fez o di\u00e1logo c um outro<\/p>\n<p>e depois foi escolhido para o \u201ctime\u201d q faria a cena<\/p>\n<p>formariam um grupo novo fruto do acaso do atraso e da aus\u00eancia<\/p>\n<p>resolvo propor q se juntem na cena da droga e fa\u00e7am a nova cena juntos<\/p>\n<p>assim como agreguei um novo ator atrasado a outro grupo<\/p>\n<p>ent\u00e3o temos 4 cenas de 4 atores uma de 5 e um grupo com 7<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>o grupo de 7 prop\u00f5e uma cena sobre gravidez na adolesc\u00eancia<\/li>\n<\/ul>\n<p>e problemas familiares entre pai autorit\u00e1rio<\/p>\n<p>e m\u00e3e respons\u00e1vel \u00fanica pela educa\u00e7\u00e3o dos filhos<\/p>\n<p>e um filho q quer ser repista<\/p>\n<p>tem ainda um professor respons\u00e1vel pela moral<\/p>\n<p>um lutador q engravida a menina e n assume<\/p>\n<p>e um repista amigo do filho q combate o sistema<\/p>\n<p>mas depois se rende ao rico pai do amigo q prop\u00f5e \u00e0 dupla<\/p>\n<p>a grava\u00e7\u00e3o de um cd e apresenta\u00e7\u00e3o num show<\/p>\n<ul>\n<li>no grupo de 5 atores temos uma cena<\/li>\n<\/ul>\n<p>onde um comerciante pouco escrupuloso<\/p>\n<p>joga cartas c um amigo pescador e<\/p>\n<p>sabendo das dificuldades financeiras deste<\/p>\n<p>oferece um empr\u00e9stimo no intuito de tomar seu barco e seu trabalho<\/p>\n<p>enquanto duas senhoras discutem seus problemas<\/p>\n<p>um p\u00e1ssaro q n deixa uma delas dormir<\/p>\n<p>e uma quest\u00e3o de divis\u00e3o e invas\u00e3o de terras n deixa a outra<\/p>\n<p>nisto chega uma mulher ferida no bra\u00e7o<\/p>\n<p>as outras duas pedem ajuda ao pescador q salva a ferida<\/p>\n<p>o comerciante volta p cobrar a d\u00edvida<\/p>\n<ul>\n<li>uma mulher tem terras q est\u00e3o sendo invadidas<\/li>\n<\/ul>\n<p>pede ajuda a amigas para encontrar algu\u00e9m pra trabalhar como guarda<\/p>\n<p>e vigiar a ro\u00e7a durante a noite<\/p>\n<p>contrata um senhor indicado por uma delas<\/p>\n<p>mas este tem medo de escuro e da noite<\/p>\n<p>e se esconde<\/p>\n<p>qdo ela chega v\u00ea q levaram tudo<\/p>\n<p>demite o novo empregado e cansada de tudo resolve ser dan\u00e7arina<\/p>\n<ul>\n<li>um trabalhador rural planta e v\u00ea depois sua colheita roubada<\/li>\n<\/ul>\n<p>enqto sua mulher tenta educar sua filha<\/p>\n<p>q quer ser dan\u00e7arina de kuduro e seduz um pol\u00edcia ped\u00f3filo<\/p>\n<ul>\n<li>o pai chega e diz q est\u00e3o sem colheita e sem dinheiro<\/li>\n<\/ul>\n<p>a mulher tenta punir o pol\u00edcia q n ajuda a resolver o problema do roubo<\/p>\n<p>pq \u00e9 pol\u00edcia de cidade<\/p>\n<ul>\n<li>uma mulher sabe q seu marido tem uma namorada<\/li>\n<\/ul>\n<p>discutem e ele diz q tem cinco mulheres pq \u00e9 homem e pode<\/p>\n<p>ela bate nele como costuma fazer<\/p>\n<ul>\n<li>o filho tenta apartar a briga e chama o vizinho<\/li>\n<\/ul>\n<p>um militar aposentado q tb tenta<\/p>\n<p>tenta colocar os dois pra marchar<\/p>\n<ul>\n<li>o filho q vai participar de um concurso de dan\u00e7a<\/li>\n<\/ul>\n<p>bota todos a dan\u00e7ar<\/p>\n<ul>\n<li>uma senhora perdeu o filho e est\u00e1 desesperada<\/li>\n<\/ul>\n<p>cobi\u00e7ada por dois senhores q n se importam c o problema dela<\/p>\n<p>ela encontra um atleta q diz ter visto o filho indo pro mar<\/p>\n<p>c um pescador<\/p>\n<p>ela desmaia e cuidam dela at\u00e9 ela voltar a si e sair em busca do filho<\/p>\n<ul>\n<li>os 3 homens discutem a incompet\u00eancia deles em conquista-la<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es ing\u00eanuas \u00e0s vezes absurdas costuradas<\/p>\n<p>c peda\u00e7os de personagens e rela\u00e7\u00f5es constru\u00eddas ao caminhar<\/p>\n<p>imaginar coisas produzir ritmos rela\u00e7\u00f5es c olhares<\/p>\n<p>situa\u00e7\u00f5es criadas c di\u00e1logos mudos<\/p>\n<p>um ac\u00famulo de elementos deram nestas cenas<\/p>\n<p>q representam de alguma forma um momento daquele coletivo humano<\/p>\n<p>pq surgiram essas cenas? esses assuntos?<\/p>\n<p>o q no momento da hist\u00f3ria deste lugar fez esses atores<\/p>\n<p>se voltarem para esses temas<\/p>\n<p>este o segredo \u2013 o q temos p falar o q nos faz falar pq e p quem falar?<\/p>\n<p>discutimos isso de v\u00e1rias formas<\/p>\n<p>vamos conversando e reformulando cada cena<\/p>\n<p>proponho ao grupo da m\u00e3e desesperada pela perda do filho<\/p>\n<p>q o atleta sugira q ele foi enfeiti\u00e7ado<\/p>\n<p>ela se d\u00e1 conta de q h\u00e1 bruxaria envolvida no desaparecimento<\/p>\n<p>e cai tb em transe<\/p>\n<p>h\u00e1 uma cerim\u00f4nia de djambi e ela \u201cmontada\u201d tem a revela\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>de onde ele est\u00e1 e sai a procura no final<\/p>\n<p>esta sugest\u00e3o veio de uma conversa c barros<\/p>\n<p>ele me disse q nos primeiros dias antes da minha chegada<\/p>\n<p>provocou o relato de casos de bruxaria<\/p>\n<p>elemento presente no espet\u00e1culo <em>as ora\u00e7\u00f5es de mansata<\/em><\/p>\n<p>produto final do projeto q ele vai dirigir em coimbra<\/p>\n<p>c atores de 5 pa\u00edses lus\u00f3fonos portugal brasil angola guin\u00e9 bissau e s tom\u00e9<\/p>\n<p>todos trabalham suas cenas e reapresentam<\/p>\n<p>h\u00e1 sens\u00edveis mudan\u00e7as em cada uma delas<\/p>\n<p>a tarefa continua a ser pensar refletir propor<\/p>\n<p>o q falamos qdo estamos representando esses personagens<\/p>\n<p>q s\u00e3o como nossos vizinhos?<\/p>\n<p>o q nos dizem nossos vizinhos e q vamos dizer p eles?<\/p>\n<p>25\/07\/2013 (<span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">escrito em 29\/07\/2013)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">dia 10<\/strong><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>este foi um dia especial<\/p>\n<p>criada no lugar da cena q n deu certo sobre as drogas<\/p>\n<p>a cena da adolescente gr\u00e1vida precisa estofo<\/p>\n<p>pe\u00e7o a cada grupo q v\u00e1 retrabalhar suas cenas<\/p>\n<p>incluindo can\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>pensando em ritmos<\/p>\n<p>incorporando pensamentos e reflex\u00f5es feitas em grupo ou a s\u00f3s<\/p>\n<p>fico com o grupo da gravidez<\/p>\n<p>me dou conta q um dos problemas desse grupo foi a inconst\u00e2ncia<\/p>\n<p>dos seus participantes no trabalho<\/p>\n<p>com v\u00e1rias faltas e mtos atrasos<\/p>\n<p>mas trabalhamos<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>me dou conta tb q unicefs e ongs<\/p>\n<p>q usam o teatro como ferramenta pedag\u00f3gica<\/p>\n<p>imprimiram aqui como no novo teatro amador feito nos sub\u00farbios e comunidades brasileiras<\/p>\n<p>um teor did\u00e1tico-social-prop<\/p>\n<p>sem a grandeza dos dramaturgos q repensaram a est\u00e9tica do teatro no s\u00e9culo XX<\/p>\n<p>a partir da necessidade de comunicar \u00e0s massas id\u00e9ias pol\u00edticas e revolucion\u00e1rias<\/p>\n<p>nem a grandeza de um anchieta ao incorporar as estruturas das tradi\u00e7\u00f5es e ritos ind\u00edgenas no seu teatro catequ\u00e9tico colonizador<\/p>\n<p>n\u00e3o h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e9tica maior nesse \u201cteatro inclusivo\/did\u00e1tico\u201d<\/p>\n<p>a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 moral e comportamental<\/p>\n<p>h\u00e1 a ignor\u00e2ncia qto a certeza de q s\u00f3 uma experi\u00eancia est\u00e9tica profunda<\/p>\n<p>\u00e9 transformadora<\/p>\n<p>h\u00e1 uma tentativa de passar ideias e preceitos e condutas somente pelas palavras<\/p>\n<p>colocadas em roteiros pobres e ing\u00eanuos<\/p>\n<p>isso se reflete nas cenas propostas<\/p>\n<p>nas resolu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas para problemas mto complexos<\/p>\n<p>como o prazer\u00a0 q prov\u00e9m das drogas e suas consequ\u00eancias<\/p>\n<p>como o prazer advindo do desejo sexual e suas consequ\u00eancias<\/p>\n<p>como refrear o del\u00edrio e o orgasmo c palavras apaziguadoras?<\/p>\n<p>\u00e9 preciso assumir q os atos humanos t\u00eam consequ\u00eancias<\/p>\n<p>todo e qualquer<\/p>\n<p>mas n dizer ao adolescente<\/p>\n<p>explodindo de tes\u00e3o e de \u00e2nsia de experi\u00eancias radicais<\/p>\n<p>q refreie tudo evite ou tome precau\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>como se precaver contra o desejo?<\/p>\n<p>as estrat\u00e9gias ser\u00e3o outras para evitar um caminho sem volta<\/p>\n<p>e devemos evitar os caminhos sem volta<\/p>\n<p>ou apenas saber q eles existem e optar por seguir ou parar?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trabalhamos uma meia hora sobre a cena da fam\u00edlia envolvida<\/p>\n<p>c a gravidez precoce<\/p>\n<p>e n avan\u00e7a<\/p>\n<p>percebo q os personagens s\u00e3o fr\u00e1geis bidimensionais<\/p>\n<p>e resolvo instalar o caos<\/p>\n<p>chamo os outros grupos q trabalham sozinhos suas cenas<\/p>\n<p>e acrescento a cada personagem uma rela\u00e7\u00e3o c outro<\/p>\n<p>filhos m\u00e3es amantes primos amigos c\u00famplices aparecem<\/p>\n<p>digo q eles s\u00e3o isso ou aquilo de algu\u00e9m<\/p>\n<p>q seu parente ou relativo est\u00e1 c um problema e ele precisa ajudar a resolver<\/p>\n<p>e os mando para a sala de ensaio<\/p>\n<p>o ru\u00eddo aumenta<\/p>\n<p>o caos se estabelece<\/p>\n<p>os personagens interagem e se atropelam<\/p>\n<p>novas rela\u00e7\u00f5es e revela\u00e7\u00f5es surgem como coelhos numa horta<\/p>\n<p>muito barulho por causas a ganhar<\/p>\n<p>de repente a cena do djambi se refaz<\/p>\n<p>mas o jovem lutador \u00e9 q \u00e9 montado<\/p>\n<p>e come\u00e7a a denunciar a verdade de cada personagem ali presente<\/p>\n<p>e o ator \u00e9 \u201cmontado\u201d tb<\/p>\n<p>sai da sala c outro ator o conduzindo<\/p>\n<p>come\u00e7a a andar pelo campo grande p\u00e1tio do liceu<\/p>\n<p>vou junto tento conversar ele come\u00e7a a pedir q n o levem q ele quer ficar ali<\/p>\n<p>me dizem \u201c\u00e9 assim \u00e0s vezes a gente tem a mem\u00f3ria leve<\/p>\n<p>e o djambi toma conta \u00e9 preciso ter cuidado\u201d<\/p>\n<p>ele grita avan\u00e7a outros chegam<\/p>\n<p>conduzem-no de volta \u00e0 sala<\/p>\n<p>ele pede para todos sa\u00edrem ningu\u00e9m sai<\/p>\n<p>alguns riem<\/p>\n<p>uns duvidam outros v\u00e3o ajudar executam procedimentos rituais<\/p>\n<p>para tirar o esp\u00edrito dele<\/p>\n<p>ele pede q um outro ator se aproxime<\/p>\n<p>\u201cs\u00f3 quero meu amigo venha c\u00e1\u201d<\/p>\n<p>anda de m\u00e3os dadas c ele pela sala e pede<\/p>\n<p>\u201cv\u00e1 l\u00e1 fora traga 7 folhas de fruteira secas\u201d<\/p>\n<p>ordem executada folhas entregues \u201csete\u201d<\/p>\n<p>ajoelha-se esfrega as folhas na cabe\u00e7a cai volta a si<\/p>\n<p>\u201cse fosse de verdade vc ia ficar a noite inteira servindo ele \u2013 traga vinho traga isso traga aquilo\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>retomamos o ensaio<\/p>\n<p>apresentam as novas cenas surgidas<\/p>\n<p>arruma-se o caos<\/p>\n<p>at\u00e9 onde o mergulho leva um ator para dentro do teatro?<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">26\/07\/2013 (<\/span><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">escrito em 1<\/span><sup style=\"line-height: 19px;\">o<\/sup><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\/07\/2013)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">dias 11 e 12<\/strong><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>os \u00faltimos 2 dias s\u00e3o mem\u00f3rias de um processo quase sequencial<\/p>\n<p>organizamos e edito as cenas<\/p>\n<p>em casa penso e coloco no papel sequencias q experimentamos<\/p>\n<p>fa\u00e7o cortes e intercalo situa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>crio 3 blocos<\/p>\n<p>no primeiro a gravidez adolescente e o caso do medroso<\/p>\n<p>o jovem lutador q engravida a adolescente \u00e9 filho do sr bondoso<\/p>\n<p>o desempregado q teme a noite<\/p>\n<p>no segundo a quest\u00e3o da divis\u00e3o das terras herdadas<\/p>\n<p>e do marido q apanha da mulher<\/p>\n<p>se intercalam<\/p>\n<p>quest\u00f5es de fam\u00edlia a serem resolvidas<\/p>\n<p>no terceiro a m\u00e3e q perdeu o filho e o djambi q revela cada um sem m\u00e1scara<\/p>\n<p>cada ator\/atriz recebe uma c\u00f3pia do gui\u00e3o<\/p>\n<p>experimentamos<\/p>\n<p>intercalo as cenas c ritmos<\/p>\n<p>e c as can\u00e7\u00f5es q eles trouxeram<\/p>\n<p>reedito alguns cortes q n deram mto certo<\/p>\n<p>ou\u00e7o sugest\u00f5es e experimento<\/p>\n<p>umas aceito outras n<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>no pen\u00faltimo dia um novo final me surpreende<\/p>\n<p>qdo a m\u00e3e \u201cmontada\u201d come\u00e7a a dizer o q deveria<\/p>\n<p>interrompo e pe\u00e7o q o esp\u00edrito diga q o filho dela est\u00e1 perdido<\/p>\n<p>assim como todas as crian\u00e7as africanas<\/p>\n<p>se n cuidarmos delas<\/p>\n<p>e pe\u00e7o q todos cantem a can\u00e7\u00e3o da unidade africana<\/p>\n<p>q um dos atores trouxe para o seu personagem<\/p>\n<p>a vibra\u00e7\u00e3o e alegria s\u00e3o intensas<\/p>\n<p>\u00e9 emocionante<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>no dia seguinte \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>29 e 30\/07\/2013 (<span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">escrito em 1<\/span><sup style=\"line-height: 19px;\">o<\/sup><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\/07\/2013)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">dia 13<\/strong><\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\"><\/strong><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">demora do ministro da cultura<\/span><\/p>\n<p>atores e atrizes sentados em seus lugares depois do \u00faltimo ensaio<\/p>\n<p>a embaixadora de Portugal chega e sai r\u00e1pido<\/p>\n<p>sem entrar na sala onde estamos<\/p>\n<p>por fim desiste-se de esperar pelo ministro e come\u00e7amos<\/p>\n<p>fala de barros<\/p>\n<p>a cena lus\u00f3fona apresenta o projeto P-STAGE<\/p>\n<p>o ministro chega<\/p>\n<p>amador (flasquim) e alice falam como participantes<\/p>\n<p>r\u00e1pidas palavras sobre o processo<\/p>\n<p>falo sobre a import\u00e2ncia pra mim desta troca de saberes<\/p>\n<p>de manuseios de ferramentas q tivemos e de como s tom\u00e9 se mostrou<\/p>\n<p>p mim pelo teatro e a riqueza q s\u00e3o esses atores e essa cultura<\/p>\n<p>pe\u00e7o ao ministro q cuide deles<\/p>\n<p>falo dos 49 anos do teatro vila velha hj e da comemora\u00e7\u00e3o transatl\u00e2ntica<\/p>\n<p>q ser\u00e1 apresentarmos o experimento no mesmo dia<\/p>\n<p>falo q o vila nasceu como espa\u00e7o de liberdade 4 meses depois do golpe militar<\/p>\n<p>q instalou a ditadura no brasil e da import\u00e2ncia deste espa\u00e7o [teatro] na bahia<\/p>\n<p>no brasil<\/p>\n<p>desde ent\u00e3o<\/p>\n<p>apresentamos o experimento<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>A TERRA DOS HOMENS<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\"><strong>roteiro do experimento<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">cenas criadas em improvisa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p align=\"right\">com os atores participantes da oficina P-STAGE<\/p>\n<p align=\"right\">dirigida por m\u00e1rcio meirelles<\/p>\n<p align=\"right\">realizada pela cenalus\u00f3fona<\/p>\n<p align=\"right\">em s\u00e3o tom\u00e9\/s\u00e3o tom\u00e9, entre 15 de julho e 1<sup>o<\/sup> de agosto de 2013<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ficaram aqui fragmentos de cenas, situa\u00e7\u00f5es, a\u00e7\u00f5es e personagens surgidos em exerc\u00edcios feitos durante a oficina. S\u00e3o retratos ing\u00eanuos de situa\u00e7\u00f5es complexas envolvendo rela\u00e7\u00f5es humanas, afetivas, pol\u00edticas, familiares, econ\u00f4micas q de alguma forma tra\u00e7am um painel sobre a vida popular em S\u00e3o Tom\u00e9, hoje. Em dez dias de tr\u00eas horas e meia de trabalho, foram apresentadas ferramentas q geraram o material q usamos para montar, no \u00faltimo dia, o roteiro. Depois seguimos o m\u00e9todo dos grupos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s falas. N\u00e3o foram escritas, os atores as improvisavam a partir de uma sequencia, c assuntos e desenvolvimento combinados e estabelecidos previamente, variando um pouco nos dois dias em q ensaiamos e na apresenta\u00e7\u00e3o do experimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>ABERTURA<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">TODOS <em>cantam<\/em>:<\/p>\n<p align=\"right\">Sinto-me orgulhoso de ser africano<\/p>\n<p align=\"right\">meus antepassados todos nasceram aqui<\/p>\n<p align=\"right\">filho legitimo de mundo rainha<\/p>\n<p align=\"right\">minha africa, \u00f4i\u00ea \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>BLOCO 1<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">1.<\/p>\n<p align=\"right\">PEDRO treina lutas<\/p>\n<p align=\"right\">NINA entra e fala q est\u00e1 gr\u00e1vida<\/p>\n<p align=\"right\">PEDRO a rejeita manda ela tirar o filho e sai<\/p>\n<p align=\"right\">NINA sai chorando<\/p>\n<p align=\"right\">2.<\/p>\n<p align=\"right\">MALVADO vende terreno a BLAGABOTA<\/p>\n<p align=\"right\">3.<\/p>\n<p align=\"right\">XEPA JOANA e MARIA entram ao som de canto tradicional<\/p>\n<p align=\"right\">Trabalham na terra<\/p>\n<p align=\"right\">XEPA diz q n aguenta mais a situa\u00e7\u00e3o q a est\u00e3o roubando e pede q ajudem a encontrar um guarda pra vigiar o terreno<\/p>\n<p align=\"right\">JOANA fala em convidar SENHOR BONDOSO q est\u00e1 desempregado<\/p>\n<p align=\"right\">MARIA diz q se for p trabalhar de noite ele n vai dar certo<\/p>\n<p align=\"right\">Decidem arriscar<\/p>\n<p align=\"right\">4.<\/p>\n<p align=\"right\">VIT\u00d3RIA manda seu marido SENHOR BONDOSO arrumar o problema de um p\u00e1ssaro q a est\u00e1 incomodando<\/p>\n<p align=\"right\">Ele fala q tem medo da noite e do escuro<\/p>\n<p align=\"right\">Ela manda ele trabalhar pq n tem dinheiro em casa e ela n aguenta mais<\/p>\n<p align=\"right\">5.<\/p>\n<p align=\"right\">NINA diz \u00e0 m\u00e3e \u2013 RALA \u2013 q est\u00e1 gr\u00e1vida<\/p>\n<p align=\"right\">RALA fica desesperada pq o marido \u2013 MALVADO \u2013 vai por a culpa nela<\/p>\n<p align=\"right\">6.<\/p>\n<p align=\"right\">JOANA vem chamar SENHOR BONDOSO para trabalhar e sai<\/p>\n<p align=\"right\">SENHOR BONDOSO diz a VIT\u00d3RIA q se for de noite n trabalha<\/p>\n<p align=\"right\">7.<\/p>\n<p align=\"right\">MALVADO chega em casa e sabe da gravidez de NINA fica furioso e vai c a fam\u00edlia na casa do rapaz<\/p>\n<p align=\"right\">8.<\/p>\n<p align=\"right\">SENHOR BONDOSO chega em casa novamente desempregado<\/p>\n<p align=\"right\">O emprego era noturno e ele n aguentou<\/p>\n<p align=\"right\">Briga c VIT\u00d3RIA<\/p>\n<p align=\"right\">PEDRO chega em casa interfere na briga e diz q engravidou NINA mas n vai assumir<\/p>\n<p align=\"right\">Os pais lhe d\u00e3o raz\u00e3o<\/p>\n<p align=\"right\">Chegam MALVADO RALA e NINA grande discuss\u00e3o com SENHOR BONDOSO VIT\u00d3RIA e PEDRO<\/p>\n<p align=\"right\">Chegam a um acordo \u2013 a fam\u00edlia MALVADO fica c NINA e a crian\u00e7a<\/p>\n<p align=\"right\">A fam\u00edlia BONDOSO ajuda c trabalho e alimento<\/p>\n<p align=\"right\">Sai a fam\u00edlia MALVADO<\/p>\n<p align=\"right\">Na fam\u00edlia BONDOSO fica decidido q PEDRO vai trabalhar para sustentar sua fam\u00edlia e SENHOR BONDOSO vai trabalhar p sustentar a sua<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>BLOCO 2<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">1.<\/p>\n<p align=\"right\">IOLA <em>vem reclamar da divis\u00e3o do terreno q receberam de heran\u00e7a<\/em>:<\/p>\n<p align=\"right\">Precisamente, prima Xepa&#8230;.<\/p>\n<p align=\"right\">XEPA diz q n tem nada c isso e pede \u00e0s vizinhas q v\u00e3o buscar o irm\u00e3o mais velho e um advogado<\/p>\n<p align=\"right\">Saem as 4<\/p>\n<p align=\"right\">2.<\/p>\n<p align=\"right\">CHICA sabe q o marido TINO tem uma nova namorada<\/p>\n<p align=\"right\">uma catorzinha q se chama LUA<\/p>\n<p align=\"right\">TINO chega em casa<\/p>\n<p align=\"right\">briga de CHICA e TINO depois de forte discuss\u00e3o<\/p>\n<p align=\"right\">ele diz q por ser homem tem direito a ter boquitas<\/p>\n<p align=\"right\">ela bate nele<\/p>\n<p align=\"right\">FILHA tenta acalmar o conflito n consegue e vai chamar os vizinhos<\/p>\n<p align=\"right\">ZERO chega c CAPIT\u00c3O GANCHO e tenta resolver prop\u00f5e q CAPIT\u00c3O GANCHO v\u00e1 conversar c TINO enqto ele vai conversar c CHICA<\/p>\n<p align=\"right\">3.<\/p>\n<p align=\"right\">BLAGABOTA vem falar c XEPA<\/p>\n<p align=\"right\">IOLA tb chega<\/p>\n<p align=\"right\">FRANCISCA \u2013 esposa de BLAGABOTAS chega depois<\/p>\n<p align=\"right\">Grande confus\u00e3o e tentativa de esclarecimento sobre divis\u00e3o da terra herdada pelos primos<\/p>\n<p align=\"right\">XEPA manda JOANA chamar ADVOGADO e MARIA chamar o irm\u00e3o mais velho \u2013 VING\u00c1<\/p>\n<p align=\"right\">Saem<\/p>\n<p align=\"right\">4.<\/p>\n<p align=\"right\">Voltam ZERO, CAPIT\u00c3O GANCHO, CHICA e TINO.<\/p>\n<p align=\"right\">ZERO continua a conversa c CHICA<\/p>\n<p align=\"right\">CAPIT\u00c3O GANCHO conversa c TINO sempre perguntando sobre LUA<\/p>\n<p align=\"right\">ZERO amea\u00e7a ligar p o centro de aconselhamento familiar q cuida da viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/p>\n<p align=\"right\">para TINO denunciar CHICA este se apavora e decide fazer as pazes<\/p>\n<p align=\"right\">CAPIT\u00c3O GANCHO e ZERO saem<\/p>\n<p align=\"right\">Casal resolve a cena c a filha<\/p>\n<p align=\"right\">Saem<\/p>\n<p align=\"right\">5.<\/p>\n<p align=\"right\">JOANA e MARIA trazem VING\u00c1 q resolve a\u00a0 quest\u00e3o contando a hist\u00f3ria do terreno<\/p>\n<p align=\"right\">O ADVOGADO\u00a0 prop\u00f5e um acordo<\/p>\n<p align=\"right\">XEPA tem os documentos do terreno e IOLA tb<\/p>\n<p align=\"right\">BLOGABOTA apenas xerox da xerox<\/p>\n<p align=\"right\">MALVADO vendeu a parte do terreno q era dele e parte de XEPA<\/p>\n<p align=\"right\">Tudo se resolve<\/p>\n<p align=\"right\">6.<\/p>\n<p align=\"right\">LUA vai come\u00e7ar o show na discoteca<\/p>\n<p align=\"right\">CAPIT\u00c3O GANCHO vem prender LUA<\/p>\n<p align=\"right\">Ela canta ele fica seduzido e libera ela<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>BLOCO 3<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">1.<\/p>\n<p align=\"right\">Can\u00e7\u00e3o tradicional.<\/p>\n<p align=\"right\">SENHORA PAULA entra desesperada pq o filho est\u00e1 desaparecido<\/p>\n<p align=\"right\">Entra SENHOR CIRCUITOROM\u00c2NTICO<\/p>\n<p align=\"right\">Ela pede ajuda ele quer ficar c ela<\/p>\n<p align=\"right\">Ela o enxota<\/p>\n<p align=\"right\">2.<\/p>\n<p align=\"right\">Can\u00e7\u00e3o tradicional.<\/p>\n<p align=\"right\">Entra SENHOR ARANDIR<\/p>\n<p align=\"right\">SENHORA PAULA pede ajuda ele quer ficar c ela tb<\/p>\n<p align=\"right\">Ela enxota ele<\/p>\n<p align=\"right\">3.<\/p>\n<p align=\"right\">Entra EUJADISSE \u2013 um atleta<\/p>\n<p align=\"right\">Diz \u00e0 SENHORA PAULA que viu o filho dela c um velho na praia c uma vela acesa<\/p>\n<p align=\"right\">SENHORA PAULA entende q tem bruxaria envolvida e cai desmaiada.<\/p>\n<p align=\"right\">EUJADISSE pede socorro<\/p>\n<p align=\"right\">4.<\/p>\n<p align=\"right\">Entram os 2 pretendentes para ajudar<\/p>\n<p align=\"right\">SENHOR CIRCUITOROM\u00c2NTICO faz ritual de djambi e SENHORA PAULA se levanta \u201cmontada\u201d:<\/p>\n<p align=\"right\">PAULA:<\/p>\n<p align=\"right\">Quem mand\u00f4 chama ami prami fala o qu\u00ea? Damu xipa, damu maruvo. Pra mi falar. N\u00e3o vai falar ami fofoqueiro? Mas ami vai falar. Fio de caxa saiu com sinhoro Ving\u00e1. Esse homem feticero. Que est\u00e1 ensinar seu filho obra de bruxaria. Leva menino em senhora Xepa. Senhora lava menino faz tudo. Fica melhor. Se n\u00e3o t\u00e1 perdido. Como os meninos africanos. Se n\u00e3o cuidar de meninos africanos t\u00e1 tudo perdido. Precisamos cuidar de nossas crian\u00e7as pra gente ter um mundo melhor. N\u00e3o s\u00f3 m\u00e3es que cuidam das crian\u00e7as. Os pais devem cuidar tamb\u00e9m de seus filhos.<\/p>\n<p align=\"right\">TODOS <em>cantam<\/em>:<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Solo:<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">Sinto-me orgulhoso de ser africano<\/p>\n<p align=\"right\">meus antepassados todos nasceram aqui<\/p>\n<p align=\"right\">filho legitimo de mundo rainha<\/p>\n<p align=\"right\">minha africa, \u00f4i\u00ea \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\">S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Coro:<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">\u00f4i\u00ea \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Solo:<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">Angola, \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Coro:<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">\u00f4i\u00ea \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Solo: <\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">Cabo Verde, \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Coro:<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">\u00f4i\u00ea \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Solo: <\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">Guin\u00e9 Bissau, \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Coro: <\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">\u00f4i\u00ea \u00f4i\u00ea,<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Solo:<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">Sinto-me orgulhoso de ser africano<\/p>\n<p align=\"right\">meus antepassados, todos nasceram aqui<\/p>\n<p align=\"right\">filho legitimo de mundo rainha<\/p>\n<p align=\"right\">minha africa, \u00f4i\u00ea \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\">Portugal \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Coro:<\/strong> &#8211; \u00f4i\u00ea \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Refr\u00e3o: &#8211;<\/strong> Mo\u00e7ambique, \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Coro:<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">\u00f4i\u00ea \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Solo:<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">Timor Leste, \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Coro: <\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">\u00f4i\u00ea \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Solo:<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">Brasil, \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Coro: <\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">\u00f4i\u00ea \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p align=\"right\"><strong>Solo:<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">Sinto-me orgulhoso de ser africano<\/p>\n<p align=\"right\">meus antepassados todos nasceram aqui<\/p>\n<p align=\"right\">filho legitimo de mundo rainha<\/p>\n<p align=\"right\">minha \u00c1frica, \u00f4i\u00ea \u00f4i\u00ea<\/p>\n<p>depois da apresenta\u00e7\u00e3o a festa<\/p>\n<p>a comemora\u00e7\u00e3o dos 49 anos do teatro vila velha deste lado do atl\u00e2ntico<\/p>\n<p>tinha comentado com os participantes no dia anterior q nada \u00e9 coincid\u00eancia<\/p>\n<p>e q \u00edamos apresentar o experimento no dia do anivers\u00e1rio do vila<\/p>\n<p>eles trouxeram salgadinhos refrigerantes e cervejas<\/p>\n<p>cantamos parab\u00e9ns e dan\u00e7amos dan\u00e7as tradicionais<\/p>\n<p>31\/07\/2013 (<span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">escrito em 1<\/span><sup style=\"line-height: 19px;\">o<\/sup><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\/07\/2013)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">dia 14<\/strong><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>o dia final<\/p>\n<p>o fechamento do c\u00edrculo<\/p>\n<p>a despedida de um momento<\/p>\n<p>o q fica?<\/p>\n<p>essa \u00e9 a pergunta angustiante q sempre me fa\u00e7o<\/p>\n<p>fui \u00fatil? deixo alguma coisa q vai ajudar esses atores a seguirem em frente?<\/p>\n<p>como v\u00e3o usar as ferramentas q usamos em seu trabalho<\/p>\n<p>depois<\/p>\n<p>?<\/p>\n<p>como ser\u00e3o seus processos depois deste?<\/p>\n<p>e os meus?<\/p>\n<p>estar no continente africano<\/p>\n<p>em um pa\u00eds insular como s\u00e3o tom\u00e9<\/p>\n<p>q muitos de n\u00f3s brasileiros desconhecemos por completo<\/p>\n<p>neste mito mama \u00e1frica e coordenar uma oficina de teatro para atores<\/p>\n<p>oficina de improvisa\u00e7\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o dramat\u00fargica<\/p>\n<p>mas principalmente<\/p>\n<p>oficina de repensamento de teatro<\/p>\n<p>\u00e9 alguma coisa q ainda n processei<\/p>\n<p>enfrentar os mitos sempre \u00e9 uma tarefa herc\u00falea<\/p>\n<p>um trabalho m\u00edtico tb<\/p>\n<p>da\u00ed chegar ao humano ao comum<\/p>\n<p>ao simples ao cotidiano \u00e9 duro<\/p>\n<p>uma meta da oficina era tb revelar os atores e seu potencial<\/p>\n<p>para barros poder escolher 2 q v\u00e3o integrar o elenco de<\/p>\n<p><em>as ora\u00e7\u00f5es de mansata<\/em><\/p>\n<p>&#8211; inspirada em macbeth &#8211;<\/p>\n<p>q vai montar em coimbra<\/p>\n<p>vim pra c\u00e1 c a id\u00e9ia de trabalhar algumas cenas da pe\u00e7a de shakespeare<\/p>\n<p>atrav\u00e9s dos ritmos nacionais<\/p>\n<p>falar c tambores<\/p>\n<p>como fizemos na universidade LIVRE de teatro vila velha<\/p>\n<p>em nosso experimento FRANKENSPEARE\/SHAKESTEIN<\/p>\n<p>mas percebi q ganharia mto mais trabalhando a partir<\/p>\n<p>da mem\u00f3ria do q fiz para construir o BANDO DE TEATRO OLODUM<\/p>\n<p>provocar os atores para usarem mem\u00f3ria e imagina\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>imagina\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria<\/p>\n<p>e irem descobrindo um m\u00e9todo pr\u00f3prio de trabalhar<\/p>\n<p>com a cria\u00e7\u00e3o de respira\u00e7\u00f5es e ritmos q montem<\/p>\n<p>um quebra cabe\u00e7as<\/p>\n<p>pe\u00e7a por pe\u00e7a at\u00e9 tornar vis\u00edveis os \u201cvizinhos\u201d<\/p>\n<p>n EU mas algu\u00e9m mto pr\u00f3ximo de quem conhe\u00e7o os h\u00e1bitos<\/p>\n<p>mas de quem guardo uma certa dist\u00e2ncia<\/p>\n<p>q me permite observar sem envolvimento<\/p>\n<p>s\u00f3 observar e representar<\/p>\n<p>n falei de \u201cvizinhos\u201d uma atriz<\/p>\n<p>\u2013 no exerc\u00edcio do caminhar montar e observar o outro \u2013<\/p>\n<p>\u00e9 q falou na avalia\u00e7\u00e3o \u201c\u00e9 como estar vendo meus vizinhos\u201d<\/p>\n<p>gostei do conceito<\/p>\n<p>constru\u00edmos vizinhos atrav\u00e9s dos quais podemos falar de nossa comunidade<\/p>\n<p>familiar territorial setorial social pol\u00edtica<\/p>\n<p>e esses vizinhos come\u00e7am a se relacionar<\/p>\n<p>s\u00e3o criados parentescos e a\u00e7\u00f5es surgem da\u00ed<\/p>\n<p>costura-se as a\u00e7\u00f5es c o fio de uma ideia<\/p>\n<p>surgida delas mesmas ou trazida de um desejo de falar sobre alguma coisa<\/p>\n<p>ou da necessidade de q alguma coisa espec\u00edfica seja falada<\/p>\n<p>hj aqui para podermos lidar c ela<\/p>\n<p>os personagens essas coisas q o ator maneja para falar<\/p>\n<p>como um m\u00fasico maneja seu instrumento<\/p>\n<p>s\u00e3o \u201cvizinhos\u201d<\/p>\n<p>foi bom ter mudado de rota e em vez de revisitar uma vez mais o velho bill<\/p>\n<p>tenha trabalhado c as ferramentas da improvisa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u00e9 o teatro q a maioria dos grupos aqui faz<\/p>\n<p>improvisado a partir de gui\u00f5es<\/p>\n<p>ent\u00e3o em 12 dias de trabalho foi mais efetivo<\/p>\n<p>exercitar o uso dessas ferramentas<\/p>\n<p>e as possibilidades q ela d\u00e1 de serem criadas dramaturgias<\/p>\n<p>na avalia\u00e7\u00e3o final foi importante ouvir q na oficina<\/p>\n<p>aprenderam q qdo se trata de teatro trata-se de muitas outras coisas<\/p>\n<p>foi o mais importante<\/p>\n<p>os agradecimentos as mudan\u00e7as radicais na vida de cada um<\/p>\n<p>os depoimentos sobre descobrimentos e epifanias<\/p>\n<p>s\u00e3o contaminados pela emo\u00e7\u00e3o da apresenta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>da adrenalina produzida pelo encontro c o p\u00fablico<\/p>\n<p>o fato de terem louvado minha paci\u00eancia<\/p>\n<p>\u00e9 uma ilus\u00e3o n sou paciente<\/p>\n<p>aguentei os atrasos e faltas de alguns para ter mais prazer<\/p>\n<p>no trabalho c o m\u00ednimo de tens\u00f5es<\/p>\n<p>al\u00e9m de saber q \u00e9 preciso negociar c a vida real compromissos e culturas<\/p>\n<p>e o fato de q eles viraram um grupo \u00fanico<\/p>\n<p>quebrando as barreiras entre os grupos aos quais pertencem<\/p>\n<p>e nos quais se isolam dos outros<\/p>\n<p>apesar de ser verdade temo ser uma verdade passageira<\/p>\n<p>tempor\u00e1ria<\/p>\n<p>q dura enqto dura a oficina<\/p>\n<p>\u00e9 bom mas vai se dissolver no cotidiano<\/p>\n<p>o desejo de constituir um f\u00f3rum ou associa\u00e7\u00e3o de teatro<\/p>\n<p>me anima<\/p>\n<p>\u00e9 um desejo e os desejos cobram realiza\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>pode ser<\/p>\n<p>ser\u00e1 dif\u00edcil<\/p>\n<p>como tudo nestas \u00e1fricas<\/p>\n<p>mas n imposs\u00edvel<\/p>\n<p>como qualquer coisa nestas \u00e1fricas<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">1<\/span><sup style=\"line-height: 19px;\">o<\/sup><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\/08\/2013 (<\/span><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">escrito em 3\/07\/2013)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>entre \u00a0e 31 de julho estive em s\u00e3o tom\u00e9 e pr\u00edncipe para dar uma oficina para atores no projeto P-STAGE &#8211; realiza\u00e7\u00e3o da CENALUS\u00d3FONA com a colabora\u00e7\u00e3o do TEATRO VILA VELHA entre outras institui\u00e7\u00f5es. dia 1 S\u00e3o Tom\u00e9 \u00e9 lindo pode-se ver nas fotos mas \u00e9 terr\u00edvel tb \u00e9 pobre<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1717,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,24],"tags":[330,28,336,72,22,35,333,73,334,335,20,18,109,329,472,332,19,331,13],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1716"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1716"}],"version-history":[{"count":7,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1716\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1725,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1716\/revisions\/1725"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1717"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}