{"id":1892,"date":"2014-02-12T23:19:26","date_gmt":"2014-02-13T02:19:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=1892"},"modified":"2014-02-12T23:19:26","modified_gmt":"2014-02-13T02:19:26","slug":"e-se-o-brasil-se-olhar-no-espelho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2014\/02\/e-se-o-brasil-se-olhar-no-espelho\/","title":{"rendered":"E SE O BRASIL SE OLHAR NO ESPELHO?&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<header>\n<h1>\n<figure><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/conversadebalcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Jessica-9-copy-copy-770x295.jpg\" alt=\"Cabar\u00e9 da Ra\u00e7a\" width=\"616\" height=\"236\" \/><\/figure>\n<header>\n<h1><em style=\"font-size: 13px; font-weight: normal; line-height: 19px;\">Por Mariana Kaoos*<\/em><\/h1>\n<\/header>\n<\/h1>\n<\/header>\n<div>\n<p>Noite branda de ver\u00e3o. 20 horas. Pessoas em fila. Teatro Vila Velha. Estreia do espet\u00e1culo \u201cCabar\u00e9 da Rrrrra\u00e7a\u201d, encenado pelo Bando Teatro Olodum e dire\u00e7\u00e3o de Marcio Meirelles. Primeiro apito. Abre-se a porta. Todos os presentes v\u00e3o entrando aos poucos, se acomodando, procurando o melhor lugar para assistir a pe\u00e7a de logo mais.<\/p>\n<p>O p\u00fablico \u00e9 composto em sua maioria por negros e negras, exibindo os mais diversos penteados, guias espirituais no pesco\u00e7o e sorrisos mil. Mas n\u00e3o s\u00f3, mesti\u00e7os, pessoas de pele branca tamb\u00e9m mostrando que naquele espa\u00e7o todos eram uma grande e bonita mistura. Ansiedade. As conversas entre grupos tomam todo o teatro, fazendo ecoar uma mistura de vozes. Tem-se a impress\u00e3o de se estar numa pra\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>Segundo apito. O p\u00fablico vai ficando mais calmo. O sil\u00eancio toma todo o espa\u00e7o minunciosamente. As luzes diminuem, preparando o ambiente, tornando-o aconchegante. Terceiro apito. Olhos vidrados, brilhantes, febris. De uma escada no canto esquerdo, desce um homem, negro, alto, com um microfone na m\u00e3o. A sua fala mescla indigna\u00e7\u00e3o e d\u00favida. Com sua voz forte e marcante, ele pergunta aos presentes: \u201cvoc\u00ea \u00e9 negro? E o que \u00e9 ser negro?\u201d. A partir da\u00ed, o espet\u00e1culo se inicia.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a teatral \u201cCabar\u00e9 da Rrrrra\u00e7a\u201d, que vai completar 17 anos em cartaz, reestreou ontem, 7, a sua nova temporada em Salvador, no Teatro Vila Velha. Tendo como tema central a quest\u00e3o do negro e suas implica\u00e7\u00f5es, ela faz um apanhado sobre a quest\u00e3o identit\u00e1ria e de reconhecimento, o racismo, a industrializa\u00e7\u00e3o e venda da cultura negra e at\u00e9 mesmo a escravid\u00e3o sutil e sociol\u00f3gica que ocorre no Brasil. A palavra ra\u00e7a vem escrita dessa forma por uma quest\u00e3o de afirma\u00e7\u00e3o e for\u00e7a, bem como com o intuito de expressar raiva. A ra\u00e7a se apresenta como um gru\u00eddo, um rosnado, mostrando a dualidade de tudo que envolve o negro.<\/p>\n<p>Mesmo com tanto tempo em cartaz, o espet\u00e1culo ainda se faz atual no conte\u00fado. Salvador \u00e9 a maior capital negra do pa\u00eds e, apesar de haver uma cultura de resist\u00eancia dessa popula\u00e7\u00e3o, exibindo suas ra\u00edzes em todos os cantos, a opress\u00e3o velada ainda impera atrav\u00e9s da m\u00eddia, da repres\u00e1lia policial, do preconceito de cor, classe social, da economia e da pol\u00edtica. No atual Brasil do s\u00e9culo XXI, tratar de um tema como esse pressup\u00f5e um estudo narrativo acerca dos mais de 500 anos de hist\u00f3ria brasileira.<\/p>\n<p>\u201cCabar\u00e9 da Rrrrra\u00e7a\u201d bebe da fonte do passado e debate muito bem a quest\u00e3o da aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, das oportunidades que os negros n\u00e3o tiveram naquela \u00e9poca e das poucas que existem nos dias de hoje. Dessa maneira, a pe\u00e7a se torna um espa\u00e7o art\u00edstico onde h\u00e1 dial\u00e9tica sobre o tema das opress\u00f5es, ou pelo menos, o retrato que se sup\u00f5e dele.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 preciso delicadeza e cuidado extremo ao abordar quest\u00f5es t\u00e3o profundas e complexas como o racismo. Compreender o negro e todos os seus percal\u00e7os \u00e9 fazer um apanhado sobre a sua condi\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do estere\u00f3tipo midi\u00e1tico. O espet\u00e1culo talvez peque por n\u00e3o adentrar no assunto da mulher negra e do machismo que impera ainda com mais vigor sobre elas. Na quest\u00e3o da homossexualidade, o personagem gay negro \u00e9 baseado no senso comum.<\/p>\n<p>De nome Edmilson\/Edileuza, ele se apresenta como extremamente afeminado e oferece ao p\u00fablico momentos de risos e divers\u00e3o, ao inv\u00e9s de consci\u00eancia e respeito. A abordagem e percep\u00e7\u00e3o dos outros personagens para com ele \u00e9 sempre de preconceito, asco, discrimina\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel observar falas como \u201csai de mim, seu viado\u201d ou \u201c\u00e9 preto e ainda viado\u201d ao decorrer da pe\u00e7a. Para uma parte da plateia isso soa contradit\u00f3rio. Se o \u201cCabar\u00e9 da Rrrrra\u00e7a\u201d se prop\u00f5e a dar uma clarivid\u00eancia a respeito da quest\u00e3o do racismo, como ele n\u00e3o se atenta e, de certa maneira, afirma outros tipos opress\u00e3o, exibindo-as a partir do senso social patriarcal e machista?<\/p>\n<div id=\"attachment_5725\"><a href=\"http:\/\/conversadebalcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Jessica-4-copy-copy.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/conversadebalcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Jessica-4-copy-copy.jpg\" alt=\"Fotos: J\u00e9ssica Lemos\" width=\"657\" height=\"495\" \/><\/a>Fotos: J\u00e9ssica Lemos<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>\u201cNegro \u00e9 lindo\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto todos os atores envolvidos s\u00e3o negros, o diretor do espet\u00e1culo, Marcio Meirelles, \u00e9 mesti\u00e7o, mais chegado branco. A co-diretora, Chica Carelli, tamb\u00e9m. Contudo, tanto Marcio quanto Chica, apesar de nunca terem sofrido esse tipo de opress\u00e3o racista, demonstraram ter grande sensibilidade, bem como coragem, para dirigir o espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a exibe de maneira clara a forma como a cultura dominante dos brancos sempre se apropriou das ra\u00edzes negras e as transformaram em produto cultural vend\u00e1vel. Noutros instantes, tamb\u00e9m discutiu-se a forma com que tra\u00e7os caracter\u00edsticos de negritude foram acobertados e apontados como vergonhosos.<\/p>\n<p>O ponto alto do Cabar\u00e9 \u00e9 a cr\u00edtica ferrenha \u00e0 ind\u00fastria dos cosm\u00e9ticos que exige socialmente que as mulheres tenham cabelos lisos, apelando para os alisamentos e criando com isso uma falsa aceita\u00e7\u00e3o social. Outro tema, o da religiosidade e a imposi\u00e7\u00e3o dela foi bem mastigado. Em certo momento da pe\u00e7a, uma personagem grita aos quatro ventos \u201cminha m\u00e3e n\u00e3o \u00e9 Nossa Senhora, \u00e9 Ians\u00e3\u201d, buscando ent\u00e3o um reconhecimento do que \u00e9 genuinamente seu e negando a soberania de outras religi\u00f5es acima da sua.<\/p>\n<p><strong>\u201cConstitui um monumento de beleza\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Na noite de estreia, \u201cCabar\u00e9 da Rrrrra\u00e7a\u201d contou com a participa\u00e7\u00e3o especial do Il\u00ea Ay\u00ea, grupo soteropolitano formado unicamente por negros, que busca um regaste \u00e0s suas ra\u00edzes. Marcio Meirelles, ao final da pe\u00e7a, fez um agradecimento especial ao grupo. \u201cEm novembro de 2013 o Il\u00ea completou 40 anos de hist\u00f3ria. Esse espet\u00e1culo \u00e9 inteiramente dedicado a voc\u00eas, que s\u00e3o o maior s\u00edmbolo de luta, resist\u00eancia, f\u00e9 e beleza. Eu tenho muito orgulho em poder ter acompanhado a trajet\u00f3ria do Il\u00ea ao longo de todos esses anos. Muito obrigado\u201d.<\/p>\n<p>O \u201cCabar\u00e9 da Rrrrra\u00e7a\u201d se apresentar\u00e1 nos dias 8 e 9, 15 e 16, 22 e 23 (s\u00e1bado: 20 horas, domingo: 19 horas), no Teatro Villa Velha.<\/p>\n<p>Confira abaixo a entrevista com o diretor Marcio Meirelles:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/conversadebalcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/M%C3%A1rcio-Meirelles-por-Jo%C3%A3o-Meirelles.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/conversadebalcao.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/M%C3%A1rcio-Meirelles-por-Jo%C3%A3o-Meirelles.jpg\" alt=\"M\u00e1rcio Meirelles - por Jo\u00e3o Meirelles\" width=\"584\" height=\"584\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Conversa de Balc\u00e3o \u2013\u00a0<\/strong>Esse espet\u00e1culo est\u00e1 h\u00e1 quase 17 anos em cartaz, como voc\u00eas se renovam ao longo de todos esses anos e o que tem de novo nessa temporada?<\/p>\n<p><strong>Marcio Meirelles \u2013\u00a0<\/strong>N\u00f3s estamos todo esse tempo em cartaz porque infelizmente a realidade n\u00e3o mudou muito. Na pe\u00e7a, n\u00f3s fizemos poucas altera\u00e7\u00f5es. O texto que mais mudamos \u00e9 o da m\u00eddia, a rela\u00e7\u00e3o dela com o negro. Uma vez que foi descoberto milagrosamente que o negro \u00e9 consumidor, a m\u00eddia come\u00e7ou a investir tamb\u00e9m no negro. A televis\u00e3o, a teledramaturgia. Ent\u00e3o, essa parte foi a que mais mudou. Ent\u00e3o esse espet\u00e1culo continua atual. A gente espera que ele fique obsoleto algum dia, de n\u00e3o se ter mais sentido um espet\u00e1culo negro. Por\u00e9m, ainda \u00e9 necess\u00e1rio abordar esse tema.<\/p>\n<p><strong>CB \u2013\u00a0<\/strong>Salvador \u00e9 a maior capital negra do pa\u00eds. Voc\u00ea acredita haver um orgulho ou o preconceito ainda impera?<\/p>\n<p><strong>MM &#8211;<\/strong>\u00a0\u00c9 algo muito complexo, uma coisa muito contradit\u00f3ria tamb\u00e9m. Ao mesmo tempo que o negro \u00e9 a nossa identidade, o que vende, o cart\u00e3o postal, essa cultura n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o valorizada quanto o produto que eles realmente s\u00e3o. Ent\u00e3o \u00e9 isso que o espet\u00e1culo aborda, o negro como um produto que vende e \u00e9 o consumidor que consome. A rela\u00e7\u00e3o Bahia\/Brasil com o negro passa por toda essa contradi\u00e7\u00e3o. Milton Santos falava que quando o Brasil resolver o que quer com os negros, ser\u00e1 um pa\u00eds incr\u00edvel. Acho que falta isso mesmo, saber o que queremos e esperamos de nossos negros.<\/p>\n<p><strong>CB \u2013\u00a0<\/strong>Voc\u00ea est\u00e1 a frente de um projeto chamado \u201cp\u00f3s pago\u201d. O que \u00e9 esse projeto e como ele funciona?<\/p>\n<p><strong>MM &#8211;<\/strong>\u00a0N\u00f3s, artistas, estamos vivendo essa pervers\u00e3o com esses projetos de editais e patroc\u00ednios que exigem que o teatro seja de gra\u00e7a. Ningu\u00e9m exige que o cinema seja de gra\u00e7a, que a tv por assinatura seja de gra\u00e7a, que o futebol seja de gra\u00e7a. O teatro tem que ser de gra\u00e7a por qu\u00ea? Isso tem feito com que um p\u00fablico pagante vicie a vir de gra\u00e7a e n\u00e3o queira pagar. Ent\u00e3o estamos fazendo uma campanha sistem\u00e1tica para conscientizar o p\u00fablico de que \u00e9 importante pagar, n\u00e3o \u00e9 bom vir de gra\u00e7a porque dessa forma eles acabar\u00e3o vendo s\u00f3 o que os outros querem que eles vejam. Se o p\u00fablico n\u00e3o compra p\u00e3o, um dia se para de fabricar o p\u00e3o. O povo deve cobrar do Estado, j\u00e1 que este subsidia transporte, agricultura, ind\u00fastria, no entanto n\u00f3s pagamos, existe dinheiro de nossos impostos ali. Ent\u00e3o por que o teatro tem que ser de gra\u00e7a? \u00c9 fundamental esse tipo de campanha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*publicado originalmene no site Conversa de Balc\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>fotos do espet\u00e1culo: J\u00e9ssica Lemos.<\/p>\n<div id=\"gallery-1\">\n<dl>\n<dt><\/dt>\n<\/dl>\n<dl>\n<dt><\/dt>\n<\/dl>\n<dl>\n<dt><\/dt>\n<\/dl>\n<dl>\n<dt><\/dt>\n<\/dl>\n<dl>\n<dt><\/dt>\n<\/dl>\n<dl>\n<dt><\/dt>\n<\/dl>\n<dl>\n<dt><\/dt>\n<\/dl>\n<dl>\n<dt><\/dt>\n<\/dl>\n<dl>\n<dt><\/dt>\n<\/dl>\n<dl>\n<dt><\/dt>\n<\/dl>\n<dl>\n<dt><\/dt>\n<\/dl>\n<dl>\n<dt><\/dt>\n<\/dl>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por Mariana Kaoos* Noite branda de ver\u00e3o. 20 horas. Pessoas em fila. Teatro Vila Velha. Estreia do espet\u00e1culo \u201cCabar\u00e9 da Rrrrra\u00e7a\u201d, encenado pelo Bando Teatro Olodum e dire\u00e7\u00e3o de Marcio Meirelles. Primeiro apito. Abre-se a porta. 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