{"id":2405,"date":"2015-01-22T01:32:58","date_gmt":"2015-01-22T04:32:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=2405"},"modified":"2015-01-22T02:04:03","modified_gmt":"2015-01-22T05:04:03","slug":"o-q-e-um-shakespeare-para-q-se-possa-fazer-um","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2015\/01\/o-q-e-um-shakespeare-para-q-se-possa-fazer-um\/","title":{"rendered":"O Q \u00c9 UM SHAKESPEARE PARA Q SE POSSA FAZER UM"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_2408\" style=\"width: 586px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_5303.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2408\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2408 \" title=\"jean pedro (hor\u00e1cio) e vinicius bustani (hamlet) . foto: marcio meirelles\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_5303.jpg\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"384\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_5303.jpg 640w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_5303-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2408\" class=\"wp-caption-text\">jean pedro (hor\u00e1cio) e vinicius bustani (hamlet) . foto: marcio meirelles<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>texto do programa da \u00a0M\u00c1QUINA SHAKESPEARE = HAMLET +HAMLETMACHINE . MACBETH<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>pe\u00e7as estreadas no teatro vila velha em janeiro de 2015<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Q \u00c9 UM SHAKESPEARE PARA Q SE POSSA FAZER UM<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>n \u00e9 dif\u00edcil fazer shakespeare \u00e9 s\u00f3 fazer shakespeare<\/p>\n<p>isso parece apenas uma boa frase e \u00e9<\/p>\n<p>uma verdade<\/p>\n<p>o q n quer dizer q n seja trabalhoso<\/p>\n<p>afinal o q \u00e9 um shakespeare para q se possa fazer um<\/p>\n<p>\u00e9 pol\u00edtica poesia a\u00e7\u00e3o aventura sexo filosofia reflex\u00e3o debate prazer<\/p>\n<p>\u00e9 basicamente teatro o melhor teatro<\/p>\n<p>a \u00fanica maneira de se fazer cada uma de suas pe\u00e7as<\/p>\n<p>se descobre em cada uma delas<\/p>\n<p>nos versos na prosa no ritmo nas imagens na escolha do pulso certo para dizer qualquer fala<\/p>\n<p>na m\u00fasica no movimento provocado pelo deslocamento do ar qdo cada palavra \u00e9 dita<\/p>\n<p>est\u00e1 na escolha do conjunto de met\u00e1foras e imagens q ele fez<\/p>\n<p>p criar o efeito de difus\u00e3o espec\u00edfico de cada uma<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>e essa difus\u00e3o \u00e9 a chave<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>portanto \u00e9 fazer escolhas q portas abrir qdo aparentemente h\u00e1 tantas<\/p>\n<p>quais deixar abertas s\u00f3 para se olhar e perceber a dimens\u00e3o do edif\u00edcio<\/p>\n<p>em quais entrar quais manter fechadas quais entreabrir para dar a sensa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>de q se pode escolher outras sa\u00eddas<\/p>\n<p>como conduzir o espectador pelo labirinto de frases<\/p>\n<p>q nos levam dificilmente em linha reta para o cerne da ideia<\/p>\n<p>para isso \u00e9 preciso ter em conta q n existem personagens<\/p>\n<p>mas pensamentos em a\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>q todos aqueles seres<\/p>\n<p>&#8211; do q conduz a trama q nem sempre \u00e9 o personagem t\u00edtulo ao mais pequeno q surge apenas em uma cena e nunca mais na pe\u00e7a e para sempre na mem\u00f3ria &#8211;<\/p>\n<p>s\u00e3o necess\u00e1rios e t\u00eam sua grandeza<\/p>\n<p>como cada ser humano q encontramos na fila do banco e nunca mais<\/p>\n<p>em seu grupo ele tinha 16 atores ent\u00e3o pq compunha para tantas vozes<\/p>\n<p>se elas n fossem absolutamente necess\u00e1rias<\/p>\n<p>descobrir a necessidade de cada um desses pensamentos q agem<\/p>\n<p>num jogo montado pelo autor \u00e9 o caminho<\/p>\n<p>em suas tramas ele \u2013 o autor \u2013 age atrav\u00e9s dos movimentos e estrat\u00e9gias<\/p>\n<p>de cada voz q ele cria e lan\u00e7a m\u00e3o de todos os recursos \u00e0 m\u00e3o<\/p>\n<p>para fazer um discurso q nos fale de n\u00f3s<\/p>\n<p>num aparente paradoxo quem existe \u00e9 o autor agindo atrav\u00e9s de cada personagem<\/p>\n<p>\u00e9 preciso ent\u00e3o q se descubra o q quer o autor<\/p>\n<p>o q quis<\/p>\n<p>o q disse a seus contempor\u00e2neos q de t\u00e3o claro e bem dito chegou at\u00e9 n\u00f3s<\/p>\n<p>e continua a dizer<\/p>\n<p>o paradoxo \u00e9 q se trata de um autor de quem n se sabe nada com certeza<\/p>\n<p>apenas existem seis assinaturas em documentos burocr\u00e1ticos<\/p>\n<p>nenhum verso manuscrito<\/p>\n<p>exceto as p\u00e1ginas do texto colaborativo sobre thomas more q talvez pela coincid\u00eancia da caligrafia do manuscrito e a das assinaturas sejam essas p\u00e1ginas do texto do mesmo shakespeare q assinou os documentos e q talvez seja o shakespeare q escreveu as pe\u00e7as publicadas em seu nome pq guardam mtas semelhan\u00e7as de estilo e forma c as cenas do manuscrito<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>esse shakespeare inventou a humanidade<\/p>\n<p>ou a retratou melhor do q ningu\u00e9m em sua totalidade<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00e9 o cara q inventou mais de 800 palavras de uma l\u00edngua inglesa q estava sendo constru\u00edda e consolidada que criou frases q repetimos mais de 400 anos depois sem saber da onde vem \u2013 apenas de hamlet temos SER OU N SER EIS A QUEST\u00c3O . EXISTEM MAIS MIST\u00c9RIOS ENTRE O C\u00c9U E A TERRA DO Q SONHA NOSSA FILOSOFIA . FRAGILIDADE SEU NOME \u00c9 MULHER . H\u00c1 ALGO DE PODRE NO REINO DA DINAMARCA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>para se pensar numa biografia para este nome<\/p>\n<p>\u00e9 preciso recorrer \u00e0 biografia de todo seu mundo contempor\u00e2neo<\/p>\n<p>e intuir a partir da\u00ed a sua hist\u00f3ria<\/p>\n<p>\u00e9 uma hist\u00f3ria coletiva<\/p>\n<p>se os poetas e dramaturgos de sua \u00e9poca viviam assim e faziam isso ent\u00e3o provavelmente se os habitantes de stratford upon avon nascidos mais ou menos na data em q est\u00e1 registrado o seu nascimento tinham tais h\u00e1bitos e viveram tais fatos ent\u00e3o pode ser q se os cidad\u00e3os de londres entre os s\u00e9culos xvi e xvii sofriam e gozavam de tais vicissitudes limites press\u00f5es prazeres recursos ent\u00e3o<\/p>\n<p>SE TODOS ENT\u00c3O ou SE ACONTECEU ENT\u00c3O \u00e9 a biografia deste autor<\/p>\n<p>umas poucas certezas se tem sobre ele<\/p>\n<p>uma delas \u00e9 q algu\u00e9m escreveu um conjunto de obras magn\u00edficas<\/p>\n<p>c estilo coincid\u00eancias di\u00e1logos intertextuais estruturas inconfund\u00edveis<\/p>\n<p>e apesar de dar mto trabalho \u00e9 mto f\u00e1cil fazer um shakespeare<\/p>\n<p>\u00e9 s\u00f3 fazer shakespeare sem querer fazer outra coisa al\u00e9m de shakespeare<\/p>\n<div id=\"attachment_2409\" style=\"width: 586px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_5694.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2409\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2409 \" title=\"chegada da floresta de birman . MACBETH . foto: marcio meirelles\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_5694.jpg\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"384\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_5694.jpg 640w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_5694-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2409\" class=\"wp-caption-text\">chegada da floresta de birman . MACBETH . foto: marcio meirelles<\/p><\/div>\n<p><strong>ESCOLHAS DECIS\u00d5ES CAMINHOS<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>a principal escolha para uma encena\u00e7\u00e3o de suas pe\u00e7as em outra l\u00edngua \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>que tradu\u00e7\u00e3o escolher<\/p>\n<p>seguramente a q mais aproxime seu estilo pulso jogo da nova l\u00edngua q o lambe<\/p>\n<p>isso \u00e9 fundamental<\/p>\n<p>todas as suas pe\u00e7as t\u00eam em portugu\u00eas pelo menos umas quatro tradu\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>de quatro conjuntos de obras completas traduzidas<\/p>\n<p>depois \u00e9 escolher o ator ou atriz q tenham em si determinados personagens \u2013 os pensamentos em a\u00e7\u00e3o \u2013 q d\u00e3o o tom da obra que conduzem o discurso<\/p>\n<p>e compor ao redor deles c os outros atores-atrizes\/vozes<\/p>\n<p>a polifonia q vai agarrar a consci\u00eancia do rei<\/p>\n<p>q p isso \u00e9 feito teatro<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>fazer shakespeare era a miss\u00e3o do segundo arco\/ano<\/p>\n<p>do programa de forma\u00e7\u00e3o universidade LIVRE de teatro vila velha<\/p>\n<p>no primeiro arco\/ano foi traduzir FRANKENSTEIN do romance de mary shelley para a cena<\/p>\n<p>fazer uma tradu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>foi o q fizemos<\/p>\n<p>e ao longo desses dois anos montamos dez pe\u00e7as<\/p>\n<p>e apresentamos 13 experimentos = mostras\/debates p\u00fablicos de processos e reflex\u00f5es sobre teatro e cena e caminhos<\/p>\n<p>e o bardo nos acompanha desde o segundo m\u00eas de trabalho<\/p>\n<p>c incurs\u00f5es pelo ritmo fala po\u00e9tica estrutura<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>finalmente a decis\u00e3o de montar como parte do processo programa trabalho<\/p>\n<p>MACBETH e HAMLET<\/p>\n<p>logo duas das pe\u00e7as ic\u00f4nicas os monumentos sobre os quais h\u00e1 bibliotecas inteiras e nem toda uma vida daria para ler e ver e ouvir tudo produzido em textos imagens e sons sobre cada uma delas<\/p>\n<p>mas escolhemos as duas<\/p>\n<p>nos interessa o limite o quase imposs\u00edvel o extenuante o urgente<\/p>\n<p>nos interessa o abismo o salto inomin\u00e1vel o eterno o exorbitante<\/p>\n<p>nos interessa a humanidade e a pol\u00edtica e a poesia e o ser humano e o mito<\/p>\n<p>e fomos<\/p>\n<p>kamikazes<\/p>\n<p>num voo de olhos sentidos raz\u00e3o emo\u00e7\u00e3o bem abertos escancarados<\/p>\n<p>ao encontro dos dois<\/p>\n<p>os dois falam de golpes de estados geradores de trag\u00e9dias<\/p>\n<p>nos dois o sobrenatural se interp\u00f5e<\/p>\n<p>nos dois h\u00e1 uma mulher q \u00e9 sacrificada<\/p>\n<p>nos dois h\u00e1 um caminho sem volta para o fim<\/p>\n<p>nos dois como em toda a obra do bardo h\u00e1 uma ordem q foi rompida<\/p>\n<p>e uma nova ordem q precisa ser instaurada<\/p>\n<p>na primeira cena de MACBETH aparecem as irm\u00e3s do destino e n dizem pq<\/p>\n<p>na de HAMLET o fantasma do pai<\/p>\n<p>depois tanto umas qto outro voltam e desencadeiam as pe\u00e7as<\/p>\n<p>na segunda cena de MACBETH sabemos a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da esc\u00f3cia q vai sediar a trag\u00e9dia<\/p>\n<p>em HAMLET da dinamarca<\/p>\n<p>hamlet nos diz ser ou n ser onde reflete como a consci\u00eancia das consequ\u00eancias de um ato nos paralisa macbeth nos diz ficasse feito o feito onde pondera sobre o mesmo assunto<\/p>\n<p>qdo macbeth desiste momentaneamente do plano lady macbeth n o reconhece<\/p>\n<p>qdo hamlet p\u00f5e em a\u00e7\u00e3o o seu plano of\u00e9lia n o reconhece<\/p>\n<p>of\u00e9lia enlouquece e se afoga lady macbeth enlouquece e morre lavando as m\u00e3os<\/p>\n<p>e por a\u00ed vamos<\/p>\n<p>toda a obra de shakespeare \u00e9 carregada de cita\u00e7\u00f5es e coincid\u00eancias<\/p>\n<p>personagens q aparecem ou s\u00e3o citados em mais de uma pe\u00e7a<\/p>\n<p>a\u00e7\u00f5es e frases e imagens q se repetem ou assemelham ou s\u00e3o varia\u00e7\u00f5es de um mesmo tema<\/p>\n<p>assim as duas montagens<\/p>\n<p>entre as quais formando uma trilogia inseriu-se JANGO \u2013 UMA TRAGEDYA \u00fanica pe\u00e7a escrita por glauber rocha montada para comemorar os 50 anos do teatro vila velha tamb\u00e9m uma trag\u00e9dia gerada por um golpe de estado glaubershakespeareanamente constru\u00edda<\/p>\n<p>s\u00e3o parte de uma obra em rede q est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>temos exercitado a ressignifica\u00e7\u00e3o dos elementos de nossa obra constantemente e em MACBETH\/HAMLET+HAMLETMACHINE = A MAQUINA SHAKESPEARE isso tem sido uma t\u00f4nica incluindo a defini\u00e7\u00e3o de elenco<\/p>\n<p>yan brito o jango \u201cdestronado\u201d \u00e9 duncan e o fantasma do rei Hamlet<\/p>\n<p>vinicius bustani faz hamlet e malcolm dois filhos de reis assassinados c os tronos usurpados e tb foi j\u00falio souza \u201c\u00f3rf\u00e3o\u201d de jango frustrado pela impossibilidade de constru\u00e7\u00e3o de uma nova ordem<\/p>\n<p>tiago querino faz macbeth q toma o poder atrav\u00e9s da for\u00e7a e fortembrasse q toma o poder da dinamarca depois da trag\u00e9dia e foi brizola q incitava jango \u00e0 luta armada<\/p>\n<p>s\u00f3 para falar nos atores dos pap\u00e9is t\u00edtulo<\/p>\n<p>as m\u00fasicas de POR QUE H\u00c9CUBA JANGO FRANKENSTEIN foram tb colocadas em cenas das duas pe\u00e7as q tinham a mesma necessidade sonora para existirem plenas<\/p>\n<p>fragmentos de POR QUE H\u00c9CUBA s\u00e3o usados em hamlet na cena em q os atores recitam trechos da guerra de troia<\/p>\n<p>o carrinho de supermercado cheio de aparelhos telef\u00f4nicos de ESPELHO PARA CEGOS reaparece em HAMLET M\u00c1QUINA depois de j\u00e1 ter aparecido em JANGO c a mesma fun\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>parte do figurino de uma pe\u00e7a aparece na outra como j\u00e1 apareceram em H\u00c9CUBA FRANKENSTEIN TROILUS E CR\u00c9SSIDA<\/p>\n<p>o modelo das saias foi criado em 1990 para um espet\u00e1culo de dan\u00e7a sobre a guerra de troia e continuam a falar sobre as guerras contempor\u00e2neas at\u00e9 hj com seu movimento e panejamento em diferentes texturas e cores e tecidos<\/p>\n<p>e outras pe\u00e7as de roupa ou conceitos de figurino v\u00e3o nos lembrando de suas hist\u00f3rias em cena<\/p>\n<p>estamos num teatro q pode mudar de configura\u00e7\u00e3o para cada espet\u00e1culo e exercitamos c isso a dramaturgia do espa\u00e7o desde muito tempo mas principalmente e mais recentemente a partir dos experimentos da LIVRE<\/p>\n<p>a cada encontro c o p\u00fablico propomos uma rela\u00e7\u00e3o f\u00edsica espec\u00edfica e pr\u00f3pria<\/p>\n<p>para cada encontro refazemos o espa\u00e7o do vila p instalar desde o momento da entrada j\u00e1 c o elenco em cena a a\u00e7\u00e3o q vai se desenrolar em torno do espectador<\/p>\n<p>estamos em torno do espectador n apenas em frente a ele estamos por todos os lados como no mundo ou ele est\u00e1 em volta da cena como na vida estamos sempre n frontalmente estabelecendo uma rela\u00e7\u00e3o dual mas simultaneamente atuando em todo o espa\u00e7o ao mesmo tempo<\/p>\n<p>as imagens dos mortos dos massacres da guerra cotidiana s\u00e3o as mesmas de v\u00e1rias pe\u00e7as e dos notici\u00e1rios sangrentos de todos os dias na tv q no teatro acompanhando cenas fict\u00edcias similares redimensionam nossa passividade diante das trag\u00e9dias<\/p>\n<p>o piso \u00e9 da MULHER COMO CAMPO DE BATALHA<\/p>\n<p>as cortinas em tiras nos acompanham desde a re-inaugura\u00e7\u00e3o do vila c DOM QUIXOTE<\/p>\n<p>os bancos v\u00eam do bando de teatro olodum e s\u00e3o do bando desde a primeira pe\u00e7a q criei para eles ESSA \u00c9 NOSSA PRAIA e foram incorporadas ao novo projeto pol\u00edtico do vila sem deixar de pertencer ao bando<\/p>\n<p>as alfaias e tambores africanos e brasileiros acompanham todas as montagens de trag\u00e9dias colocando o pulso e o ritmo necess\u00e1rios ao desenrolar da trama<\/p>\n<p>assim cenas antigas se superp\u00f5em \u00e0 q est\u00e1 ante n\u00f3s criando texturas de mem\u00f3ria para quem j\u00e1 viu outros espet\u00e1culos nossos e criando nova e indefin\u00edvel densidade ao olhar estreante em nossa obra<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_2410\" style=\"width: 586px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_4683.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2410\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2410 \" title=\"ser ou n\u00e3o ser eis a\u00ed o ponto . vinicius bustani (hamlet) . foto: marcio meirelles\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_4683.jpg\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"384\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_4683.jpg 640w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_4683-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2410\" class=\"wp-caption-text\">ser ou n\u00e3o ser eis a\u00ed o ponto . vinicius bustani (hamlet) . foto: marcio meirelles<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>HAMLET<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>hamlet tem 2 edi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas de shakespeare \u2013 o 1<sup>o<\/sup> e o 2<sup>o<\/sup> quarto \u2013 e a do famoso f\u00f3lio c as obras completas publicado poucos anos depois de sua morte<\/p>\n<p>o 1<sup>o<\/sup> quarto q veio a p\u00fablico pouco depois da data suposta de sua estreia \u2013 atestado de popularidade da pe\u00e7a qdo lan\u00e7ada \u2013 durante muito tempo foi considerado esp\u00fario fruto de pirataria de algum ator q aprendendo todo o texto da pe\u00e7a de cor o recitou p algum editor em troca de algumas moedas faturando assim com o sucesso dos outros o q teria resultado num texto incompleto truncado c nomes de personagens trocados \u2013 corambis em vez de pol\u00f4nio gertred em vez de gertrude etc \u2013 cenas fora do lugar supress\u00e3o de algum solil\u00f3quio ou fala importante considerando o f\u00f3lio como o c\u00e2none os textos originais<\/p>\n<p>ora ent\u00e3o pq o 2<sup>o<\/sup> quarto \u00e9 t\u00e3o extenso e tb diferente com mais material do que o f\u00f3lio com tempo de encena\u00e7\u00e3o se montado sem cortes de mais ou menos 6 horas qdo todas as pe\u00e7as de shakespeare duram em torno de 2 horas e meia<\/p>\n<p>e pq os editores n consideram o f\u00f3lio t\u00e3o original assim q encaixam aqui e ali trechos do 2<sup>o<\/sup> quarto pq sentem falta de algumas \u201cexplica\u00e7\u00f5es\u201d o q torna hamlet uma das pe\u00e7as mais longas de shakespeare e q raramente n sofre cortes em suas encena\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>atualmente muitos estudiosos consideram a seguinte hip\u00f3tese \u2013 o autor teria escrito realmente o texto do 2<sup>o<\/sup> quarto e levado para a sua companhia e lido c os atores q num processo colaborativo como se pratica at\u00e9 hoje sugeriram cortes e altera\u00e7\u00f5es q resultaram na \u201cvers\u00e3o de palco\u201d da obra<\/p>\n<p>o sucesso levou \u00e0 sua publica\u00e7\u00e3o e a subsequente lan\u00e7amento da \u201cvers\u00e3o do autor\u201d o 2<sup>o<\/sup> quarto c o texto na \u00edntegra<\/p>\n<p>depois de algum tempo talvez j\u00e1 em stratford preparando a edi\u00e7\u00e3o de suas obras completas o bardo retrabalhou a pe\u00e7a levando em conta os 2 textos publicados o q seria talvez sua \u201cvers\u00e3o definitiva\u201d<\/p>\n<p>levando esta hip\u00f3tese em considera\u00e7\u00e3o o \u00fanico texto q n pode ter sido escrito por shakespeare \u00e1 a vers\u00e3o q conhecemos<\/p>\n<p>esta \u00e9 uma vers\u00e3o de editores<\/p>\n<p>a escolha por montar o 1<sup>o<\/sup> quarto \u00e9 pelo gosto de acreditar na hip\u00f3tese de q ele \u00e9 a vers\u00e3o de palco da pe\u00e7a como foi montada pela trupe do bardo em seu teatro<\/p>\n<p>\u00e9 mais \u00e1gil teatral mais perto do jogo de suas outras pe\u00e7as deixa mais lacunas em aberto mais brechas para nossa imagina\u00e7\u00e3o talvez menos material para reflex\u00f5es mas o suficiente para manter ou at\u00e9 potencializar o impacto de seu discurso<\/p>\n<p>jos\u00e9 roberto o\u2019shea nos presenteia c uma excelente tradu\u00e7\u00e3o do 1<sup>o<\/sup> quarto num livro chamado O PRIMEIRO HAMLET publicado pela hedra nos falamos e ele autorizou a montagem<\/p>\n<p>no caminho a ideia de fazer uma montagem simult\u00e2nea de A M\u00c1QUINA HAMLET de heiner muller e a descoberta de q ele introduziu seu texto como a pe\u00e7a dentro da pe\u00e7a em sua montagem<\/p>\n<p>e o vontade de testar tb isso como talvez uma nova leitura do assassinato do rei ou seja da destrui\u00e7\u00e3o de uma antiga ordem<\/p>\n<p>e o fizemos<\/p>\n<p>e j\u00e1 q alteramos e interferimos e sampleamos alternativas novas como o pr\u00f3prio shakespeare talvez o tenha feito e com certeza o fez pelo menos usando can\u00e7\u00f5es conhecidas e alterando-as p encaixa-las em suas tramas e discursos pedimos tb autoriza\u00e7\u00e3o a mat\u00e9i visniec para samplear fragmentos de POR QUE H\u00c9CUBA e trocar as cita\u00e7\u00f5es de falas sobre a guerra de troia feitas por hamlet e os atores e q o levam ao solil\u00f3quio quem \u00e9 h\u00e9cuba para esse ator ou ele para h\u00e9cuba onde se maldiz por ainda vacilar em executar a vingan\u00e7a demandada pelo fantasma do pai e tem a certeza de q \u00e9 com o teatro q agarra a consci\u00eancia do rei<\/p>\n<p>e com certeza uma pe\u00e7a de mat\u00e9i desperta muitas consci\u00eancias<\/p>\n<p>ent\u00e3o numa interfer\u00eancia autorreferente colocamos imagens e reencena\u00e7\u00f5es de fragmentos de nossas pr\u00f3prias montagens<\/p>\n<p>assim como recorremos \u00e0s imagens de nossa montagem de JANGO para nos lembrar do golpe de 64 qdo o fantasma do rei pede vingan\u00e7a<\/p>\n<p>ainda n resolvemos no brasil o golpe de 64 e a ditadura decorrente dele e como hamlet assistimos impass\u00edveis as tentativas de sua reencena\u00e7\u00e3o c pedidos de impeachment para a presidente rec\u00e9m eleita democraticamente dentro do sistema eleitoral q vivemos devido \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o de alguns pelos mesmos programas e tend\u00eancias tentados por get\u00falio e jango para tornar a distribui\u00e7\u00e3o de renda mais justa e diminuir a mis\u00e9ria e a pobreza ainda q com a mesma falha o n enfrentamento direto ao drag\u00e3o da maldade \u2013 o pr\u00f3prio sistema pol\u00edtico econ\u00f4mico do brasil e a mesma oligarquia q o controla \u2013 enfrentamento trocado por mtas concess\u00f5es e negocia\u00e7\u00f5es c ele<\/p>\n<p>escolhemos tratar hamlet entre as muitas possibilidades como o discurso de uma gera\u00e7\u00e3o entre duas ordens uma q findou e q n deve ser restaurada pq se degenerou e n \u00e9 mais \u00fatil e uma nova ordem q ainda n se constituiu a gera\u00e7\u00e3o de hamlet laertes of\u00e9lia hor\u00e1cio \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o do movimento passe livre \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o q sente algo de podre no reino da dinamarca mas n tem um modelo constru\u00eddo para implantar \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o de uma revolta difusa muiltifocal sist\u00eamica contra um sistema q n aponta sa\u00eddas para impasses vitais como o meio ambiente e sua sustentabilidade por exemplo a conviv\u00eancia poss\u00edvel nas grandes cidades a distribui\u00e7\u00e3o de renda e capacidade de sobreviver ao caos urbano ou ao isolamento rural onde a terra n \u00e9 de todos<\/p>\n<p>fortembrasse n \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a consequ\u00eancia da viol\u00eancia \u00e9 o retorno brutal \u00e0 barb\u00e1rie talvez depois da destrui\u00e7\u00e3o de toda uma gera\u00e7\u00e3o menos um sobrevivente hor\u00e1cio q por pedido de hamlet sobrevive como mem\u00f3ria de um esc\u00e2ndalo testemunha de um tempo q n deve se repetir nem como trag\u00e9dia nem como farsa<\/p>\n<p>pq hamlet sabe q o resto n\u00e3o pode ser o sil\u00eancio<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_2411\" style=\"width: 586px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_5573.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2411\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2411 \" title=\"IMG_5573\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_5573.jpg\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"384\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_5573.jpg 640w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_5573-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2411\" class=\"wp-caption-text\">amanda brito (lady macbeth) . foto: marcio meirelles<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MACBETH<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ao contr\u00e1rio de hamlet macbeth s\u00f3 tem uma publica\u00e7\u00e3o de sua \u00e9poca a do f\u00f3lio lan\u00e7ada depois da morte do autor<\/p>\n<p>h\u00e1 muitas d\u00favidas sobre o q foi escrito por\u00a0 shakespeare e o q est\u00e1 ali como uma interpola\u00e7\u00e3o para a encena\u00e7\u00e3o ou seja temos a\u00ed uma \u201cvers\u00e3o de palco\u201d provavelmente o texto publicado no f\u00f3lio \u00e9 o q foi encenado<\/p>\n<p>h\u00e1 algumas decis\u00f5es a serem tomadas a primeira a tradu\u00e7\u00e3o pq tb ao contr\u00e1rio do 1<sup>o<\/sup> quarto existem muitas em portugu\u00eas<\/p>\n<p>escolhemos a de b\u00e1rbara heliodora pq aos nossos ouvidos \u00e9 a q mais se aproxima do pulso original mantendo coer\u00eancia fidelidade fluidez<\/p>\n<p>tb ao contr\u00e1rio de hamlet as interfer\u00eancias feitas no texto para nossa encena\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito poucas<\/p>\n<p>em troca dos personagens convidadas pelo porteiro a entrar no castelo na noite em q o rei \u00e9 morto \u2013 levando em conta q os originais eram refer\u00eancias a personagens e acontecimentos reais e q precisariam de notas de rodap\u00e9 para serem entendidas hj \u2013 colocamos referencias a personagens contempor\u00e2neos passiveis de serem identificadas pelo p\u00fablico atual sem alterar a estrutura original das falas do porteiro<\/p>\n<p>pequenos cortes e alguma edi\u00e7\u00e3o aqui e ali para fluir a encena\u00e7\u00e3o constru\u00edda e n mais<\/p>\n<p>nenhuma interven\u00e7\u00e3o nenhum outro texto agregado<\/p>\n<p>o grande trabalho foi lutar contra as conven\u00e7\u00f5es criadas ao longo dos tempos nas encena\u00e7\u00f5es e montagens q nos mostra uma lady macbeth vil\u00e3 como na tradi\u00e7\u00e3o judaico crist\u00e3 \u00e9 apresentada a mulher e um macbeth sem afeto q mata pq n ama ao contrario e um macbeth mata mesmo amando pq \u00e9 inevit\u00e1vel a morte para q o destino se cumpra e n importa o afeto q tenha por duncan ou banquo importa q h\u00e1 um destino a cumprir e a consci\u00eancia de q todos os feitos t\u00eam consequ\u00eancia q o poderiam paralisar no in\u00edcio da pe\u00e7a \u00e9 removida pela estrat\u00e9gia de responsabilizar a mulher pelo sucesso ou fracasso da empresa e por outras a\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es q vai tomando inclusive a de descartar a cumplicidade de seu duplo feminino empurrado p um limbo e p uma aus\u00eancia durante todo o 4<sup>o<\/sup> ato aparecendo apenas para morrer<\/p>\n<p>mostrar q macbeth n \u00e9 um monstro ao contr\u00e1rio q cada um de n\u00f3s pode ser macbeth se n tivermos claros e defendidos certos valores se contra um destino tr\u00e1gico e inevit\u00e1vel n lutarmos a favor do equil\u00edbrio<\/p>\n<p>e tirar o sobrenatural do ar a humanidade de macbeth est\u00e1 justamente na humanidade dos outros personagens e em suas motiva\u00e7\u00f5es esse \u00e9 o jogo proposto por shakespeare<\/p>\n<p>as irm\u00e3s do destino nunca as tratamos como bruxas ou feiticeiras mas mulheres c\u00f4nscias de sua humanidade e papel no mundo papel de m\u00e3es q perdem os filhos a cada dia de cidad\u00e3s q perdem a capacidade de seguir e decidir que s\u00e3o renegadas a pap\u00e9is inferiores subjugadas por um mundo patriarcal e por isso montam o teatro das profecias e assim conduzem erraticamente as vezes os acontecimentos<\/p>\n<p>shakespeare n acreditava q as bruxas tinham o poder de realizar mas o de induzir a realiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>esse \u00e9 o perigo nomeado por h\u00e9cate o excesso de informa\u00e7\u00e3o n processado corretamente nos leva \u00e0 perdi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>assim hamlet \u00e9 uma pe\u00e7a doc um registro deste momento e macbeth uma pe\u00e7a aviso cuidado homem como em algumas casas vemos cuidado c\u00e3o<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_46201.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-2412\" title=\"IMG_4620\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_46201.jpg\" alt=\"\" width=\"576\" height=\"384\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_46201.jpg 640w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/IMG_46201-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O FUTURO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>o q \u00e9 montar estas duas obras<\/p>\n<p>o q \u00e9 fazer teatro<\/p>\n<p>por quem ainda fazer teatro qdo as op\u00e7\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o deleite narrativas meios de distribui\u00e7\u00e3o de discursos e produ\u00e7\u00f5es performativas s\u00e3o tantas e falo da capacidade q todos e qualquer um t\u00eam disso de produzir seu pr\u00f3prio discurso sem ser representado por\u00a0 ningu\u00e9m e colocar no mundo p ser visto ouvido experimentado por milhares de pessoas a um clique<\/p>\n<p>\u00e9 preciso fazer shakespeare esse teatro tribal c 31 atores e mais os t\u00e9cnicos em cena<\/p>\n<p>ainda q reduzido o p\u00fablico pelo excesso de alternativas pelo medo disseminado pela ind\u00fastria da seguran\u00e7a para fomentar o mercado da prote\u00e7\u00e3o da fortifica\u00e7\u00e3o e intransponibilidade das propriedades e do armamento do cidad\u00e3o pela falta de qualidade quantidade conforto op\u00e7\u00f5es do sistema de transporte urbano q empurra o cidad\u00e3o para o mercado automobil\u00edstico dificultando o acesso e circula\u00e7\u00e3o ainda mais nos grandes centros pela falta de cultura de ir ao teatro pela pouca informa\u00e7\u00e3o do q seja teatro e dos benef\u00edcios q traz ao mundo o seu consumo sistem\u00e1tico em sess\u00f5es onde a humanidade precisa ser coletiva precisa estar presente em corpo e lugar para q aconte\u00e7a pela estupidez da distribui\u00e7\u00e3o gratuita de ingressos na tentativa de aumentar a frequ\u00eancia ao pre\u00e7o de criar depend\u00eancias perversas do produtor ao patrocinador e n ao p\u00fablico<\/p>\n<p>ainda q reduzido o p\u00fablico por esses e outros fatores o teatro ainda \u00e9 necess\u00e1rio<\/p>\n<p>o teatro vila velha come\u00e7ou a produzir diretamente seus espet\u00e1culos a partir de 2013 para responder ou se questionar sobre tudo isso<\/p>\n<p>e em dois anos deu \u00e0 cidade \u2013 ou melhor trocou c a cidade por ingressos vendidos \u2013 10 espet\u00e1culos 5 deles c elencos de mais de 30 pessoas<\/p>\n<p>isso \u00e9 poss\u00edvel pq o vila adotou uma pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico mas tb de artistas de uma maneira sistem\u00e1tica e investigativa<\/p>\n<p>o programa universidade LIVRE de teatro vila velha vai se construindo a medida q avan\u00e7a<\/p>\n<p>vai entendendo a realidade e respondendo a quest\u00f5es e formulando perguntas ainda sem respostas vai demandando e fomentando e provendo a sociedade de teatro<\/p>\n<p>a ideia de um artista gestor de seu pr\u00f3prio trabalho \u00e9 a id\u00e9ia de um artista q se faz perguntas tb como o oper\u00e1rio de brecht o artista q se pergunta diariamente qual o seu lugar no mundo e no tempo em q vive e atua q carrega peso f\u00edsico e a responsabilidade de convocar uma assembleia para debater as quest\u00f5es de seu tempo q entende de mercado e economia para poder entender as grandes disputas do mundo q se transvestem em ideologia religi\u00e3o etc mas q s\u00e3o econ\u00f4micas as motiva\u00e7\u00f5es pq trocamos a disputa territorial a ca\u00e7a pesca e agricultura por neg\u00f3cios status especula\u00e7\u00e3o virtual guerras sem regras torneios sem causa a n ser o enriquecimento o acumulo o capital se autofecundando e nos devorando<\/p>\n<p>a responsabilidade de aprender fazendo<\/p>\n<p>seguros de q a plateia est\u00e1 aprendendo assistindo<\/p>\n<p>q todos somos aprendizes e podemos trocar o q descobrimos a cada minuto c o outro numa rede<\/p>\n<p>q nos impede de cair q nos conecta c a humanidade no q ela tem de melhor e no q ela tem de pior<\/p>\n<p>e lidar c os muitos lados desta coisa mundo<\/p>\n<p>potencializando a constru\u00e7\u00e3o e a demoli\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias de tudo q proporciona ou impede a felicidade e lutar pelo prazer de ser e estar neste momento preciso em q estamos e somos alguma coisa no universo<\/p>\n<p>fazemos um teatro coral<\/p>\n<p>como os corais nos retroalimentado e ao sistema c\u00eanico emocional afetivo imag\u00e9tico simb\u00f3lico do mundo<\/p>\n<p>como um coro q sabe a necessidade de corifeus e di\u00e1logos c o her\u00f3i mas sabe tb e mais da grandeza de ser coletivo de pertencer a um grupo e de ter a for\u00e7a de muitos ao nosso lado para seguirmos<\/p>\n<p>vamos continuar no teatro vila velha a fazer este teatro q entendemos necess\u00e1rio e formar novos atores e atuadores no mundo<\/p>\n<p>criar conte\u00fados para alimentar a fome humana de contato e de respostas ao vazio do depois e do antes<\/p>\n<p>fazer o q podemos fazer<\/p>\n<p>seguimos<\/p>\n<p align=\"right\">m\u00e1rcio meirelles<\/p>\n<p align=\"right\">rio . 21.01.2015<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>texto do programa da \u00a0M\u00c1QUINA SHAKESPEARE = HAMLET +HAMLETMACHINE . MACBETH pe\u00e7as estreadas no teatro vila velha em janeiro de 2015 &nbsp; O Q \u00c9 UM SHAKESPEARE PARA Q SE POSSA FAZER UM &nbsp; n \u00e9 dif\u00edcil fazer shakespeare \u00e9 s\u00f3 fazer shakespeare isso parece apenas uma boa frase e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2409,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,7,24,5],"tags":[72,22,55,73,428,429,346,215,43,430,20,326,427,342,472,280,104,13,345],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2405"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2405"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2405\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2415,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2405\/revisions\/2415"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2409"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}