{"id":388,"date":"2009-01-30T23:14:06","date_gmt":"2009-01-31T02:14:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=388"},"modified":"2011-09-20T23:17:46","modified_gmt":"2011-09-21T02:17:46","slug":"descentralizacao-da-cultura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2009\/01\/descentralizacao-da-cultura\/","title":{"rendered":"Descentraliza\u00e7\u00e3o da cultura"},"content":{"rendered":"<p><em>Artigo de Edivaldo Boaventura, publicado no jornal A Tarde, em 30 de janeiro de 2009.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como presidente da Academia de Letras da Bahia, envolvo-me mais\u00a0uma vez com os problemas da cultura. O sodal\u00edcio participa de lan\u00e7amentos, confer\u00eancias, cursos que se integram \u00e0 programa\u00e7\u00e3o cultural. Luta por recursos p\u00fablicos e privados para a sua manuten\u00e7\u00e3o e para a efetiva\u00e7\u00e3o dos seus objetivos, disputando-os com outras entidades.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia de secret\u00e1rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura da Bahia induziu-me a perceber as a\u00e7\u00f5es culturais em m\u00e3o dupla, isto \u00e9, em dois sentidos. Em um primeiro movimento, da capital para os munic\u00edpios, leva-se a cultura erudita para o interior, gestada nos centros produtores do conhecimento. No movimento inverso, em respeito \u00e0s cria\u00e7\u00f5es aut\u00f3ctones e interioranas, devem-se recepcionar as manifesta\u00e7\u00f5es oriundas dos munic\u00edpios em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 capital. A participa\u00e7\u00e3o municipal no Fundo de Cultura aumentou os recursos de 4% para 40% em dois anos.<\/p>\n<p>Uma das marcas da Secretaria da Cultura do Estado da Bahia (Secult) \u00e9 a descentraliza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es e programas que antes ficavam concentrados na capital. Considere-se que o interiorano paga imposto, vota, produz e consome como o soteropolitano. A cultura, como a educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma vari\u00e1vel independente, integra-se ao Produto Interno Bruto (PIB). Atrav\u00e9s dela, como modo de ser, sentir e agir, participa da comunidade como fator de desenvolvimento ou de crescimento. Uma boa ilustra\u00e7\u00e3o \u00e9 a economia do Carnaval, que emprega expressivo contingente de m\u00e3o-de-obra em Salvador.<\/p>\n<p>A descentraliza\u00e7\u00e3o vem se concretizando pela cria\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum de Dirigentes Municipais de Cultura, que procura definir o papel dos munic\u00edpios para cria\u00e7\u00e3o de um sistema municipal de cultura como j\u00e1 existe para a educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e outros segmentos sociais. Considere-se que n\u00e3o se cobram a\u00e7\u00f5es culturais do munic\u00edpio como se exige da administra\u00e7\u00e3o estadual. Neste sentido, a Secult j\u00e1 realizou duas confer\u00eancias estaduais de cultura, sendo que na segunda compareceram 392 munic\u00edpios. Conv\u00eanios foram assinados com a Escola de Administra\u00e7\u00e3o da Ufba para presta\u00e7\u00e3o de assessoria t\u00e9cnica \u00e0s administra\u00e7\u00f5es municipais e para a capa-cita\u00e7\u00e3o em gest\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>Cabe ao poder p\u00fablico despertar, estimular e integrar a produ\u00e7\u00e3o cultural dos munic\u00edpios como uma maneira de revitaliza\u00e7\u00e3o das comunidades. Nesse sentido, o Centro de Cultura e Arte da Universidade Estadual de Feira de Santana (Cuca \/ Uefs) tem contribu\u00eddo para o conhecimento art\u00edstico do feirense. Outro equipamento cultural not\u00e1vel \u00e9 o\u00a0Parque Hist\u00f3rico Castro Alves, no munic\u00edpio de Cabaceiras do Paragua\u00e7u, no Rec\u00f4ncavo baiano. \u00c9 uma feliz combina\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o com cultura pela manuten\u00e7\u00e3o de col\u00e9gio e museu sobre vida e obra do poeta maior. Por sua vez, o Parque Estadual de Canudos \u00e9 outro dispositivo de conscientiza\u00e7\u00e3o da guerra fratricida e, como museu aberto, tem possibilitado vivo conhecimento da hist\u00f3ria p\u00e1tria.<\/p>\n<p>Dentre as inova\u00e7\u00f5es do secret\u00e1rio M\u00e1rcio Meirelles, destaca-se o N\u00facleo Estadual de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojib\u00e1). Um empreendimento liderado pelo pianista e maestro Ricardo Castro. Para Ricardo, \u00e9 preciso reduzir as desigualdades sociais de crian\u00e7as e jovens baianos pela pr\u00e1tica orquestral e pela capacita\u00e7\u00e3o de artes\u00e3os na fabrica\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais. A inspira\u00e7\u00e3o veio do Sistema Nacional das Orquestras e Coros Juvenis e Infantis da Venezuela (Fesnojiv). Iniciativa in\u00e9dita de educar crian\u00e7as e jovens ou de recuper\u00e1-los pelo apelo musical. N\u00e3o faz muito, a Orquestra Pedag\u00f3gica Infantil e a Orquestra Juvenil Dois de Julho exibiram-se, na Concha Ac\u00fastica, com vibra\u00e7\u00e3o da plateia ao ouvir Beethoven, Rimsk-Korsakov e Tchaikovsky. Os acordes fortes da m\u00fasica erudita russa despertaram o maior entusiasmo da plateia.<\/p>\n<p>Nessa trilha inovadora, prossegue o Museu de Arte Moderna (MAM), que este ano completa 50 anos, fundado por Lina Bo Bardi, que inova com uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es, a exemplo do &#8220;Pinte no MAM.&#8221; Do mesmo modo, o Museu de Arte da Bahia (MAB) procede com excelentes exposi\u00e7\u00f5es tendo se destacado nas comemora\u00e7\u00f5es da vinda de D. Jo\u00e3o VI.<\/p>\n<p>Em Salvador e em todo o territ\u00f3rio baiano, a cultura inova, descentralizando e atingindo os munic\u00edpios, na conquista de novos espa\u00e7os, novas cores e novos sons.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Edivaldo Boaventura, publicado no jornal A Tarde, em 30 de janeiro de 2009. &nbsp; Como presidente da Academia de Letras da Bahia, envolvo-me mais\u00a0uma vez com os problemas da cultura. O sodal\u00edcio participa de lan\u00e7amentos, confer\u00eancias, cursos que se integram \u00e0 programa\u00e7\u00e3o cultural. 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