{"id":396,"date":"2010-10-01T23:39:04","date_gmt":"2010-10-02T02:39:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=396"},"modified":"2011-09-20T23:56:42","modified_gmt":"2011-09-21T02:56:42","slug":"amos-gitai-em-solo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2010\/10\/amos-gitai-em-solo-brasileiro\/","title":{"rendered":"Amos Gitai em solo brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><em>Mat\u00e9ria <a href=\"http:\/\/terramagazine.terra.com.br\/interna\/0,,OI4710517-EI11348,00-Amos+Gitai+em+solo+brasileiro.html\" target=\"_blank\">publicada no Terra Magazine (Bob Fernandes)<\/a> em 1\u00ba de outubro de 2010. Por Deolinda Vilhena, de Salvador (BA), sobre visita do cineasta Amos Gitai a cidade.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_397\" style=\"width: 222px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666109-8122-in.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-397\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-397\" title=\"1666109-8122-in\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666109-8122-in-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666109-8122-in-212x300.jpg 212w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666109-8122-in.jpg 514w\" sizes=\"(max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-397\" class=\"wp-caption-text\">Na Igreja do Pa\u00e7o e na feira de S\u00e3o Joaquim (Fotos: Ir\u00e8ne Kirsch)<\/p><\/div>\n<p>A diva das divas do Poa em cena desse ano, Ute Lemper, j\u00e1 \u00e9 passado. Depois de oito dias nas terras do paralelo trinta, a convite de Luciano Alabarse, vim direto para Salvador encontrar Amos Gitai. Como? Coisas da vida. Eu, uma mulher de teatro, tendo a honra e o privil\u00e9gio de estar ao lado do maior cineasta israelense de todos os tempos nessa sua curta passagem pelas terras do n\u00e3o menos genial Glauber Rocha.<\/p>\n<p>Andava as voltas com meu Muro das Lamenta\u00e7\u00f5es pessoal, choramingando por n\u00e3o poder estar em Paris no dia 29 de outubro quando, no Th\u00e9\u00e2tre de l&#8217;Od\u00e9on, Amos mais uma vez estar\u00e1 em cena ao lado de Dame Jeanne Moreau, dessa vez fazendo a leitura &#8211; em franc\u00eas e em hebraico &#8211; das cartas escritas por sua m\u00e3e Efraita Gitai. Cartas estas traduzidas do hebraico por Emmanuel Moses e Katherine Werchowski, escolhidas e comentadas por Rivka Gitai e recentemente publicadas pelas edi\u00e7\u00f5es Gallimard. Pois \u00e9, quando Maom\u00e9 n\u00e3o vai a montanha, a montanha vem a Maom\u00e9&#8230;<\/p>\n<p>Ou voc\u00eas esquecem que sou um t\u00edpico caso de uma libriana, teimosa, chata e sortuda? Tudo o que a humanidade odeia. E meus amigos amam. Como diria meu filho, plagiado pela pr\u00f3pria m\u00e3e, ele que \u00e9 um especialista em propriedade intelectual&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o poderei estar em Paris e vou certamente perder um raro momento de beleza, mas passei algumas horas inesquec\u00edveis ao lado desse artista que tanto admiro e a quem tive a oportunidade de ver no palco em La Guerre des fils de lumi\u00e8re contre les fils des t\u00e9n\u00e8bres, baseado na obra de Flavius Jos\u00e8phe em janeiro passado, como contei para voc\u00eas aqui no Terra Magazine.<\/p>\n<p><strong>Um cineasta sem fronteiras<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_398\" style=\"width: 222px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666102-4894-in.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-398\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-398\" title=\"1666102-4894-in\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666102-4894-in-212x300.jpg\" alt=\"\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666102-4894-in-212x300.jpg 212w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666102-4894-in.jpg 514w\" sizes=\"(max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-398\" class=\"wp-caption-text\">No Sala de Arte-Cine Vivo encontro com o p\u00fablico baiano (Fotos: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>O cineasta israelense Amos Gitai est\u00e1 no Brasil \u00e0 convite da Embaixada da Fran\u00e7a e da Culturesfrance &#8211; \u00f3rg\u00e3o encarregado da promo\u00e7\u00e3o da cultura francesa no exterior &#8211; para acompanhar uma retrospectiva de sua magn\u00edfica obra nas cidades de Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Patrocinada pelo governo franc\u00eas, a viagem de Amos ao Brasil \u00e9 um exemplo do melhor que a Fran\u00e7a oferece ao mundo e prova do quanto o cinema franc\u00eas \u00e9 um cinema aberto para o mundo.<\/p>\n<p>Dono de uma filmografia que inclui obras-primas como &#8220;Kadosh&#8221; e &#8220;O Dia do Perd\u00e3o&#8221;, Amos firmou-se no circuito internacional como um dos grandes do cinema pol\u00edtico, ao lado de Costa-Gavras e Ken Loach.<br \/>\nNascido em 1950 em Haifa, dois anos depois da cria\u00e7\u00e3o do estado de Israel, Amos Gitai realizou cerca de quarenta filmes, entre document\u00e1rios e fic\u00e7\u00e3o, que exploram a hist\u00f3ria de Israel e do Oriente M\u00e9dio e s\u00e3o testemunhas de sua trajet\u00f3ria interna, abordando temas como o ex\u00edlio, a fronteira, a religi\u00e3o, a utopia e a no\u00e7\u00e3o de lar.<\/p>\n<p>Filho de um arquiteto da Bauhaus, que emigrou para Israel e adotou o sobrenome Gitai que significa &#8220;o que tira o suco da uva, o que prepara o vinho&#8221;. Do av\u00f4, veio a id\u00e9ia de dar-lhe o nome de Amos, o mais socialista dos grandes profetas judeus. Reza a lenda que o nome faz o homem, no caso de Amos Gitai ele estava predestinado a ser um um cineasta de esquerda.<\/p>\n<p>Em 1983, depois dos pol\u00eamicos House e Field Diary, mudou-se para Paris, retornando Israel apenas quando da elei\u00e7\u00e3o de Yitzhak Rabin, mas n\u00e3o perdeu o contato com o pa\u00eds, e a maioria de seus filmes s\u00e3o coprodu\u00e7\u00f5es entre Israel e a Fran\u00e7a.<br \/>\nHoje divide-se entre Tel Aviv e Paris, na verdade mora no mundo, num mundo sem fronteiras, chegou h\u00e1 cinco dias no Brasil, estava no Festival de Haifa, depois de passar por Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre, retorna a Paris onde ser\u00e1 homenageado em grande estilo no Beaubourg.<\/p>\n<p>Na verdade, Amos completa 60 anos no pr\u00f3ximo dia 11 de outubro e o Ministro da Cultura da Fran\u00e7a, Fr\u00e9d\u00e9ric Mitterrand, ao lado de Alan Seban, presidente do Centro Pompidou, presta uma homenagem ao cineasta no dia 12 de outubro, com a exibi\u00e7\u00e3o de seu filme &#8220;Carmel&#8221;, com direito a presen\u00e7a da equipe do filme e a fina flor da intelectualidade francesa. A Fran\u00e7a sai na frente e oferece as honras devidas a esse que \u00e9, sem d\u00favida, o maior cineasta israelense de todos os tempos e um dos grandes nomes do cinema internacional.<\/p>\n<p>Se tudo der certo Amos volta ao Brasil ainda este ano, atendendo convite do amigo Leon Cakoff, criador do mais antigo festival internacional de cinema no Brasil, a Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo, realizada anualmente desde 1977, sempre no m\u00eas de outubro. At\u00e9 o final do ano ele tem na agenda viagens \u00e0 China e ao Jap\u00e3o. Rodinha nos p\u00e9s \u00e9 pouco para ele&#8230;asas tornariam sua vida mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Sua programa\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio brasileiro foi intensa. Na Bahia com a coordena\u00e7\u00e3o da Adida cultural da Fran\u00e7a, Ir\u00e8ne Kirsch em parceria com o circuito da Sala de Arte e pela Secretaria de Estado de Cultura do Governo da Bahia, incluiu a exibi\u00e7\u00e3o de tr\u00eas filmes de Amos Gitai na Sala de Arte Cine Vivo de 24 a 27 de setembro. Mas o ponto alto foi o encontro do cineasta com o p\u00fablico baiano na noite de 28 de setembro, pilotada pelo cineasta franc\u00eas radicado na Bahia, Bernard Attal e por essa colunista de voc\u00eas.<\/p>\n<p>No Rio de Janeiro Amos \u00e9 um dos destaques do Festival International de Cinema, e foi programada uma retrospectiva de 10 filmes, entre os quais Alila, Kippur &#8211; o dia do perd\u00e3o, Esther, News From Home, Free Zone, Kadosh, Kedma, Berlin Jerusal\u00e9m, Golem o esp\u00edrito do ex\u00edlio e Aproxima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia Amos estar\u00e1 em Porto Alegre onde a Alian\u00e7a Francesa e o Santander Cultural &#8211; bel\u00edssimo centro cultural no centro da cidade onde ministrei com muito orgulho minha oficina de Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o teatral durante o Poa em cena &#8211; organizaram uma Mostra Especial composta por algumas obras in\u00e9ditas para os ga\u00fachos, algumas das quais ser\u00e3o exibidas apenas uma vez. Entre essas maravilhas, dois filmes da Trilogia do Ex\u00edlio contam com a participa\u00e7\u00e3o da companhia Tanztheater Wuppertal de Pina Bausch.<\/p>\n<p>De quebra Amos participar\u00e1 de dois encontros com o p\u00fablico, amanh\u00e3, s\u00e1bado, em sess\u00e3o comentada por ele de &#8220;Kadosh &#8211; La\u00e7os sagrados&#8221; e domingo, com a participa\u00e7\u00e3o mais do que especial de Moacyr Scliar e de Laurent Truchot, produtor de Amos. Depois de tr\u00eas semanas produzindo o maior festival de teatro da Am\u00e9rica Latina, estou certa de que Porto Alegre receber\u00e1 comme il faut Amos Gitai. Confesso que j\u00e1 dei minha contribui\u00e7\u00e3o agendando um encontro de Amos com Luciano Alabarse, o que conhe\u00e7o dos dois me autoriza a dizer que Porto Alegre s\u00f3 ter\u00e1 a ganhar se essa dupla engrenar. Aguardemos pois boas novas.<\/p>\n<p><strong>Um sabra nas terras do Senhor do Bonfim<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_399\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666103-3647-in.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-399\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-399\" title=\"1666103-3647-in\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666103-3647-in-300x212.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"212\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666103-3647-in-300x212.jpg 300w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666103-3647-in.jpg 514w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-399\" class=\"wp-caption-text\">Nas ruas do Pel\u00f4 em companhia de Marcio Meirelles (Fotos: Ir\u00e8ne Kirsch)<\/p><\/div>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o que tenho ap\u00f3s dois dias ao lado de Amos Gitai \u00e9 a de ter conhecido um verdadeiro sabra, nome dado aos judeus nascidos em Israel numa alus\u00e3o \u00e0 fruta do mesmo nome que cresce nos cactus da regi\u00e3o, dura e espinhosa em seu exterior ela \u00e9 suave por dentro. Por sua estatura e seu porte, os grandes \u00f3culos escuros e a roupa invariavelmente preta, o primeiro contato \u00e9 impressionante, principalmente quando se sabe que, antes de ser cineasta, ele foi soldado da Tsahal &#8211; o ex\u00e9rcito israelense. Mas o primeiro sorriso de Amos, ainda no aeroporto de Salvador, confirma a teoria do sabra. Ele \u00e9 simplesmente ador\u00e1vel. O que n\u00e3o deixa de ser uma agrad\u00e1vel surpresa para quem entendeu h\u00e1 muito tempo, que um grande artista n\u00e3o \u00e9, obrigatoriamente, um grande ser humano. Amos faz parte da exce\u00e7\u00e3o que confirma a regra.<\/p>\n<p>Suas visitas ao Brasil n\u00e3o s\u00e3o nenhuma novidade. Amos j\u00e1 \u00e9 de casa. Mas se ele j\u00e1 conhecia S\u00e3o Paulo, Rio, Bras\u00edlia e Manaus ainda n\u00e3o havia tido a oportunidade de conhecer Salvador, para ele terra de Glauber Rocha, cineasta com o qual se identifica gra\u00e7as a suas &#8220;imagens ao mesmo tempo po\u00e9ticas e delirantes&#8221;, como disse em entrevista a Ludmila Carvalho do jornal A Tarde.<\/p>\n<p>Amos chegou a Salvador informando a Ir\u00e8ne Kirsch que gostaria de prolongar em algumas horas sua estada na capital soteropolitana e poder descobrir a beleza da cidade. Pedido feito, pedido aceito pois a um g\u00eanio nada se nega.<\/p>\n<p>H\u00f3spede de Eric e Rose Gugghenheim na charmos\u00edssima Pousada des Arts no bairro de Santo Ant\u00f4nio, com vista para a Ba\u00eda de Todos os Santos, e em companhia de seu produtor e amigo, Laurent Truchot, Amos n\u00e3o perdeu tempo. Pouco depois de chegar, m\u00e1quina fotogr\u00e1fica em punho, saiu rumo \u00e0 Igreja do Pa\u00e7o, estrela do filme O Pagador de Promessas. Logo depois tomou o rumo do Pelourinho, na agenda um encontro com o Secret\u00e1rio de Cultura da Bahia, Marcio Meirelles que o convidara para um caruru dos santos na sede do Bal\u00e9 Folcl\u00f3rico da Bahia. Durante o percurso, feito a p\u00e9, os dois tiveram a oportunidade para uma primeira conversa.<\/p>\n<p>Enquanto Laurent tra\u00e7ava o caruru com tudo o que tinha direito, Amos imitava Ir\u00e8ne Kirsch e encarava um prato de arroz. A culin\u00e1ria baiana n\u00e3o \u00e9 para principiantes&#8230;depois do almo\u00e7o visita a igreja de S\u00e3o Francisco e muitas, muitas fotos. Depois a oportunidade de conferir a campanha eleitoral no Brasil, com direito a corpo-a-corpo na frente do Elevador Lacerda.<\/p>\n<div id=\"attachment_400\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666107-7702-in.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-400\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-400\" title=\"1666107-7702-in\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666107-7702-in-300x212.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"212\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666107-7702-in-300x212.jpg 300w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/1666107-7702-in.jpg 514w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-400\" class=\"wp-caption-text\">Com Eric Gugghenheim na Pousada des Arts e Laurent Truchot no MAM (Fotos: Ir\u00e8ne Kirsch)<\/p><\/div>\n<p>Acompanhado por Bernard Attal seguiu para a Sala de Arte-Cine Vivo, no Itaigara, em dia de com\u00edcio e jogo do Bahia, com direito a todos os engarrafamentos da cidade. Mas chegou a tempo de conceder uma entrevista antes do bate-papo com o p\u00fablico onde mostrou n\u00e3o s\u00f3 seus conhecimentos, mas tamb\u00e9m seu jogo de cintura para fugir de perguntas mal formuladas. Ou das ciladas. Em companhia dos organizadores da mostra na Bahia, Amos terminou sua primeira noite na capital soteropolitana entregue aos prazeres da gula no restaurante Amado.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de quarta-feira a melhor de todas as novidades: Amos quer filmar no Brasil, e j\u00e1 escolheu a cidade: Salvador. Segundo ele, bel\u00edssima. As negocia\u00e7\u00f5es devem come\u00e7ar ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es e j\u00e1 estou na torcida por Jaques Wagner &#8211; para quem n\u00e3o sabe o governador \u00e9 judeu e fala muito bem a l\u00edngua de Moli\u00e8re o que facilita as negocia\u00e7\u00f5es com Amos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o an\u00fancio da novidade, Amos em companhia de Ir\u00e8ne Kirsch e Laurent Truchot visitou a feira de S\u00e3o Joaquim, onde fez uma enxurrada de fotos. Se eu fosse Marcio Meirelles j\u00e1 estaria encomendando algumas delas e programando uma exposi\u00e7\u00e3o, pois al\u00e9m de grande cineasta ele \u00e9 conhecido pelo seu talento como fot\u00f3grafo.<\/p>\n<p>Depois da feira de S\u00e3o Joaquim, Amos fez quest\u00e3o de visitar o Museu de Arte Moderna da Bahia; e sua lente registrou o pr\u00e9dio do Solar do Unh\u00e3o, sua capela e a escada de Lina Bo Bardi&#8230;<\/p>\n<p>Antes de partir rumo ao Rio de Janeiro, pausa na Marina para almo\u00e7o no Soho, combinado de sushi e sashimi de salm\u00e3o e atum com cerveja Boh\u00eamia. Na despedida troca de e-mails, telefones, endere\u00e7os, encontros marcados em Sampa, Paris e Tel Aviv, projetos v\u00e1rios. Deixou de presente um livro para Marcio Meirelles, outro para Monique Badar\u00f3 e outro para essazinha que vos escreve. Todos devidamente autografados.<\/p>\n<p>Pude observ\u00e1-lo de perto, segundo Caetano de perto ningu\u00e9m \u00e9 normal&#8230;sou obrigada a discordar, afora a genialidade que aflora &#8211; basta observar a maneira como ele olha o mundo, a maneira como segura a m\u00e1quina e dirige a lente em uma determinada dire\u00e7\u00e3o, usando uma determinada luz &#8211; ningu\u00e9m diria que aquele homem imenso, com cara de poucos amigos e sorriso doce, \u00e9 um dos maiores nomes do atual cinema mundial. Que tenha sido apenas o primeiro de muitos outros encontros. Al\u00e9m de ser um dos meus cineastas preferidos, ele poderia ser um dos meus amigos preferidos. O tempo dir\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria publicada no Terra Magazine (Bob Fernandes) em 1\u00ba de outubro de 2010. 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