{"id":412,"date":"2011-08-14T01:29:46","date_gmt":"2011-08-14T04:29:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=412"},"modified":"2011-10-18T08:41:17","modified_gmt":"2011-10-18T11:41:17","slug":"you-are-in-a-free-country-man","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2011\/08\/you-are-in-a-free-country-man\/","title":{"rendered":"You are in a free country, man!"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/276026_1578859648_259887_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-827 aligncenter\" title=\"276026_1578859648_259887_n\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/276026_1578859648_259887_n.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"144\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Publicada no <a href=\"http:\/\/www.bahianarede.com\/?p=5352\" target=\"_blank\">site Bahia na Rede<\/a>, em 14 de agosto de 2011, por Marcelo de Troi.<\/em><\/p>\n<p>Yes, we are in America! S\u00e3o tantas impress\u00f5es e tantos sentimentos desde que cheguei aqui que se eu fosse relatar seria incapaz de fazer em um post. Nova Iorque \u00e9 a cidade mais incr\u00edvel que j\u00e1 tive a oportunidade de conhecer na vida. Me impressiona o fato de os norte-americanos terem transformado essa ilha num conglomerado de arranhas-c\u00e9us com cerca de 450 esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4.<\/p>\n<p>O ver\u00e3o por aqui \u00e9 quente igual ao do interior paulista e a cidade \u00e9 bem menos fren\u00e9tica que o imagin\u00e1vel. Sinto-me diariamente dentro de um filme. Os novaiorquinos s\u00e3o bem humorados e, ao contr\u00e1rio do que se diz, s\u00e3o gentis. Tudo \u00e9 &#8216;excuse-me, sir&#8217; e &#8216;thanks&#8217;. O Brasil est\u00e1 na moda, estamos por cima da carne seca, e a qualquer ind\u00edcio de sermos brazuca, vem logo um sorriso no rosto, uma pergunta sobre esse pa\u00eds distante. Dilma tamb\u00e9m est\u00e1 em alta por aqui e todos sabem que somos governados por uma mulher.<\/p>\n<p>Gosto de acordar bem cedo, junto com o sol nascendo \u00e0s 5h30, correr nos parques e voltar pra casa para ler o New York Times tomando o breakfast. Passamos o dia flanando pela cidade, rindo do &#8216;american way of life&#8217;, lendo Henfil e notando as mudan\u00e7as da Am\u00e9rica dos anos 70 e a do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Digo para os amigos americanos que s\u00e3o tr\u00eas os males da Am\u00e9rica: bed bugs, engasgos e a d\u00edvida. Os bed bugs s\u00e3o uma esp\u00e9cie violenta de percevejo. Eles infestam hot\u00e9is e resid\u00eancias, principalmente na costa leste. Picam sua pele, chupam seu sangue e seu ovos podem sobreviver por at\u00e9 um ano em camas, carpetes e cortinas. Tem americano que tem tanto trauma dos bichos que chegam a ficar sem dormir. Um pa\u00eds que criou solu\u00e7\u00f5es para quase tudo o que voc\u00ea possa imaginar foi incapaz de exterminar esses monstrinhos.<\/p>\n<p>Os engasgos s\u00e3o outra trag\u00e9diga americana. Qualquer restaurante em que se entra, tem um informe na parede explicando como ajudar um engasgado. A coisa n\u00e3o \u00e9 brincadeira e pode matar. Fomos comer em um restaurante vietnamita na Chinatown e vi uma criancinha de 4 anos quase morrer. Foi horr\u00edvel, mas tudo ficou bem no final. Apenas a voz chorosa da garotinha: &#8216;Mummy, still hurts\u2026&#8217;<\/p>\n<p>Vamos \u00e0 \u00faltima e terceira trag\u00e9dia: a d\u00edvida americana. Desde que chegamos n\u00e3o se fala em outra coisa: crisis, default, debit. Manchetes di\u00e1rias nos jornais e tev\u00eas. &#8216;Yes, can we?&#8217;, perguntam ironicamente os americanos. Mas os sinais n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o vis\u00edveis, a n\u00e3o ser pelo fato de que tudo aqui \u00e9 mais barato que no Brasil com exce\u00e7\u00e3o do aluguel. \u00c0s vezes, tudo parece mais um compl\u00f4 dos republicanos contra o primeiro presidente negro.<\/p>\n<p>Enquanto Obama \u00e9 chantageado pela d\u00edvida, Dilma \u00e9 chantageada pela esc\u00f3ria pol\u00edtica\u2026 Olho o Brasil a dist\u00e2ncia, os Estados Unidos de perto, mil pensamentos passam pela minha cabe\u00e7a, sobre nossas diferen\u00e7as, semelhan\u00e7as. Nas ruas, fico encantado com tantos tipos estranhos e originais desse imenso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Aos poucos vou entendendo o significado de conceitos como Liberdade, Estado de Direito, Democracia, liberdade de imprensa. Essas coisas s\u00e3o reais nessa banda da terra. Aqui voc\u00ea pode tudo e principalmente, pode ser o que voc\u00ea quer ser, sem ser julgado por isso. E a qualquer sinal de medo ou encuca\u00e7\u00e3o de quem sempre viveu vigiado, sou sempre alertado por meus amigos: You are in a free country, man!<\/p>\n<p>ps: meu amigo foi tirar sua carteira de motorista para viajarmos de carro at\u00e9 a costa oeste. N\u00e3o fez aulas, n\u00e3o entrou em nenhum cart\u00f3rio miser\u00e1vel, nenhum despachante explorador, quase nenhum documento apresentado. Pouca fila no departamento de tr\u00e2nsito. Em menos de um dia, depois de responder a 20 quest\u00f5es e pagar 20 d\u00f3lares, estava com sua &#8216;driver&#8217;s license&#8217;. Isso sim \u00e9 efici\u00eancia em servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n<p>NR: Marcelo de Troi \u00e9 paulista de nascimento e baiano de santo. Disse fui\u2026 para a Bahia recentemente e explica aqui o por qu\u00ea:<br \/>\nFotografar e escrever s\u00e3o praticas cotidianas desde minha inf\u00e2ncia. A partir de 1996 comecei a fazer isso de forma profissional depois de passar pela Universidade. Minha volta para Bahia \u00e9 uma inc\u00f3gnita. \u00c9 um lugar que amo, que me ensinou tudo o que aprendi na vida: do amor ao jornalismo, a Bahia me deu r\u00e9gua e compasso. Mas no caso de Salvador, acho que quando come\u00e7amos a reclamar muito de um lugar, se sentindo impotente para resolver suas quest\u00f5es, n\u00e3o resta outra alternativa, sen\u00e3o partir. A morte de gays, o assassinato em massa de jovens negros nas periferias, o lixo na cidade, o fundamentalismo crist\u00e3o, a aus\u00eancia de um poder municipal, eram coisas que estavam me chateando demais. Tamb\u00e9m senti uma grande for\u00e7a reacion\u00e1ria e conservadora crescente. Conheci bem o lado da intriga baiana nos anos da gest\u00e3o M\u00e1rcio Meirelles, de quem me tornei amigo. Fiquei assustado com a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa dele e acredito que um dia haver\u00e1 uma revis\u00e3o, especialmente na capital, para compreender o qu\u00e3o revolucion\u00e1ria foi sua gest\u00e3o na \u00e1rea da cultura. Projetos como Neojib\u00e1 jamais teriam existido sem a for\u00e7a dele.<\/p>\n<p>Talvez eu esteja fora da Bahia nesse momento para ganhar for\u00e7as para lutar novamente, mas n\u00e3o estou pensando nisso ainda. Decidi sair da cidade nas ultimas semanas de julho. Uma viagem de ferias para os EUA se transformou num projeto pessoal para aprender melhor o ingl\u00eas, conhecer lugares, cruzar o pais de leste a oeste, registrando tudo. J\u00e1 estive algumas vezes na Europa e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, mas a vontade de conhecer a Am\u00e9rica foi crescendo, principalmente com as mudan\u00e7as que tem acontecido por aqui. Tenho uma permiss\u00e3o do governo para ficar 6 meses, tamb\u00e9m tenho um visto de neg\u00f3cios que me amplia horizontes. A minha Bahia \u00e9 aquela das m\u00fasicas, a ut\u00f3pica, que a gente sente saudade, mas que est\u00e1 distante, pelo menos por enquanto\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicada no site Bahia na Rede, em 14 de agosto de 2011, por Marcelo de Troi. Yes, we are in America! S\u00e3o tantas impress\u00f5es e tantos sentimentos desde que cheguei aqui que se eu fosse relatar seria incapaz de fazer em um post. 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