{"id":427,"date":"1994-09-07T01:55:19","date_gmt":"1994-09-07T04:55:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=427"},"modified":"2011-09-21T02:03:14","modified_gmt":"2011-09-21T05:03:14","slug":"artistas-de-salvador-tem-mais-facilidade-para-vender-seu-trabalho-no-exterior-do-que-em-outros-estados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/1994\/09\/artistas-de-salvador-tem-mais-facilidade-para-vender-seu-trabalho-no-exterior-do-que-em-outros-estados\/","title":{"rendered":"Baianos for export"},"content":{"rendered":"<p><em>Mat\u00e9ria publicada na Revista Veja, na edi\u00e7\u00e3o de 7 de setembro de 1994. Escrita pelo jornalista Ernesto Bernardes.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Artistas de Salvador t\u00eam mais facilidade para vender seu trabalho no exterior do que em outros estados<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rev.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-429\" title=\"rev\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rev-226x300.jpg\" alt=\"\" width=\"226\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rev-226x300.jpg 226w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/rev.jpg 583w\" sizes=\"(max-width: 226px) 100vw, 226px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Pouca gente no Brasil sabe quem \u00e9 S\u00e9rgio Otanazetra, m\u00fasico baiano que toca afox\u00e9 com um berimbau el\u00e9trico. Seu nome art\u00edstico saiu da palavra artesanato, escrita com z e ao contr\u00e1rio. Suas m\u00fasicas nunca foram ouvidas no r\u00e1dio e os discos que gravou n\u00e3o s\u00e3o encontrados em loja alguma do pa\u00eds. Mesmo assim, Otanazetra tem tr\u00eas CDs lan\u00e7ados na Europa por gravadoras francesas, recebe convites para ministrar oficinas em universidades americanas e faz shows em cassinos de Monte Carlo. Seu cach\u00ea beira os 2.000 d\u00f3lares e sua arrecada\u00e7\u00e3o de direitos autorais \u00e9 de cerca de 10.000 d\u00f3lares anuais. Ele \u00e9 o exemplo t\u00edpico de uma carreira que est\u00e1 em alta: a do artista baiano modelo exporta\u00e7\u00e3o. Como ele, dezenas de m\u00fasicos, artistas pl\u00e1sticos, dan\u00e7arinos e teatr\u00f3logos da terra de Jorge Amado descobriram que a sa\u00edda para o sucesso pode estar no aeroporto ou na funda\u00e7\u00e3o internacional mais pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>Otanazetra, que antes de fazer: sucesso no exterior tentou a sorte no sul do Brasil e s\u00f3 conseguiu apresentar-se em shows de travestis, ilustra bem um fato do qual a maior parte dos artistas baianos j\u00e1 se deu conta: que o mercado exterior \u00e9 o melhor para quem faz cultura popular regional. &#8220;\u00c9 mais f\u00e1cil levar uma companhia de teatro baiana para um festival na Alemanha do que para um palco paulista&#8221;, constata o alem\u00e3o Roland Schaffner, diretor do Instituto Goethe de Salvador.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, o Goethe baiano patrocinou uma montagem do cl\u00e1ssico Wozzeck, de Georg B\u00fcchner, na qual o enredo se passava no Pelourinho. A montagem era dirigida por Marcio Meirelles, encenador que \u00e9 o rei do patroc\u00ednio externo. Pouco conhecido no eixo Rio-S\u00e3o Paulo, ele j\u00e1 tem data marcada para estrear em Londres (julho de 1995) uma adapta\u00e7\u00e3o para a cena da vida de Zumbi dos Palmares. A pe\u00e7a ser\u00e1 uma co-produ\u00e7\u00e3o entre o Bando de Teatro Olodum, que M\u00e1rcio dirige h\u00e1 quatro anos, o Lift (London International Festival of Theatre) e a companhia inglesa Black Theatre Co-op.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 grande interesse no mundo atual pela cultura de extra\u00e7\u00e3o africana&#8221;, explica o percussionista brasileiro Nan\u00e1Vasconcelos, que mora desde o final da d\u00e9cada de 70 em Nova York. &#8220;O Brasil \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds que recebeu negros escravos de todas as regi\u00f5es da \u00c1frica. E a Bahia \u00e9 o lugar em que essa cultura est\u00e1 preservada.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/1994\/09\/foto.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-435\" title=\"foto\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/1994\/09\/foto-300x283.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"283\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/1994\/09\/foto-300x283.jpg 300w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/1994\/09\/foto.jpg 517w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>ORIGINALIDADE \u2013 Funda\u00e7\u00f5es estrangeiras tamb\u00e9m t\u00eam apoiado dan\u00e7arinos baianos. O core\u00f3grafo El\u00edsio Pita, por exemplo, fatura em m\u00e9dia 45.000 d\u00f3lares anuais por conta de seu trabalho na Aluj\u00e1 Center Cultural Development, um instituto de pesquisas de cultura negra, e no California lnstitute of Arts, uma funda\u00e7\u00e3o mantida pelos est\u00fadios Disney. &#8220;A dan\u00e7a baiana n\u00e3o \u00e9 melhor do que a que se faz em S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte ou Curitiba. A vantagem \u00e9 que a Bahia tem mais a cara do mercado internacional de hoje&#8221;, diz outro baiano, Marcelo Moacyr, de 40 anos, que conseguiu emprego em uma ONG de Nova York, a Capoeira Foundation, da qual recebe 28.000 d\u00f3lares anuais.<\/p>\n<p>Do ponto de vista das entidades que a patrocinam, a cultura baiana agrada mais do que a proveniente de outros pontos do Brasil por sua originalidade. \u201cTemos muito mais a aprender com a Babia do que com Santa Catarina, por exemplo&#8221;, sentencia o alem\u00e3o Schaffner, que gasta 40.000 d\u00f3lares. por ano em projetos culturais. A pr\u00f3xima investida do Instituto Goethe ser\u00e1 levar para a Alemanha, numa turn\u00ea de dois meses com 22 apresenta\u00e7\u00f5es, uma montagem da diretora Maria Eug\u00eania Milliet. A pe\u00e7a \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o de Hamlet interpretada por meninos de rua. O nome do espet\u00e1culo \u00e9 O Rei do Trono de Barro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria publicada na Revista Veja, na edi\u00e7\u00e3o de 7 de setembro de 1994. 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