{"id":471,"date":"1997-02-03T13:10:13","date_gmt":"1997-02-03T16:10:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=471"},"modified":"2012-02-21T17:02:28","modified_gmt":"2012-02-21T20:02:28","slug":"abridor-de-latas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/1997\/02\/abridor-de-latas\/","title":{"rendered":"M\u00c1RIO PARA SEMPRE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Texto de Marcio Meirelles, publicado na coluna\u00a0<\/em><strong>Abridor de latas<\/strong><em>, no <\/em><strong>A Prov\u00edncia da Bahia<\/strong><em> (Ano I &#8211; n. 3) em 3 de fevereiro de 1997.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1469\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/1997\/02\/ZUMBIZ11.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1469\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1469\" title=\"ZUMBI EST\u00c1 VIVO E CONTINUA LUTANDO - \u00faltimo papel de M\u00e1rio, primeiro grande papel de L\u00e1zaro Ramos\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/1997\/02\/ZUMBIZ11-300x292.jpg\" alt=\"ZUMBI EST\u00c1 VIVO E CONTINUA LUTANDO - \u00faltimo papel de M\u00e1rio, primeiro grande papel de L\u00e1zaro Ramos\" width=\"300\" height=\"292\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/1997\/02\/ZUMBIZ11-300x292.jpg 300w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/1997\/02\/ZUMBIZ11.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1469\" class=\"wp-caption-text\">ZUMBI EST\u00c1 VIVO E CONTINUA LUTANDO - \u00faltimo papel de M\u00e1rio, primeiro grande papel de L\u00e1zaro Ramos<\/p><\/div>\n<p>Perdemos M\u00e1rio.<\/p>\n<p>Quando perdemos um ator como M\u00e1rio Gusm\u00e3o, al\u00e9m dele, perdemos todos os personagens que fez. E, pior, perdemos todos os personagens que ele poderia fazer.<\/p>\n<p>Um personagem s\u00f3 existe inteiramente quando um ator, com seu corpo, sua voz e seu engenho, d\u00e1-lhe vida. Um personagem \u00e9 o personagem de um ator. Assim, n\u00e3o existem Macbeth, ou \u00c9dipo, ou quem seja. Existem o Macbeth de Fulano ou o \u00c9dipo de S\u00edcrano.<\/p>\n<p>Quando um ator se vai, perdemos a possibilidade de personagens. Com M\u00e1rio, perdemos a possibilidade do Rei Lear de M\u00e1rio, do Pr\u00f3spero de M\u00e1rio, do Galileu de M\u00e1rio e de uma infinidade de outros. Porque um ator \u00e9 sempre uma possibilidade infinita.<\/p>\n<p>Pensei em M\u00e1rio para o Sr. Peachum da \u00d3pera de Tr\u00eas Mirr\u00e9is, na montagem do Bando de Teatro Olodum. Pensei em M\u00e1rio para Jubiab\u00e1, na adapta\u00e7\u00e3o que Claudius Portugal e eu planejamos fazer do romance hom\u00f4nimo de Jorge Amado, para o Bando. Pensei em M\u00e1rio muitas vezes em minha vida. Mas perdemos M\u00e1rio e, com ele, muito.<\/p>\n<p>Sei pouco de M\u00e1rio Gusm\u00e3o. N\u00e3o sei quando nasceu, nem onde. Nem quantos anos tinha quando se foi. N\u00e3o sei quantas pe\u00e7as, nem quantos filmes, nem quantos trabalhos fez na televis\u00e3o.<\/p>\n<p>Sei que vi muito pouco. Todos vimos M\u00e1rio muito pouco, muito menos do que merec\u00edamos. Poucos filmes, poucas pe\u00e7as, poucos trabalhos na televis\u00e3o. Por mais que tenha feito pe\u00e7as e filmes e trabalhos para a televis\u00e3o, e os fez muito.<\/p>\n<p>N\u00e3o se deu a aten\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria a um ator daquele quilate que, como tudo no teatro, \u00e9 ef\u00eamero. Passa r\u00e1pido, como um por de sol, que \u00e9 \u00fanico e precisa ser visto e lembrado para que se torne eterno.<\/p>\n<p>M\u00e1rio se foi. Um homem negro que era ator. Num pa\u00eds que ainda n\u00e3o descobriu sua pr\u00f3pria identidade e que dificulta, e muito, a vida e a carreira de um homem negro que escolhe ser ator. Que decide ajudar a construir essa identidade atrav\u00e9s dos personagens que s\u00f3 ele pode criar.<\/p>\n<p>Adeus, M\u00e1rio. Fica pra sempre a falta de todos os personagens que n\u00e3o ser\u00e3o feitos por voc\u00ea. E uma saudade grande de todos aqueles que voc\u00ea levou embora. E fica tamb\u00e9m uma felicidade imensa de termos tido a ben\u00e7\u00e3o de sua presen\u00e7a entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Marcio Meirelles, publicado na coluna\u00a0Abridor de latas, no A Prov\u00edncia da Bahia (Ano I &#8211; n. 3) em 3 de fevereiro de 1997. &nbsp; Perdemos M\u00e1rio. Quando perdemos um ator como M\u00e1rio Gusm\u00e3o, al\u00e9m dele, perdemos todos os personagens que fez. 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