{"id":474,"date":"1997-02-03T13:12:10","date_gmt":"1997-02-03T16:12:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=474"},"modified":"2012-02-21T11:51:54","modified_gmt":"2012-02-21T14:51:54","slug":"ze-meu-heroi","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/1997\/02\/ze-meu-heroi\/","title":{"rendered":"Z\u00c9, MEU HER\u00d3I"},"content":{"rendered":"<p><em>Texto de Marcio Meirelles, publicado em <\/em><strong>Abridor de latas<\/strong><em>,\u00a0n&#8217;<\/em><strong>A Prov\u00edncia da Bahia<\/strong><em> (Ano I &#8211; n. 4), em 23 de fevereiro de 1997.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assistir a qualquer espet\u00e1culo de Z\u00e9 Celso \u00e9 uma experi\u00eancia\u00a0 pra toda a vida.<\/p>\n<p>Quando estava estudando para fazer o vestibular de arquitetura, assisti no Teatro Castro Alves \u00e0s tr\u00eas pe\u00e7as do repert\u00f3rio do Oficina que excursionaram pelo Brasil: <em>Os Pequenos<\/em> <em>Burgueses, O Rei da Vela e Galileu Galilei.<\/em> L\u00e1 se v\u00e3o vinte e seis anos e ainda tenho claras em mim as imagens, as sensa\u00e7\u00f5es e principalmente as transforma\u00e7\u00f5es que essas imagens e sensa\u00e7\u00f5es provocaram em meu pensamento.<\/p>\n<p>Anos depois, vistos o filme que Z\u00e9 fez na \u00c1frica e o que fez sobre o Rei da Vela, assisti ao <em>Hamlet<\/em>, do Uzina Uzona, seu novo grupo. Foi definitivo. Ali estavam toda a for\u00e7a que o teatro tem, ao longo daquelas quatro horas de espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>Agora: <em>As Bacantes<\/em>. Cinco horas de folia para contar o triunfo de Dion\u00edsio. E contar o triunfo de Dion\u00edsio \u00e9 contar o triunfo de Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa e seu teatro.<\/p>\n<p>Durante anos Z\u00e9 e seu grupo lutaram contra a grana de S\u00edlvio Santos e seu Ba\u00fa da Felicidade para manter o pr\u00e9dio do Teatro Oficina no seu lugar. Um teatro em vez de um shopping center.<\/p>\n<p>O tempo de constru\u00e7\u00e3o das <em>Bacantes<\/em> foi o tempo que durou essa luta. Hoje o teatro est\u00e1 l\u00e1 e o shopping center ainda n\u00e3o. E no Teatro est\u00e3o as bacantes de Z\u00e9 contando essa hist\u00f3ria: Dion\u00edsio vem da Fr\u00edgia com seu s\u00e9quito de m\u00eanades instaurar seu culto em Tebas, governada por Penteu, seu primo. Penteu v\u00ea todas as mulheres da cidade, enlouquecidas de vinho e paix\u00e3o, irem para os campos entregarem-se aos rituais em louvor ao novo Deus. Temendo a desestabiliza\u00e7\u00e3o da ordem, da raz\u00e3o, da produ\u00e7\u00e3o e, consequentemente, de seu poder, manda prender Dion\u00edsio.\u00a0 O Deus, prisioneiro, inflama a curiosidade do rei e o induz a assistir ao culto secretamente, vestido de mulher. Penteu assim o faz, mas \u00e9 reconhecido e destro\u00e7ado pelas bacantes que, no transe, o tomam por um le\u00e3o, lideradas por Agave, sua m\u00e3e. Passado o momento do sacrif\u00edcio, a cidade reconhece a divindade de Dion\u00edsio e o seu culto se instaura, a partir de Tebas, em toda a Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria de Dion\u00edsio sobre Penteu \u00e9 a vit\u00f3ria da paix\u00e3o, do del\u00edrio, do teatro, dos sentidos. \u00c9 a vit\u00f3ria de Z\u00e9 Celso que reconstruiu seu teatro, no meio de S\u00e3o Paulo, no meio da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, no meio do que seria um shopping center, no meio de um Ba\u00fa da Felicidade. E o reconstruiu para que as bacantes pudessem triunfar.<\/p>\n<p>O Triunfo de Z\u00e9 n\u00e3o foi completo, o Ba\u00fa n\u00e3o foi destro\u00e7ado nem ser\u00e1. Ficar\u00e1 sempre, como uma amea\u00e7a pairando, essa hip\u00f3tese de um shopping center. Ficaremos para sempre com essa amea\u00e7a pairando sobre n\u00f3s: a de que a paix\u00e3o possa ser banida de nossas vidas, pela especula\u00e7\u00e3o, pelo lucro, pela produ\u00e7\u00e3o desenfreada do capital.<\/p>\n<p><em>As Bacantes <\/em>estar\u00e3o em Salvador no dia 28 de fevereiro, no Museu de Arte Moderna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Marcio Meirelles, publicado em Abridor de latas,\u00a0n&#8217;A Prov\u00edncia da Bahia (Ano I &#8211; n. 4), em 23 de fevereiro de 1997. &nbsp; Assistir a qualquer espet\u00e1culo de Z\u00e9 Celso \u00e9 uma experi\u00eancia\u00a0 pra toda a vida. 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