{"id":484,"date":"1997-02-26T13:24:38","date_gmt":"1997-02-26T16:24:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=484"},"modified":"2012-02-21T16:51:07","modified_gmt":"2012-02-21T19:51:07","slug":"como-os-peitos-de-gal","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/1997\/02\/como-os-peitos-de-gal\/","title":{"rendered":"COMO OS PEITOS DE GAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Texto escrito em Salvador, em 26 de fevereiro de 1997, a partir do convite de Z\u00e9 Celso Martinez Correia para a participa\u00e7\u00e3o do Bando de Teatro Olodum no espet\u00e1culo <\/em><strong>As Bacantes<\/strong><em>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Bando de Teatro Olodum foi criado em 1990 atrav\u00e9s de uma oficina. A id\u00e9ia era que a oficina servisse para selecionar os atores que formariam o grupo e a partir da\u00ed, com esse grupo, seria montada As Bacantes, de Eur\u00edpedes. Para apresentar o grupo, no t\u00e9rmino da oficina, montamos Essa \u00e9 Nossa Praia. Apresentamos esse espet\u00e1culo durante uns tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Quando falei na imprensa que montar\u00edamos As Bacantes pela proximidade que esse texto tem com nossa vida, nossa cultura, com a inven\u00e7\u00e3o do carnaval, algu\u00e9m se apressou a me dizer: mas isto \u00e9 um projeto de Z\u00e9 Celso. Que algu\u00e9m sempre diz essas coisas, pelos motivos mais diversos. Mas especialmente porque sup\u00f5e-se as vezes que uma pe\u00e7a de teatro s\u00f3 comporta uma encena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sucesso de Nossa Praia e a not\u00edcia do projeto de Z\u00e9 &#8211; \u201cdeixa ver primeiro o que o mestre vai fazer desse texto\u201d- me fizeram desistir do espet\u00e1culo..<\/p>\n<p>Agora, seis anos depois, Z\u00e9 Celso convida o Bando para participar de sua montagem. O que \u00e9 um privil\u00e9gio, como disse Caetano Veloso a prop\u00f3sito do fato de ter participado do espet\u00e1culo, mamando no seio de uma das atrizes e sendo desnudado na cena em que as bacantes destro\u00e7am a divindade. Coisa que acontece todas as noites com algu\u00e9m da plat\u00e9ia. Mas o fato de o rei ter ficado nu &#8211; e de o rei ser sempre mais bonito nu &#8211; trouxe notoriedade nacional ao espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>Desnudar um \u00eddolo \u00e9 tocar num tabu. E a\u00ed vem a controv\u00e9rsia, o diz que diz, o acho isso acho aquilo. Igual aos peitos de Gal no show dirigido por Gerald Thomas. Tocar um tabu mexe com a galera. Da\u00ed todo mundo quer ter seu dia de Caetano nAs Bacantes,<br \/>\nou ver algu\u00e9m correr esse risco.<\/p>\n<p>Mas As Bacantes de Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa \u00e9 muito mais do que quer a m\u00eddia. Z\u00e9 \u00e9 o mais teatral dos diretores brasileiros, o mais pol\u00edtico, o mais autoral, o mais necess\u00e1rio, o mais brasileiro, o mais pol\u00eamico, the best.<\/p>\n<p>Z\u00e9 criou um espet\u00e1culo magn\u00edfico. Ele e seu grupo contam a hist\u00f3ria do triunfo da paix\u00e3o. A vit\u00f3ria do instinto, dos sentidos. A vit\u00f3ria do teatro, da arte sobre a m\u00eddia; do Homem sobre o Estado. Da vida sobre os interesses, o com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Desnudar um espectador nesse espet\u00e1culo \u00e9 absolutamente pertinente e necess\u00e1rio para que a id\u00e9ia se realize. Quando isso acontece, toda a ordem \u00e9 invertida, tudo fica fora do prumo; tudo, momentaneamente, fica fora de controle, e \u00e9 nesse momento que a verdade triunfa, que o equil\u00edbrio e a paz s\u00e3o poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Quando a gente perde a casca e renasce num ritual de passagem inesquec\u00edvel. Quando a gente fica completamente desprotegido e fr\u00e1gil. Quando a divindade em forma de touro \u00e9 destro\u00e7ada pelas bacantes. Quando n\u00e3o existe mais o s\u00edmbolo Deus, Deus se espalha pelo mundo e por todas as coisas, como deve ser.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto escrito em Salvador, em 26 de fevereiro de 1997, a partir do convite de Z\u00e9 Celso Martinez Correia para a participa\u00e7\u00e3o do Bando de Teatro Olodum no espet\u00e1culo As Bacantes. &nbsp; O Bando de Teatro Olodum foi criado em 1990 atrav\u00e9s de uma oficina. 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