{"id":486,"date":"1997-03-15T13:27:30","date_gmt":"1997-03-15T16:27:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=486"},"modified":"2012-02-21T10:34:57","modified_gmt":"2012-02-21T13:34:57","slug":"acho-que-este-nao-e-um-tempo-de-metaforas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/1997\/03\/acho-que-este-nao-e-um-tempo-de-metaforas\/","title":{"rendered":"ACHO QUE ESTE N\u00c3O \u00c9 UM TEMPO DE MET\u00c1FORAS"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1441\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/1997\/03\/george-mascarenhas.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1441\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1441\" title=\"George Mascarenhas em Josefina, a cantora dos ratos\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/1997\/03\/george-mascarenhas-200x300.jpg\" alt=\"George Mascarenhas em Josefina, a cantora dos ratos\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/1997\/03\/george-mascarenhas-200x300.jpg 200w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/1997\/03\/george-mascarenhas.jpg 428w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1441\" class=\"wp-caption-text\">George Mascarenhas em Josefina, a cantora dos ratos<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Texto escrito por Marcio Meirelles,<\/em><em style=\"font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; font-size: 13px; line-height: 19px; white-space: normal;\">\u00a0<\/em><em style=\"font-size: 13px;\">em 15 de mar\u00e7o de 1997, a partir da apresenta\u00e7\u00e3o no programa do espet\u00e1culo <\/em><strong>Josefina, a cantora dos ratos<\/strong><em> &#8211; adapta\u00e7\u00e3o do conto de Kafka &#8211;\u00a0e\u00a0<\/em><em style=\"font-size: 13px;\">publicado na coluna<\/em><em style=\"font-size: 13px;\">\u00a0<\/em><strong>Abridor de Latas<\/strong><em>, no jornal <\/em><strong>Prov\u00edncia da Bahia<\/strong>\u00a0(ano 1, n. 8) <em>em 17 de mar\u00e7o de 2000.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acho que este n\u00e3o \u00e9 um tempo de met\u00e1foras. \u00c9 um tempo real em que \u00e9 necess\u00e1rio falar, tomar posi\u00e7\u00f5es. \u00c9 um tempo em que o artista \u00e9 necess\u00e1rio mais do que nunca. Em que o artista tem que assumir a sua condi\u00e7\u00e3o de arauto, de instigador, de antena parab\u00f3lica, captando e colocando no ar o dia a dia que \u00e9 mais fant\u00e1stico e dram\u00e1tico do que a mais fantasiosa imagina\u00e7\u00e3o possa criar.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso colocar esse personagem em cena &#8211; o artista &#8211; e discutir sua fragilidade e sua grandeza, suas possibilidades e seus del\u00edrios, suas car\u00eancias e pirra\u00e7as, seu poder de sedu\u00e7\u00e3o e a real necessidade que tem dele uma sociedade em crise. Mas \u00e9 preciso que se fa\u00e7a isso com uma vis\u00e3o cr\u00edtica, n\u00e3o com excesso de vaidade e amor pr\u00f3prio inflamado. Talvez com muitas d\u00favidas a nosso pr\u00f3prio respeito.<\/p>\n<p>Acho que neste momento a palavra se faz necess\u00e1ria, a discuss\u00e3o, a descoberta de novos caminhos para a felicidade geral.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um tempo sem ideologias, sem causas, um tempo em que o poder supremo de duplicar a vida foi conquistado. Em que a gente perde o interesse em acompanhar as not\u00edcias sobre crimes monstruosos contra o cidad\u00e3o porque j\u00e1 se sabe o fim da hist\u00f3ria. Um tempo em que os clones e a impunidade ocupam lado a lado as not\u00edcias dos jornais.<\/p>\n<p>\u00c9 um momento muito dif\u00edcil, um momento terr\u00edvel. Todas as antigas cren\u00e7as e certezas est\u00e3o desmoronando. E as novas n\u00e3o respondem \u00e0s imensas quest\u00f5es que me colocam meus filhos pelo simples fato de existirem, crescerem, serem humanos e terem um futuro absolutamente imprevis\u00edvel pela frente.<\/p>\n<p>Eu tenho tantas d\u00favidas e tantas quest\u00f5es quanto meus filhos adolescentes.<\/p>\n<p>A \u00fanica coisa que penso no momento \u00e9: algo tem de ser feito. Temos que abrir caminhos novos. E temos muito pouco tempo.<\/p>\n<p>Venho construindo, com todas essas quest\u00f5es e desafios, um caminho para mim, n\u00e3o uma resposta. N\u00e3o precisamos de respostas, precisamos de uma sa\u00edda. A sa\u00edda para mim \u00e9 o teatro, esse jeito coletivo de se construir coisas novas e refazer velhos sonhos, essa forma \u00fanica de estar em conv\u00edvio com outros homens, de gerar e resolver crises, de dizer coisas antigas de uma maneira \u00fanica e viva e ef\u00eamera. Essa \u00fanica forma e ato de amor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto escrito por Marcio Meirelles,\u00a0em 15 de mar\u00e7o de 1997, a partir da apresenta\u00e7\u00e3o no programa do espet\u00e1culo Josefina, a cantora dos ratos &#8211; adapta\u00e7\u00e3o do conto de Kafka &#8211;\u00a0e\u00a0publicado na coluna\u00a0Abridor de Latas, no jornal Prov\u00edncia da Bahia\u00a0(ano 1, n. 8) em 17 de mar\u00e7o de 2000. &nbsp; &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1441,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[162,7,176,168],"tags":[175,72,22,35,12,73,177,173,174,20,18,129,84,32,472,64,104],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/486"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=486"}],"version-history":[{"count":9,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/486\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1447,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/486\/revisions\/1447"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1441"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}