{"id":562,"date":"2004-11-16T20:45:45","date_gmt":"2004-11-16T23:45:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=562"},"modified":"2014-03-10T19:32:47","modified_gmt":"2014-03-10T22:32:47","slug":"programa-de-esse-glauber","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2004\/11\/programa-de-esse-glauber\/","title":{"rendered":"ESSE GLAUBER"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_2005\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2004\/11\/GLAUBER.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2005\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-2005\" title=\"glauber rocha\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2004\/11\/GLAUBER.jpeg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"470\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2004\/11\/GLAUBER.jpeg 500w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2004\/11\/GLAUBER-300x282.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2005\" class=\"wp-caption-text\">glauber rocha<\/p><\/div>\n<p>Creio ser Glauber o interlocutor ideal neste momento.<\/p>\n<p>\u00c9 para quem quero falar, formular quest\u00f5es, expor conceitos, pensamentos e de quem gostaria de ouvir respostas, id\u00e9ias, frases, palavras, perguntas. Com quem gostaria de discutir o Brasil.<\/p>\n<p>Discutir \u00e9tica, est\u00e9tica e politicamente o Brasil.<\/p>\n<p>Glauber continua a ser, talvez, o mais brasileiro dos nossos artistas e continua a ser necess\u00e1rio repensar este pa\u00eds, reconstru\u00ed-lo, representa-lo, reapresenta-lo para n\u00f3s mesmos. Para que entendendo o que est\u00e1 se passando possaos andar, mudar, restaurar. Por isso a id\u00e9ia de dialogar com Glauber.<\/p>\n<p>Essa id\u00e9ia nos veio nos \u00faltimos ensaios de A CASA DA MINHA ALMA. Rita [Assemani] e Jo\u00e3o Sanchez tinham assistido a DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL e ficado alucinados. Nos prometemos fazer um pr\u00f3ximo espet\u00e1culo com\/para\/por Glauber.<\/p>\n<p>O que fazer, o tempo nos diria.<\/p>\n<p>Nos reunimos, Aninha [Franco], Rita, Diogo [Lopes], Jo\u00e3o, Jarbas [Bittencourt] e eu, durante dias discutindo esse Glauber, o nosso Glauber, como seria. O t\u00edtulo apareceu logo, mas quase um ano se passou nessa discuss\u00e3o. Lemos Glauber, vimos Glauber ouvimos Glauber.<\/p>\n<p>Um dia, personagens antigos me revisitaram: os cordeiros.<\/p>\n<p>Aqueles que durante o carnaval separam e protegem os que t\u00eam dos que n\u00e3o tem. Aqueles animais do sacrif\u00edcio que s\u00e3o alugados para segurar a corda e se responsabilizar pelo limite entre os que se apropriam da rua, do espa\u00e7o publico, sem pagar aluguel, daqueles que s\u00e3o, como eles \u2013 cordeiros \u2013 sacrificados todos os dias em favor da boa vida dos protegidos. Eles s\u00e3o aquele muro invis\u00edvel para os que podem se divertir do lado de dentro e uma muralha intranspon\u00edvel para os seus iguais que est\u00e3o do lado de fora, exclu\u00eddos.<\/p>\n<p>Ah, se os cordeiros fossem cabritos, bons cabritos, e berrassem&#8230; Mas cordeiro n\u00e3o berra, bale.<\/p>\n<p>Enfim os cordeiros chegaram, vieram de uma id\u00e9ia, anterior \u00e1 CASA. Vieram de um espet\u00e1culo sobre o carnaval em que o Brasil se tornou. Onde alguns assistem a tudo de camarote, prostituem, corrompem, compram e vendem almas, bens, dignidade, corpos, prazer, ilus\u00f5es, onde alguns consomem o mundo como mercadoria e se instalam, protegidos da massa que n\u00e3o tem brioches para matar a fome de p\u00e3o, temporariamente.<\/p>\n<p>Vieram em trajes de Stragon e Vladimir a espera de um Godot que lhes pagar\u00e1 o soldo pelos servi\u00e7os prestados, se chegar.<\/p>\n<p>Eram os personagens ideais para dialogar com Glauber, que n\u00e3o os conheceu com essa cara, mas com muitas outras &#8211; que, nesse mundo, sempre cordeiros existiram para matar a fome dos lobos.<\/p>\n<p>Mas se sempre existiram cordeiros e lobos, pra que falar deles? Pra que falar das coisas que sempre estiveram a\u00ed, se elas n\u00e3o mudam?\u00a0Ainda acreditamos haver alguma utilidade nisso? N\u00e3o sei, mas n\u00e3o sei fazer diferente. N\u00e3o sou cordeiro, sou cabrito. N\u00e3o sei se bom, mas n\u00e3o vou parar de berrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">marcio meirelles<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Salvador, 16 de novembro de 2004<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><em>Texto escrito\u00a0<\/em>para o programa do espet\u00e1culo ESSE GLAUBER &#8211; pe\u00e7a \u00a0com texto de Aninha Franco, m\u00fasica de Jarbas Bittencourt, com Rita Assemani e Diogo Lopes no elenco. Estreada no \u00a0Teatro XVIII em 2004.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Creio ser Glauber o interlocutor ideal neste momento. \u00c9 para quem quero falar, formular quest\u00f5es, expor conceitos, pensamentos e de quem gostaria de ouvir respostas, id\u00e9ias, frases, palavras, perguntas. Com quem gostaria de discutir o Brasil. Discutir \u00e9tica, est\u00e9tica e politicamente o Brasil. 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