{"id":654,"date":"2010-12-05T22:43:24","date_gmt":"2010-12-06T01:43:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=654"},"modified":"2014-03-23T22:24:45","modified_gmt":"2014-03-24T01:24:45","slug":"um-novo-fato-teatral-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2010\/12\/um-novo-fato-teatral-na-bahia\/","title":{"rendered":"Um novo fato teatral na Bahia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/Topo-blog-Coletivo-01.png\"><br \/>\n<img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-2044\" title=\"Topo blog Coletivo 01\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/Topo-blog-Coletivo-01.png\" alt=\"\" width=\"581\" height=\"207\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/Topo-blog-Coletivo-01.png 968w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/Topo-blog-Coletivo-01-300x106.png 300w\" sizes=\"(max-width: 581px) 100vw, 581px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Posso dizer que um dos maiores acontecimentos teatrais da Bahia nos \u00faltimos anos foi o surgimento do Festival de Teatro do Sub\u00farbio, portanto, do Coletivo de Produtores Culturais do Sub\u00farbio.<\/p>\n<p>A\u00ed tem um sopro de vida para o teatro baiano. N\u00e3o \u00e9 exatamente uma revolu\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, \u00e9 um sentido de urg\u00eancia, uma demonstra\u00e7\u00e3o da necessidade da linguagem, da express\u00e3o c\u00eanica para a sociedade baiana.<\/p>\n<p>N\u00f3s, do centro, do circuito cultural hegem\u00f4nico, temos abandonado cada vez mais as plateias das pe\u00e7as produzidas por nossos pares. Como motivo desse esvaziamento pode ser citado o medo da viol\u00eancia urbana, o sentimento de inseguran\u00e7a, angustiante para a sociedade que evita sair \u00e0 noite, ou o custo dos ingressos&#8230; Mas os est\u00e1dios de futebol, os shows musicais, os ensaios de blocos carnavalescos e outros eventos p\u00fablicos noturnos continuam cheios de gente. Podemos argumentar, em resposta, que nossa \u00e2nsia pela espetacularidade, nossas necessidades est\u00e9ticas, nosso desejo de contato social e debate, para serem satisfeitos, vencem a quest\u00e3o econ\u00f4mica e as amea\u00e7as que rondam as grandes cidades.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o desinteresse pelo que est\u00e1 sendo mostrado ali deve ser, em grande parte, a causa do abandono das salas do teatro produzido no centro. Sejam pesquisas est\u00e9ticas contempor\u00e2neas, sejam reafirma\u00e7\u00f5es de c\u00e2nones cl\u00e1ssicos ou tradicionais, sejam c\u00f3pias provincianas do teatro cosmopolita do sul ou do estrangeiro, o que est\u00e1 sendo mostrado n\u00e3o nos faz vencer os obst\u00e1culos para compartilharmos uma plateia de teatro. E os \u00edndices percentuais de ocupa\u00e7\u00e3o das plateias continuam baixos, as temporadas continuam diminuindo. Com algumas exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00f3s, do centro, nos perguntamos preconceituosamente: se o teatro n\u00e3o tem sido para n\u00f3s um item da cesta b\u00e1sica, por que ent\u00e3o os jovens da periferia t\u00eam se interessado por ele, quando faltam tantos itens nas suas?<\/p>\n<p>A\u00ed est\u00e1. Porque para a periferia o teatro ainda \u00e9, e cada vez mais, uma plataforma de debate pol\u00edtico. Um debate racial e socialmente afirmativo: Queremos ser vistos, queremos ter voz, queremos dizer e ouvir o que pensamos sobre o mundo. E atrav\u00e9s de todas as formas e linguagens poss\u00edveis: rap, hip hop, grafite, literatura, dan\u00e7a, audiovisual e teatro. E queremos ter o controle sobre as formas de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de nossos discursos. As tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XXI permitem isto. Para o teatro, arte e linguagem coletiva, precisamos criar coletivos de produtores, n\u00e3o s\u00f3 de artistas. \u00c9 o que podemos ouvir desse movimento.<\/p>\n<p>E viva o teatro vivo e pulsante e todas as experi\u00eancias e descobertas est\u00e9ticas e as reinven\u00e7\u00f5es em processos que esses grupos est\u00e3o propondo, porque podem revitalizar o teatro como necessidade humana de express\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste sentido, \u00e9 um passo adiante na experi\u00eancia do Bando de Teatro Olodum \u2013 parceiro e admirador desse movimento. Se, nos anos 90, constru\u00edmos um grupo por uma necessidade est\u00e9tica que se transformou num projeto pol\u00edtico, fizemos isto a partir do centro: do Olodum, que estava consagrado e institucionalizado, e da carreira de alguns artistas, inclusive eu, tamb\u00e9m j\u00e1 estabelecidos e reconhecidos pelo centro.<\/p>\n<p>Mesmo que eu tenha deixado de lado a est\u00e9tica c\u00eanica que vinha desenvolvendo. Mesmo que tenha esquecido as minhas, para perceber e entender as experi\u00eancias oriundas dos grupos amadores e militantes dos quais vieram aqueles candidatos para formar um grupo de teatro negro. Mesmo que tenha abandonado a minha para construir uma metodologia de trabalho que fosse reflexo da diversidade de experi\u00eancias que se apresentavam ali. Mesmo que, para construirmos uma est\u00e9tica pr\u00f3pria e nova para todos n\u00f3s, do centro e da periferia, tenha sido determinante misturarmos as contribui\u00e7\u00f5es de todos n\u00f3s. Ainda assim a produ\u00e7\u00e3o era central, era nossa, dos coordenadores do grupo: Chica Carelli, Maria Eug\u00eania Milet, Leda Ornelas e depois, substituindo as duas \u00faltimas, Zebrinha e Jarbas Bittencourt e eu. Aos poucos \u00e9 que os atores passaram a participar da produ\u00e7\u00e3o, embora sempre todos tivessem tido voz nas decis\u00f5es.<\/p>\n<p>O Coletivo de Produtores Culturais do Sub\u00farbio inverteu a ordem. Eles produzem v\u00e1rios grupos e eventos geradores de fatos est\u00e9ticos, eles ocupam a m\u00eddia central a partir de seu territ\u00f3rio. Eles mostram a import\u00e2ncia que o teatro feito por eles tem para seus bairros e suas comunidades. E s\u00e3o capazes tamb\u00e9m de produzir no centro, como \u00e9 o caso da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do A cena t\u00e1 preta, realizado pelo teatro Vila Velha\/Bando de Teatro Olodum.<\/p>\n<p>O fato \u00e9tico e pol\u00edtico j\u00e1 se estabeleceu, o est\u00e9tico vem junto. A comunh\u00e3o da assembleia e do orador para partilhar o mesmo discurso est\u00e1 acontecendo. As estrat\u00e9gias po\u00e9ticas e lingu\u00edsticas para gerar o fato c\u00eanico a ser partilhado est\u00e3o em constru\u00e7\u00e3o como a justi\u00e7a na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>m<em>arcio meirelles, rio de janeiro &#8211; 5 de dezembro de 2010 <\/em>www<em>.<\/em>http:\/\/coletivodeprodutores.blogspot.com.br\/2011\/11\/fts.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Posso dizer que um dos maiores acontecimentos teatrais da Bahia nos \u00faltimos anos foi o surgimento do Festival de Teatro do Sub\u00farbio, portanto, do Coletivo de Produtores Culturais do Sub\u00farbio. A\u00ed tem um sopro de vida para o teatro baiano. 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