{"id":712,"date":"2010-05-10T10:16:24","date_gmt":"2010-05-10T13:16:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=712"},"modified":"2014-03-24T08:47:44","modified_gmt":"2014-03-24T11:47:44","slug":"desconhecimento-de-causa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2010\/05\/desconhecimento-de-causa\/","title":{"rendered":"DESCONHECIMENTO DE CAUSA"},"content":{"rendered":"<p><em>Texto &#8211; <em>assinado pela assessoria de comunica\u00e7\u00e3o da Secretaria de Estado da Cultura da Bahia &#8211;\u00a0<\/em>em resposta ao artigo de Caetano Veloso, publicado no jornal O Globo, em 9 de maio de 2010, sobre o Pelourinho.<\/em><\/p>\n<p><a style=\"text-align: center; font-size: 13px; line-height: 19px;\" href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Remix_Doc_TiagoLima-0031-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-2054  aligncenter\" title=\"REJANE MAIA em ensaio de trilogiaREMIX.doc#aquartape\u00e7a - foto: tiago lima\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Remix_Doc_TiagoLima-0031-2.jpg\" alt=\"\" width=\"614\" height=\"410\" srcset=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Remix_Doc_TiagoLima-0031-2.jpg 1024w, http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/Remix_Doc_TiagoLima-0031-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 614px) 100vw, 614px\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"mceTemp mceIEcenter\">\n<dl id=\"attachment_2054\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 624px;\">\n<dd class=\"wp-caption-dd\">REJANE MAIA em ensaio de trilogiaREMIX.doc#aquartape\u00e7a &#8211; foto: tiago lima<\/dd>\n<\/dl>\n<\/div>\n<p>Foi durante a encena\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo \u201d\u00d3 Pa\u00ed \u00d3\u201d que Caetano Velloso entrou em contato a \u201cTrilogia do Pel\u00f4\u201d, textos que nos anos 90 fizeram uma radiografia do processo pelo qual passava o Pelourinho, cora\u00e7\u00e3o do Centro Hist\u00f3rico de Salvador. E foi em \u201cBai Bai Pel\u00f4\u201d que ele viu pela primeira vez Virg\u00ednia Rodrigues que se revelou uma das mais belas vozes da Bahia contempor\u00e2nea. Em \u201cBai Bai Pel\u00f4\u201d, que tratava da reforma realizada por Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es, estava exposta a viol\u00eancia com que se deu o processo: expuls\u00e3o de moradores e indeniza\u00e7\u00f5es irris\u00f3rias para os que sa\u00edssem na base do acordo. Como pode ser visto de forma passageira na s\u00e9rie para a televis\u00e3o, Neuz\u00e3o j\u00e1 tinha o seu bar, a baiana tinha sua panela de inox, mas ningu\u00e9m sabia o que fazer com o Neg\u00f3cio Torto, um mendigo, representante e herdeiro de todas as pen\u00farias acumuladas nos s\u00e9culos de decad\u00eancia do nosso Centro Hist\u00f3rico, situa\u00e7\u00e3o similar a outros s\u00edtios hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Nosso Centro acelerou sua decad\u00eancia com a cria\u00e7\u00e3o do Centro Admnistrativo da Bahia e o esvaziamento da localidade com a sa\u00edda de milhares de trabalhadores da regi\u00e3o, com a diminui\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o de pessoas nessas \u00e1reas. Em 1996, logo ap\u00f3s a reforma que transformou o Pelourinho em um cen\u00e1rio, comerciantes j\u00e1 escreviam cartas que mostravam que o que estava sendo pensado para o local n\u00e3o daria certo.<\/p>\n<p>Feito sob forte subs\u00eddio do Estado, a reforma consolidou no imagin\u00e1rio de todos que o Pelourinho \u00e9 o Centro Hist\u00f3rico de Salvador, desconsiderando todo o seu entorno, onde realmente est\u00e3o localizados os problemas. Al\u00e9m disso, as d\u00edvidas que custearam esse projeto se acumulam at\u00e9 hoje. Dados de agosto de 2009, mostram que 55% dos comerciantes e 85% dos residentes da regi\u00e3o est\u00e3o inadimplentes com o Estado, acumulando uma d\u00edvida de d\u00e9cadas que ultrapassa os R$ 6 milh\u00f5es. S\u00e3o habitantes e comerciantes vivendo \u00e0s custas do Estado, sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com a sustentabilidade. Falta compromentimento de muitos comerciantes que n\u00e3o divulgam seu empreendimento, n\u00e3o possuem m\u00e1quinas de cart\u00e3o de cr\u00e9dito ou d\u00e9bito, situa\u00e7\u00e3o impens\u00e1vel para um local que recebe milhares de turistas por ano. Dependem unicamente do poder p\u00fablico para levarem seus neg\u00f3cios. Mas temos sinais de melhorias, com empreendimentos a exemplo de grandes hot\u00e9is de luxo, com\u00e9rcio de alimentos, bares, que passaram a atrair um outro tipo de consumidor, sem contar em ruas tradicionais como o Tabo\u00e3o e Saldanha que n\u00e3o sabem o que \u00e9 crise com seu bem sucedido com\u00e9rcio de estofados e eletr\u00f4nicos que j\u00e1 dura d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>A reforma que Lina Bo Bardi propos a esta regi\u00e3o, que poderia garantir sustentabilidade com forte apoio na cultura local n\u00e3o foi realizada e substituida pelo projeto de ACM. Ningu\u00e9m considerou a reforma implementada anti kertzsiana porque foi M\u00e1rio Kertzs quem trouxe Lina para fazer as interven\u00e7\u00f5es do Centro Hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Este governo n\u00e3o quer desfazer nada de bom que ningu\u00e9m fez. Pelo contr\u00e1rio, estamos tentado desfazer um erro \u201cista\u201d, de autoria, de uma coisa que aparentemente se grudou \u00e0 imagem da regi\u00e3o e n\u00e3o deu certo. V\u00e1rios outros projetos que deram certo, foram mantidos ou potencializados, n\u00e3o s\u00f3 por nossa pasta, mas por todas as outras secretarias.<\/p>\n<p>O Centro Hist\u00f3rico de Salvador \u00e9 uma \u00e1rea governada pelas tr\u00eas esferas de poder. A Secretaria de Cultura do Estado, atrav\u00e9s do Escrit\u00f3rio de Refer\u00eancia, lidera a constru\u00e7\u00e3o do Plano de Reabilita\u00e7\u00e3o do Centro Antigo de Salvador, realizado em parceria com a Unesco e que est\u00e1 pronto com 14 proposi\u00e7\u00f5es para a regi\u00e3o, entre elas, a constru\u00e7\u00e3o de um Fundo financeiro e um novo modelo de governan\u00e7a da regi\u00e3o, principalmente do patrim\u00f4nio imobili\u00e1rio, inspirado no da Zona Portu\u00e1ria do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da nossa gest\u00e3o, conclamamos os entes federativos a assumirem suas responsabilidades nesse bairro da cidade de Salvador, como a prefeitura que precisa cuidar da limpeza, da ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Assim como o Iphan, entidade federal, que tem olhado atentamente para a regi\u00e3o proibindo os grandes eventos no Largo do Pelourinho e Terreiro de Jesus porque causam preju\u00edzo ao patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, acatando pedido da Arquidiocese de Salvador, dona de muitos im\u00f3veis na regi\u00e3o, e ao mesmo tempo, desagrando parte dos comerciantes que acreditam que s\u00e3o os megaeventos que trazem p\u00fablico consumidor.<\/p>\n<p>Por esta \u00e1rea circulam diariamente milhares de pessoas por motivo de trabalho ou pela busca de com\u00e9rcio e servi\u00e7os. Todos os especialistas em Centros Hist\u00f3ricos s\u00e3o categ\u00f3ricos em afirmar que a solu\u00e7\u00e3o para os problemas dessa regi\u00e3o est\u00e1 numa combina\u00e7\u00e3o entre moradia e trabalho, coisa que o projeto de reforma antigo n\u00e3o previa, transformando o Pel\u00f4 numa \u00e1rea excludente e turistica.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do Estado, ao mesmo tempo em que desenvolv\u00edamos o Plano, tratamos de realizar a\u00e7\u00f5es emergenciais como a requalifica\u00e7\u00e3o de toda a ilumina\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o, pintando fachadas, qualificando os acessos ao Centro Hist\u00f3rico, contratando atrav\u00e9s de sele\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, uma diversidade e artistas para realizarem shows nas pra\u00e7as administradas pela Secretaria de Cultura. Requalificamos equipamentos culturais a exemplo do Museu Udo Knoff e do Solar Ferr\u00e3o, triplicando a frequ\u00eancia de p\u00fablico. Neste \u00faltimo, al\u00e9m da cole\u00e7\u00e3o de arte africana de Cl\u00e1udio Masela, colocamos em exposi\u00e7\u00e3o o acerto de arte popular de Lina Bo com centenas de pe\u00e7as que estava trancados nos por\u00f5es do Estado desde 1965.<\/p>\n<p>Reformamos a Igreja do Boqueir\u00e3o, o Pal\u00e1cio Rio Branco, estamos reformando a Igreja de Nossa Senhora Ros\u00e1rio dos Pretos. Quem olha para a igreja de Nossa Senhora do Pilar, em reforma, nem imagina que do cemit\u00e9rio, com jazigos do s\u00e9culo 19, foram retiradas 2,5 mil toneladas de lixo e entulhos (sic), o equivalente a 300 ca\u00e7ambas, sendo necess\u00e1rios tr\u00eas meses s\u00f3 para limpar o local, mostrando a neglig\u00eancia de d\u00e9cadas de quem tinha obriga\u00e7\u00e3o de cuidar desses monumentos. S\u00f3 nesse programa de reforma de monumentos s\u00e3o R$ 30 milh\u00f5es de ivnestimento em parceria com o Minist\u00e9rio do Turismo, atrav\u00e9s do PRODETUR.<\/p>\n<p>O Plano de Reabilita\u00e7\u00e3o do Centro Antigo de Salvador \u00e9 a primeira tentativa, em todos esses anos, de construir um plano de trabalho e a\u00e7\u00f5es de curto, longo e m\u00e9dio prazo, de forma participativa e democr\u00e1tica. Vamos apresent\u00e1-lo no dia 2 de junho, data em que entregaremos o Pal\u00e1cio Rio Branco completamente restaurado, e seria muito bom contar com a presen\u00e7a de personalidades p\u00fablicas que se preocupam com o Centro Historico, a exemplo do meu amigo Caetano Veloso.<\/p>\n<p>O processo inclusivo de discuss\u00e3o com o cidad\u00e3o, nos rendeu o pr\u00eamio de Melhores Pr\u00e1ticas em Gest\u00e3o Local da Caixa Econ\u00f4mica Federal e significa que pode ser replicado em outras regi\u00f5es do Brasil e do Mundo. Agora, estamos concorrendo ao BEST PRACTICES da Onu, em Dubai.<\/p>\n<p>O artigo de Caetano faz uma provoca\u00e7\u00e3o ao governo e nos d\u00e1 direito de dizer o que estamos realizando na \u00e1rea, mas assim como alguns moradores que n\u00e3o passam por essa \u00e1rea, lhe falta conhecimento de causa.<\/p>\n<p>Quem frequenta e ama o Pelourinho, sabe que muita coisa mudou para melhor e que outras mudan\u00e7as dependem de melhor sintonia entre poderes municipal, estadual e federal. Alguns s\u00f3 reproduzem a voz dos descontentes, daqueles que esperavam desse governo o tratamento bajulador e propineiro.<\/p>\n<p>No momento, a luta do Governo tem sido eliminar das ruas do Centro Hist\u00f3rio, um problema de sa\u00fade p\u00fablica chamado \u201ccraque\u201d que tem assolado n\u00e3o s\u00f3 o nosso Centro, mas grande parte dos munic\u00edpios de todo o Brasil, aumentando os \u00edndices de viol\u00eancia, acabando com todas as esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto &#8211; assinado pela assessoria de comunica\u00e7\u00e3o da Secretaria de Estado da Cultura da Bahia &#8211;\u00a0em resposta ao artigo de Caetano Veloso, publicado no jornal O Globo, em 9 de maio de 2010, sobre o Pelourinho. 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