{"id":714,"date":"2008-02-24T10:20:24","date_gmt":"2008-02-24T13:20:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=714"},"modified":"2011-10-01T10:29:06","modified_gmt":"2011-10-01T13:29:06","slug":"caetano-veloso-critica-gabarito","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2008\/02\/caetano-veloso-critica-gabarito\/","title":{"rendered":"Caetano Veloso critica gabarito"},"content":{"rendered":"<p><em>Entrevista com Caetano Veloso, publicada pelo jornal A Tarde \u00e0 jornalista Mary Weinstein e <a href=\"http:\/\/www.psdbbahia.org.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=84:caetano-veloso-critica-gabarito-24022008-&amp;catid=46:imprensa-entrevistas&amp;Itemid=70\" target=\"_blank\">replicada pelo portal PSDB Bahia<\/a>, em 24 de fevereiro de 2008.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/caetano.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-715\" title=\"caetano\" src=\"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/caetano.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"210\" \/><\/a><\/p>\n<p>Compositor de m\u00fasicas que falam de Salvador e de cidades brasileiras e de outros pa\u00edses, o santoamarense Caetano Veloso tem um pensamento formado sobre elas. E \u00e9 capaz de ficar horas dizendo nomes de ruas por onde passava e descrevendo costumes que se tinham e ele observava.<\/p>\n<p>Nesta entrevista exclusiva \u00e0 jornalista MARY WEINSTEIN, Caetano, que h\u00e1 uns 25 anos defendeu a Lagoa do Abaet\u00e9 contra a retirada de caminh\u00f5es de areia de sua borda, volta a falar sobre areia, s\u00f3 que a da praia, porque ficou indignado com as barracas que se constru\u00edram na orla mar\u00edtima da capital. Falando de Salvador, onde religiosamente passa os ver\u00f5es, indo a shows, pe\u00e7as de teatro e a bares e restaurantes, lembra de coisas do seu dia-a-dia do passado, como as caminhadas que fazia entre a Gra\u00e7a e Nazar\u00e9, e da beleza que via no Pelourinho, mesmo degradado. Ele ia l\u00e1 s\u00f3 para olhar o casario e o tra\u00e7ado das ruas. Caetano gosta do patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico das cidades e acha que ele deve ser preservado.<\/p>\n<p>O autor de Trilhos Urbanos e Podres Poderes discorre sobre o referencial arquitet\u00f4nico de outros pa\u00edses. Contou sobre o Carnaval deste ano e os de quando ia ao Clube Fantoches.<\/p>\n<p>Explicou sobre o preconceito que ele acha que existe contra a Ax\u00e9 Music e falou sobre a situa\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica do Brasil. Ele topou falar basicamente sobre cidade e suas culturas.<\/p>\n<p><strong>A TARDE &#8211; Quais s\u00e3o suas impress\u00f5es sobre Salvador?<\/strong><br \/>\nCAETANO VELOSO | Ao longo de toda a minha vida, eu vi muitos problemas em Salvador. Mas isso \u00e9 um lugar comum no brasileiro de qualquer lugar (risos). O importante \u00e9 que, apesar de tudo, algumas coisas s\u00f3lidas das caracter\u00edsticas definidoras do lugar t\u00eam conseguido sobreviver, e algumas se desenvolver. Eu sempre morei em Nazar\u00e9. Primeiro no Toror\u00f3, que \u00e9 um sub-bairro de Nazar\u00e9, depois no Boulevard Su\u00ed\u00e7o e depois no fim de linha (Caetano explicou direitinho onde e disse que via aquelas meninas&#8221; que eram uma da cintura pra baixo e duas da cintura pra cima&#8221;, as xif\u00f3pagas que passeavam no jardim do Hospital Santa Isabel). Eu sempre vinha andando da Gra\u00e7a para Nazar\u00e9 e passava pelo Pelourinho. Salvador tinha um lado um tanto triste. \u00c9 o que Stefan Zweig diz no livro sobre o Brasil.<\/p>\n<p>Que Salvador parecia uma vi\u00fava triste mas altiva. Eu ficava sentado onde hoje \u00e9 a Funda\u00e7\u00e3o Casa de Jorge Amado pra olhar aquela forma\u00e7\u00e3o de arquitetura. Eu achava aquilo bonito, e ficava com pena, que ia acabar. Era bonito, mas eu era (considerado) um &#8220;freak&#8221; por achar aquele lugar bonito e ir l\u00e1, entendeu?<\/p>\n<p><strong>AT &#8211; Naquela \u00e9poca, o Pelourinho estava acabado, mesmo. Foi restaurado e voc\u00ea continua um freq\u00fcentador.<\/strong><br \/>\nMe deu vontade de ficar aqui mais tempo e toda segunda-feira ir \u00e0 Cantina da Lua. \u00c9 muito bonito, voc\u00ea sai do estacionamento e anda por umas ruas de onde voc\u00ea v\u00ea uns pr\u00e9dios antigos lindos. Aquilo pegou.<\/p>\n<p>Porque podia n\u00e3o pegar porque foi tudo injetado, tudo feito propositadamente. Mas essas coisas quando t\u00eam lastro, elas vingam.<br \/>\nEu me lembro que o primeiro a fazer uma coisa assim foi um prefeito por quem eu fiz campanha no resto do pa\u00eds e no pr\u00f3prio lugar onde ele atuava, que era o Jaime Lerner, em Curitiba. Tomei at\u00e9 vaias porque ele tinha sido prefeito bi\u00f4nico.<\/p>\n<p>Vaias dos estudantes de esquerda.<\/p>\n<p>Mas o fato \u00e9 que ele deu um exemplo. E em Curitiba n\u00e3o tinha quase nada. Se fosse feito algo semelhante em cidades como Salvador, S\u00e3o Lu\u00eds, Recife, seria \u00f3timo.<\/p>\n<p>E veio a ser. S\u00e3o Lu\u00eds hoje \u00e9 a cidade mais bonita do Brasil. Quando Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es e Sarney foram se tornando respectivamente na Bahia e no Maranh\u00e3o lideran\u00e7as pol\u00edticas \u2013 ali\u00e1s, demasiadamente abrangentes \u2013, eles n\u00e3o tinham em mente restaurar a parte antiga das cidades. Porque naquela \u00e9poca n\u00e3o havia essa cultura de querer restaurar.<\/p>\n<p><strong>AT &#8211; O Pelourinho era um lugar estigmatizado, deixado pra l\u00e1.<\/strong><br \/>\n\u00c9. O Brasil vinha daquele movimento que chegou na Bahia de afrancesar as cidades para esconder, com vergonha, a tradi\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica portuguesa, no come\u00e7o do s\u00e9culo XX. O impulso ainda era esse. Para se come\u00e7ar a se cultivar a beleza da arquitetura portuguesa, demorou muito. E essas lideran\u00e7as apareceram na Bahia e no Maranh\u00e3o antes que essas mudan\u00e7as ocorressem. Se a mudan\u00e7a n\u00e3o ocorresse, eles n\u00e3o teriam se voltado para isso. Isso aqui, voc\u00ea fala Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es.<br \/>\nN\u00e3o foi ele que fez (a restaura\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Foi o gosto do povo brasileiro que fez, foi a necessidade, a moderniza\u00e7\u00e3o da mente dos baianos e dos brasileiros em geral, que levou essas lideran\u00e7as a terem que fazer essas coisas, porque eles estiveram ou est\u00e3o visceralmente ligados aos movimentos dessa sociedade, e se tornaram quase monarcas dessas regi\u00f5es. Isso que eu estou falando \u00e9 complicado. \u00c9 uma atitude relativa ao gosto, que n\u00e3o poderia ter sido tomada se o gosto da coletividade n\u00e3o tivesse mudado t\u00e3o grandemente quanto mudou. As coisas s\u00e3o assim. Na \u00e9poca em que Imbassahy era prefeito, se propunha fazer uns avan\u00e7os sobre a praia.<\/p>\n<p><strong>AT &#8211; Lembra que lhe mandei um e-mail sobre isso?<\/strong><br \/>\nSim e eu lhe respondi e voc\u00ea usou (em mat\u00e9rias). Essas coisas s\u00e3o press\u00f5es de grupos ou de poder.<\/p>\n<p>Todo governo \u00e9 assim. Eu sou contra, acho que o Porto da Barra \u00e9 uma j\u00f3ia. Quem \u00e9 o respons\u00e1vel pela limpeza do Porto da Barra? Nunca vi o Porto t\u00e3o sujo. No per\u00edodo de Imbassahy tinham v\u00e1rias coisas que voc\u00ea percebia que eram implementadas. Agora, eu acho que est\u00e1 confuso. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que tenham constru\u00eddo essas casas em cima da areia da praia para serem permanentes. Porque isso \u00e9 como construir uma favela. E ocupar parte da areia. O movimento deveria ser em sentido inverso. Devia ser o de desencorajar o que quer que seja de permanente sobre as areias das praias. O que havia na praia \u2013 e era bonito \u2013 eram as casas dos pescadores quando havia puxada de rede e tudo o mais. Mas isso foi acabado pelo Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es, na \u00e9poca da ditadura.<\/p>\n<p>E eu protestei contra isso. Mas as barracas de vender bebida e n\u00e3o sei qu\u00ea, na praia, n\u00e3o podem ser uma coisa que fique ali. Acho errado.\u00a0Eu sou contra at\u00e9 aquele lugar que os guarda-s\u00f3is ficam, fechados, durante a noite. Parece um cemit\u00e9rio.\u00a0Areia da praia \u00e9 areia da praia. No Rio tem muito mais gente, t\u00eam que vender muito mais bebida e, no entanto, cada um chega, p\u00f5e sua barraca provis\u00f3ria de manh\u00e3 e retira \u00e0s cinco horas da tarde.\u00a0E n\u00e3o fica nada, a praia fica limpa.<\/p>\n<p><strong>AT &#8211; Esse neg\u00f3cio das barracas poderia ter sido evitado se o Patrim\u00f4nio da Uni\u00e3o tivesse usado o seu poder de pol\u00edcia para impedir a coloca\u00e7\u00e3o do primeiro tijolo.<\/strong><br \/>\nMas eu estou 100% com voc\u00ea.\u00a0Deveria ter sido simples assim. Os poderes deveriam ter sido aplicados dessa maneira. \u00c9 evidente.<\/p>\n<p><strong>AT &#8211; O que voc\u00ea diz sobre o aumento dos gabaritos da orla?<\/strong><br \/>\nEu li no jornal que havia uma libera\u00e7\u00e3o do gabarito da orla, sem sequer as restri\u00e7\u00f5es que havia num outro projeto, de dist\u00e2ncia entre os pr\u00e9dios. Eu fiquei apavorado porque acho que tem-se que ter um projeto muito claro para a orla de Salvador, porque o desenvolvimento \u00e9 inevit\u00e1vel. Ent\u00e3o, libera\u00e7\u00e3o de gabarito \u00e9 a pior not\u00edcia que poderia chegar aos meus ouvidos.<br \/>\nPorque j\u00e1 come\u00e7a com um neg\u00f3cio de vale tudo, que \u00e9 justamente o contr\u00e1rio do que deve acontecer.<\/p>\n<p>Deve haver o planejamento mais cuidadoso poss\u00edvel, e n\u00e3o libera\u00e7\u00f5es que facilitem constru\u00e7\u00f5es de qualquer maneira. No Rio, em Ipanema e Leblon, voc\u00ea n\u00e3o podia construir mais que quatro andares.\u00a0Mas sempre aparece um prefeito que, por causa de dinheiro, abre uma exce\u00e7\u00e3o pra fulano e a\u00ed, primeiro para os hot\u00e9is, mas s\u00f3 hotel, e a\u00ed pronto (em ritmo de rap).\u00a0Mas a\u00ed, como abriu pra hotel, a\u00ed abre pra um sujeito que d\u00e1 um dinheiro pro prefeito.<\/p>\n<p><strong>AT -Aqui s\u00e3o 18 andares para hot\u00e9is. E na Cidade Baixa tamb\u00e9m houve amplia\u00e7\u00e3o de gabarito.<\/strong><br \/>\nJunto \u00e0 praia? Acho que isso deveria ser melhor pensado e achando os caminhos vi\u00e1veis de implementar restri\u00e7\u00f5es. \u00c9 parte de uma conscientiza\u00e7\u00e3o do que \u00e9 o tratamento urbano. A prova de que os brasileiros n\u00e3o tinham isso em mente \u00e9 a maneira ca\u00f3tica como as cidades brasileiras cresceram todas.<\/p>\n<p>E todas est\u00e3o parecidas. S\u00e3o Paulo \u00e9 o exemplo m\u00e1ximo e \u00e9 o modelo que foi seguido por todas as cidades. Aquele trecho do Com\u00e9rcio pediria um tratamento como Recife velho e Pelourinho. No m\u00ednimo. A essa altura, possivelmente, melhor, porque j\u00e1 se sabe mais coisa. Mas eu vou dizer uma coisa que eu acho que, de certa forma, resume tudo isso. Que o Brasil, como todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, que t\u00eam rel\u00edquias arquitet\u00f4nicas, coisas que os Estados Unidos n\u00e3o t\u00eam, deviam aprender com os pa\u00edses europeus, porque nesse aspecto, n\u00f3s parecemos com os pa\u00edses europeus. E a forma americana n\u00e3o nos serve. Americano faz uma igreja de madeira pra derrubar depois. Voc\u00ea viaja no Peru, no M\u00e9xico, no Brasil, na Col\u00f4mbia, \u00e9 lindo. Nos Estados Unidos, o que tem de bonito foi constru\u00eddo nos anos 20, 30, 40, 50. Aqui deveria ser pensado como Paris, Roma, Praga, Atenas. Mas j\u00e1 h\u00e1 um pouco desse pensamento. Como eu falei, a recupera\u00e7\u00e3o do Pelourinho, S\u00e3o Lu\u00eds, Recife. Porque a pr\u00f3pria coisa se imp\u00f5e, apesar de n\u00e3o se pensar dessa maneira e se deixar o crescimento ca\u00f3tico continuar. E agora \u00e9 preciso que a gente n\u00e3o permita que apesar disso se destrua tudo.<br \/>\nEu acho que h\u00e1 coisas que t\u00eam que ser defendidas pelo poder p\u00fablico e que n\u00e3o podem s\u00f3 ficar entregues aos interesses econ\u00f4micos.<\/p>\n<p><strong>AT &#8211; Vamos falar de Carnaval. O &#8220;deixa a gente sem gra\u00e7a no sal\u00e3o&#8221;, significa que voc\u00ea n\u00e3o ia para o sal\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEu ia pra festa de sal\u00e3o (risos).\u00a0Porque o Carnaval antigamente era de dia. E \u00e0 noite tinham os bailes.<\/p>\n<p>O pessoal, assim, classe m\u00e9dia ia pra o Iate, a Associa\u00e7\u00e3o (Atl\u00e9tica) e pra o Baiano (de T\u00eanis). Uma vez eu fui pra o Iate, j\u00e1 quando eu estava namorando com Ded\u00e9, porque Ded\u00e9 era dessa \u00e1rea, gente mais rica, e era s\u00f3cia. Mas antes, todo Carnaval, eu ia pra os bailes do Fantoches. Sabe o Fantoches? Era o meu baile de Carnaval, todo ano eu ia. Porque de noite n\u00e3o tinha nada. Acabava tudo. Come\u00e7ou as pessoas a sa\u00edrem mais tarde da rua nos anos 70 em diante.<\/p>\n<p><strong>AT &#8211; O Fantoches \u00e9 outro lugar que deveria ser preservado. Mas n\u00e3o vamos voltar a isso de novo.<\/strong><br \/>\n\u00c9, devia ser preservado<\/p>\n<p><strong>AT &#8211; Voc\u00ea ia mesmo atr\u00e1s do trio el\u00e9trico?<\/strong><br \/>\nSim. E vou. Esse ano eu fui com Zeca, meu filho, e os amigos dele atr\u00e1s dos mascarados. E eu ia de novo, mas segunda-feira, eu me contundi. No ano passado, eu fui atr\u00e1s do Carlinhos Brown, de l\u00e1 da Barra at\u00e9 fechar em Ondina. Esse ano, ainda andei atr\u00e1s do Fat Boy Slim. Depois eles me chamaram pra subir no caminh\u00e3o. O Brown eu me mostrei pra ele s\u00f3 no final. Mas ele fica no ch\u00e3o, eu fiquei no ch\u00e3o com ele, mas nem me mostrei. Eu fiquei atr\u00e1s mesmo. \u00c9, eu gosto muito. \u00c9 igual como quando eu era novo e eu adoro. Eu fico olhando muito, quando o Gil tinha um camarote no Oceania, dava pra ver muito a rua. Dos camarotes de Gil e Daniela hoje d\u00e1 pra ver pouco porque a rua \u00e9 estreita. Voc\u00ea tem que ficar na beirada olhando. E mesmo assim, eu olho um bocado. E vejo como o essencial ainda est\u00e1 ali. A maioria das pessoas fica na rua brincando atr\u00e1s do trio que quer. E do bloco que quer.<\/p>\n<p><strong>AT &#8211; Voc\u00ea acha que sem a sua m\u00fasica Atr\u00e1s do Trio El\u00e9trico, os trios teriam vingado, j\u00e1 que existia muito preconceito?<\/strong><br \/>\nMas ainda tem preconceito.\u00a0Muito dessa rea\u00e7\u00e3o contra a Ax\u00e9 Music \u00e9 o mesmo velho preconceito.<br \/>\nEu sou amigo do M\u00e1rcio Meirelles, acho um sujeito doce, adoro \u00d3 Pai \u00d3, o trabalho do Bando de Teatro Olodum, mas sou radicalmente contra a opini\u00e3o dele sobre a Ax\u00e9 Music. Como secret\u00e1rio (de Cultura), ele disse que o Carnaval fica todo com a Ax\u00e9Music. At\u00e9 esse apelido, nem delimita bem o que \u00e9. Isso foi feito por um cr\u00edtico de rock, que odeia Carnaval em geral, que quer ser americano ou ingl\u00eas, que j\u00e1 acha chato ser baiano, quanto mais brasileiro.<\/p>\n<p><strong>AT &#8211; Sobre a situa\u00e7\u00e3o brasileira, o que voc\u00ea v\u00ea?<\/strong><br \/>\nO Mangabeira Unger (professor de Direito de Harvard (EUA), agora ministro) tem um pensamento reformista radical que \u00e9 baseado em inteligent\u00edssimos estudos pol\u00edticos que ele vem fazendo ao longo da vida e que ele dedica a tentar resolver o problema do Brasil e que o Brasil n\u00e3o pode jogar fora.<\/p>\n<p>E ele me interessa porque \u00e9 o \u00fanico projeto que voc\u00ea pode chamar como nitidamente de esquerda e que n\u00e3o \u00e9 uma perdi\u00e7\u00e3o. Porque esse neg\u00f3cio de virar o jogo para o lado da distribui\u00e7\u00e3o de renda e para a justi\u00e7a social \u00e9 um neg\u00f3cio grande pra o Brasil fazer, ent\u00e3o tem que ser feito. Isso n\u00e3o \u00e9 um chav\u00e3o e pode ser repetido quantas vezes forem necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Caetano Veloso, publicada pelo jornal A Tarde \u00e0 jornalista Mary Weinstein e replicada pelo portal PSDB Bahia, em 24 de fevereiro de 2008. &nbsp; Compositor de m\u00fasicas que falam de Salvador e de cidades brasileiras e de outros pa\u00edses, o santoamarense Caetano Veloso tem um pensamento formado sobre<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":715,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/714"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=714"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/714\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":717,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/714\/revisions\/717"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/715"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=714"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=714"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=714"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}