{"id":785,"date":"2008-05-05T01:27:11","date_gmt":"2008-05-05T04:27:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=785"},"modified":"2011-10-03T01:28:51","modified_gmt":"2011-10-03T04:28:51","slug":"reabertura-do-vila-velha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2008\/05\/reabertura-do-vila-velha\/","title":{"rendered":"Reabertura do Vila Velha"},"content":{"rendered":"<p><em>Texto de Marcio Meirelles, escrito para a reabertura do Teatro Vila Velha, em maio de 2008.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Teatro Vila Velha sempre foi um sonho coletivo. Continua sendo, mas no dia 5 de maio vai ser entregue de volta ao mundo real. Agora com a capacidade de abrigar em seu espa\u00e7o f\u00edsico, um projeto cultural que vem sendo desenvolvido desde a sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1959, liderados por Jo\u00e3o Augusto Azevedo, professor de dramaturgia, seis alunos da primeira turma da rec\u00e9m criada Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, planejavam criar uma companhia, t\u00e3o logo se formassem.<\/p>\n<p>Um atrito com o diretor da Escola, precipitou as coisas e fez com que o grupo abandonasse o curso, alguns meses antes da formatura. Criaram ent\u00e3o o primeiro grupo profissional de teatro da Bahia: a Companhia Teatro dos Novos.<\/p>\n<p>Como em Salvador n\u00e3o existiam outros teatros, al\u00e9m do Santo Ant\u00f4nio (da Escola de Teatro), os Novos decidiram criar o seu pr\u00f3prio. E durante quatro anos lutaram por isso. Finalmente, em pleno 1964, inauguram o Teatro Vila Velha.<\/p>\n<p>Um dos shows da temporada de inaugura\u00e7\u00e3o marcou a hist\u00f3ria da cultura brasileira: com Gal Costa, Tomz\u00e9, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Beth\u00e2nia e outros, o show <strong>N\u00f3s por Exemplo <\/strong>plantou a semente da Tropic\u00e1lia no Brasil.<\/p>\n<p>Da\u00ed para c\u00e1 o Teatro Vila Velha se manteve como um marco, uma refer\u00eancia da cultura baiana: mexendo nos ba\u00fas desse Brasil e tirando deles o novo, o vivo, o arrojado, onde estivessem &#8211; no Cordel, nas tradi\u00e7\u00f5es afro brasileiras, no desvario urbano de uma cidade que crescia p\u00f3s implanta\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s e cria\u00e7\u00e3o do Polo Petroqu\u00edmico, na ro\u00e7a, no cora\u00e7\u00e3o de um Brasil que sofria com a repress\u00e3o de uma ditadura militar.<\/p>\n<p>O Vila Velha foi principalmente um local de resist\u00eancia, criando um teatro pol\u00edtico, burlando a censura, servindo de local para a reestrutura\u00e7\u00e3o do Diret\u00f3rio Central dos Estudantes e cria\u00e7\u00e3o do CUCA (Centro Universit\u00e1rio de Cultura e Arte) &#8211; organismos decisivos para a comunidade universit\u00e1ria que discordava do regime.<\/p>\n<p>Depois e durante, o Vila foi tamb\u00e9m palco para a gera\u00e7\u00e3o do desbunde, com seus <strong>Improvisos<\/strong> onde todos podiam se expressar. Foi ber\u00e7o tamb\u00e9m dos Novos Baianos. Foi onde <strong>Fa-tal<\/strong> de Gal aportou na Bahia e muitos shows de Caetano, Gil, Cor do Som, Mautner e tantos e tontos outros.<\/p>\n<p>Com a morte de Jo\u00e3o Augusto, seu projeto cultural e pol\u00edtico ficou a deriva. Seus criadores, os Novos, dispersos h\u00e1 muito tempo, mantinham o teatro, mas n\u00e3o o projeto.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, em 1994, novos Novos entraram na hist\u00f3ria &#8211; entramos &#8211; \u00c2ngela Andrade e eu, que sempre nos sentimos herdeiros culturais de Jo\u00e3o e sua turma, entramos na sociedade com a meta de restaurar o projeto original do teatro.<\/p>\n<p>Durante esses quatro anos que estamos juntos, teatro Vila Velha e n\u00f3s, uma multid\u00e3o de artistas, consagrados e emergentes, tem se juntado em torno das id\u00e9ias que geraram essa usina cultural e feito o Vila reviver.<\/p>\n<p>Agora, com recursos do Minist\u00e9rio da Cultura, da Secretaria de Cultura do Governo do Estado, da Petrobr\u00e1s e da Eletrobr\u00e1s, o Velho Vila volta \u00e0 cena, novo e \u00fanico: um teatro de muita gente e de muitas possibilidades. E de uma concretude que s\u00f3 os sonhos costumam ter.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Marcio Meirelles, escrito para a reabertura do Teatro Vila Velha, em maio de 2008. &nbsp; O Teatro Vila Velha sempre foi um sonho coletivo. Continua sendo, mas no dia 5 de maio vai ser entregue de volta ao mundo real. 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