{"id":797,"date":"2007-12-10T01:37:01","date_gmt":"2007-12-10T04:37:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=797"},"modified":"2011-10-03T01:38:57","modified_gmt":"2011-10-03T04:38:57","slug":"ecoando-marilena","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2007\/12\/ecoando-marilena\/","title":{"rendered":"Ecoando Marilena"},"content":{"rendered":"<p><em>Texto escrito por Marcio Meirelles em 10 de dezembro de 2007.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\u201cQuem habita este planeta n\u00e3o \u00e9 o Homem, mas os homens. A pluralidade \u00e9 a lei da Terra&#8221;<br \/>\n<em>Hannah Arendt<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Marilena Chau\u00ed, por ocasi\u00e3o de sua vinda \u00e0 Bahia para o F\u00f3rum Internacional: M\u00eddia, Poder e Democracia , realizou esta confer\u00eancia sobre \u201cCultura e Democracia\u201d, integrando a programa\u00e7\u00e3o da II Confer\u00eancia Municipal de Cultura e, por ser absolutamente convergente com a proposta pol\u00edtica desta Secretaria de Cultura, pareceu ser um eco iluminado do que foi a II Confer\u00eancia Estadual de Cultura, recentemente realizada. O evento, ocorrido no dia 11 de novembro, no Teatro Castro Alves, foi uma iniciativa da Funda\u00e7\u00e3o Greg\u00f3rio de Mattos, apoiada pela SECULT.<\/p>\n<p>O resultado foi surpreendente: aproximadamente 1500 pessoas lotaram o Teatro Castro Alves, em plena tarde de domingo, para refletir sobre a cultura e seus necess\u00e1rios entrela\u00e7amentos com a democracia. Embora seja ineg\u00e1vel o fasc\u00ednio que a pensadora causa nas pessoas, me perguntei se o processo de participa\u00e7\u00e3o impulsionado pela realiza\u00e7\u00e3o das Confer\u00eancias Municipal e Estadual de Cultura n\u00e3o teria alguma coisa a ver com tamanho interesse.<\/p>\n<p>Estamos inaugurando na Bahia um novo tipo de rela\u00e7\u00e3o entre governo e sociedade. Rela\u00e7\u00e3o honesta, sincera e transparente. Como afirma em seu discurso o governador Jaques Wagner, esta gest\u00e3o tem como regra o di\u00e1logo e a participa\u00e7\u00e3o social. Temos posto em pr\u00e1tica novas possibilidades de conviv\u00eancia, fundadas no debate de id\u00e9ias, incorporando democraticamente a diverg\u00eancia e o conflito.<\/p>\n<p>Para tanto, \u00e9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a de nossa cultura pol\u00edtica, da forma como lidamos com o poder na Bahia. Trocamos o pensamento \u00fanico pela diversidade de id\u00e9ias; trocamos a imposi\u00e7\u00e3o arrogante e a resigna\u00e7\u00e3o silenciosa pela possibilidade de discord\u00e2ncia, pela constru\u00e7\u00e3o negociada de consensos. Enfim, nas palavras de Marilena Chau\u00ed: \u201cuma nova pol\u00edtica cultural precisa come\u00e7ar como cultura pol\u00edtica nova, cuja viga mestra \u00e9 a id\u00e9ia e a pr\u00e1tica de participa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Foi com esse esp\u00edrito que a Secretaria de Cultura deflagrou em 2007 o processo de debate sobre a cultura no estado, que percorreu 390 munic\u00edpios baianos e envolveu aproximadamente 42 mil pessoas.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o \u00e9 um processo que se encerra. Ao contr\u00e1rio, efetiva-se apenas enquanto pr\u00e1tica cotidiana. A II Confer\u00eancia de Cultura n\u00e3o expressa o fim de uma jornada, mas seu in\u00edcio, o ponto zero de uma nova cultura da cultura na Bahia.<\/p>\n<p>Novamente, como afirma a pr\u00f3pria Marilena, \u201ca cultura \u00e9 um direito do cidad\u00e3o, direito de acesso aos bens e obras culturais, direito de fazer cultura e de participar das decis\u00f5es sobre a pol\u00edtica cultural\u201d. O processo de elabora\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica cultural pressop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre a pr\u00f3pria cultura.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, portanto, qualificar cada vez mais o di\u00e1logo em torno da gest\u00e3o da cultura na Bahia. Isso significa aprimorar o processo e as inst\u00e2ncias de media\u00e7\u00e3o; aprender com os erros, que n\u00e3o ser\u00e3o poucos; seduzir a pr\u00f3pria burocracia governamental para a beleza e a riqueza da constru\u00e7\u00e3o coletiva. Significa tamb\u00e9m aprofundar conhecimentos, refletir sobre a imensa diversidade de interpreta\u00e7\u00f5es que a pr\u00f3tospria no\u00e7\u00e3o de cultura nos apresenta.<\/p>\n<p>Marilena Chau\u00ed, com propriedade e precis\u00e3o, interpreta as v\u00e1rias id\u00e9ias de cultura e explicita como foram historicamente constru\u00eddas. Relaciona cada uma delas com a nossa forma de organiza\u00e7\u00e3o em sociedade, explicitando como essa mesma sociedade est\u00e1 organizada para a car\u00eancia e o privil\u00e9gio, impossibilitando a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas culturais democr\u00e1ticas. Enfatiza, sobretudo, a indissociabilidade entre a cidadania cultural e cultura da cidadania.<\/p>\n<p>Este livreto em forma de cartilha \u00e9 o registro dos pensamentos e an\u00e1lises com que fomos brindados no Teatro Castro Alves e que Marilena generosamente permitiu que public\u00e1ssemos para compartilhar com muitos mais. \u00c9 o primeiro de uma s\u00e9rie que colocaremos nas m\u00e3os de muitos, cumprindo nosso prop\u00f3sito de ajudar a Bahia a retomar seu lugar de, al\u00e9m de celeiro de produ\u00e7\u00e3o de muitas culturas, um lugar de reflex\u00e3o sobre ela. Um lugar onde se cultiva a uni\u00e3o indissoci\u00e1vel de cultura e democracia.<\/p>\n<p>Gostaria de solicitar a voc\u00ea, leitor, que tamb\u00e9m atue como propagador das reflex\u00f5es propostas por Marilena Chau\u00ed nesta publica\u00e7\u00e3o. Seja atrav\u00e9s do repasse deste livretos a amigos e colegas, seja atrav\u00e9s de fervorosos debates e de a\u00e7\u00f5es cotidianas.<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto escrito por Marcio Meirelles em 10 de dezembro de 2007. &nbsp; \u201cQuem habita este planeta n\u00e3o \u00e9 o Homem, mas os homens. 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