{"id":799,"date":"2010-01-23T01:39:20","date_gmt":"2010-01-23T04:39:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/?p=799"},"modified":"2011-10-03T01:40:50","modified_gmt":"2011-10-03T04:40:50","slug":"o-discurso-final","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.marciomeirelles.com.br\/site\/2010\/01\/o-discurso-final\/","title":{"rendered":"O discurso final"},"content":{"rendered":"<pre><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-family: Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif; font-size: 13px; line-height: 19px; white-space: normal;\"><em>Texto escrito por Marcio Meirelles, em Salvador, em 23 de janeiro de 2010.<\/em><\/span><\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bom dia a todas as pessoas presentes.<\/p>\n<p>Mais que o tempo, o espa\u00e7o separa este janeiro do janeiro de 2007.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia f\u00edsica n\u00e3o \u00e9 muita: poucas centenas de metros separam o Pal\u00e1cio Rio Branco, onde estamos, da Rocinha ou Vila Esperan\u00e7a ou Vila Nova Esperan\u00e7a, onde assumi o cargo, em 2007, mas um universo nos separa de l\u00e1. O que gostaria agora era de estar inaugurando sua reurbaniza\u00e7\u00e3o, a partir do brilhante projeto de Marcelo Ferraz, e vendo a reocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, por seus moradores.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Na Rocinha, em 2007, n\u00e3o me transmitiram o cargo, como fazemos agora. N\u00e3o existia uma Secretaria da Cultura nem um secret\u00e1rio para tal ato. Isto foi inaugurado pelo governo Wagner, ali. Quando apresentei equipe e projeto.<\/p>\n<p>Naquele janeiro de 2007 chovia e tinha muita lama na vila Nova Esperan\u00e7a, mas sete secret\u00e1rios e a primeira dama estavam naquela comunidade onde o Estado nunca esteve, a n\u00e3o ser atrav\u00e9s da pol\u00edcia. No dia seguinte um jornal estampava, na primeira p\u00e1gina, uma foto onde eu, no ar, pulava uma po\u00e7a de lama. Foi o que fiz muitas vezes durante a gest\u00e3o. Tive que pular muitas po\u00e7as de lama.<\/p>\n<p>A reportagem dizia que meu discurso foi mais o de um diretor de teatro do que o de um secret\u00e1rio. Como se houvesse uma dicotomia e fosse poss\u00edvel eu ser um sem ser o outro. Durante estes quatro anos, o que fiz foi trabalhar muito para transformar um discurso em a\u00e7\u00e3o e para que esta transformasse a realidade do p\u00fablico. Isso \u00e9 o que faz um artista e foi o que fizemos a equipe da secretaria e eu.<\/p>\n<p>Naquele janeiro, coloquei o capital simb\u00f3lico de meus 35 anos de vida p\u00fablica como trabalhador da cultura a servi\u00e7o de um projeto pol\u00edtico, no qual acredito e continuo engajado, onde quer que eu esteja, trabalhando para que continue a dar certo. Acredito porque este sempre foi tamb\u00e9m o meu projeto pol\u00edtico, como artista: descentralizar, democratizar o acesso, construir redes, sistemas, ouvir, trabalhar coletivamente.<\/p>\n<p>A praxe seria agora prestar contas de tudo que fizemos. Mas seria tedioso, porque muito foi feito. Muito mais do que permitia nossa estrutura fr\u00e1gil e nosso pequeno or\u00e7amento \u2013 apesar de ser o segundo maior or\u00e7amento para a Cultura de todos os estados do Brasil. E se fizemos tanto \u00e9 porque cont\u00e1vamos com uma equipe que era um time dos sonhos: o time que qualquer secret\u00e1rio de cultura do mundo sonharia em ter. Estiveram comigo Pola, Angela, Ivana, Paiva, Gica, Bira, Fred, Hirton, Vanda, Bete, Romulo, Monique, Paulo, Moacir, Ricardo e foram chegando outros ou j\u00e1 estavam e foram se incorporando, entendendo, acreditando, comprando a briga, arquitetando e construindo uma revolu\u00e7\u00e3o. Neuza, Bia, Daniel, Patr\u00edcia, Solange, Everaldo, Troi, Marcos, Dulce, S\u00e9rgio, Vanderlei, Ciro, L\u00facia, Daniele, Ol\u00edmpio, Glauber, Renata, Dora, Sofia, Vera, Olga, Vanderson, Taiane, Ingrid, Cyntia, Iuri, Shirley, Gil, Ivonete e muitos outros e os mobilizadores e os representantes territoriais e os mais de tr\u00eas mil funcion\u00e1rios que n\u00e3o pouparam esfor\u00e7os pelo nosso projeto. Pena que alguns poucos n\u00e3o tenham se incorporado a ele porque n\u00e3o entenderam, n\u00e3o acreditaram, n\u00e3o quiseram comprar a briga ou mesmo porque n\u00e3o quiseram que desse certo. Mas deu.<\/p>\n<p>Lamento que neste time eu n\u00e3o tenha podido contar com a colabora\u00e7\u00e3o de Cristina Castro. Perdeu a Bahia a compet\u00eancia de seu talento como artista, produtora e gestora. Eu tive que me contentar com a melhor parte: seu amor, paci\u00eancia, toler\u00e2ncia e for\u00e7a.<\/p>\n<p>Portanto, ao inv\u00e9s de um relat\u00f3rio, prefiro dizer apenas que trabalhamos orientados pelo conselho de Makota Valdina ao governador, no dia da posse do seu primeiro mandato: \u201cveja as \u00e1rvores, elas d\u00e3o frutos porque t\u00eam ra\u00edzes. Fortale\u00e7a as ra\u00edzes que os frutos vir\u00e3o.\u201d Foi o que foi feito. Os frutos est\u00e3o a\u00ed. Agora, \u00e9 colher, distribuir e espalhar as sementes. Alimentar novas ra\u00edzes e tornar a ver os frutos brotarem.<\/p>\n<p>Para isso deslocamos o olhar para os 26 territ\u00f3rios de identidade, para os 417 munic\u00edpios, para os 14 milh\u00f5es de cidad\u00e3os baianos, todos eles produtores culturais, todos com direito constitucional de acesso \u00e0 cultura, como \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se pensar em pol\u00edticas p\u00fablicas para a Cultura cujo centro sejam os artistas e n\u00e3o os cidad\u00e3os. \u00c9 como se Educa\u00e7\u00e3o tivesse como meta atender aos professores e a Sa\u00fade aos m\u00e9dicos. Todos eles \u2013 professores, m\u00e9dicos, artistas \u2013 s\u00e3o agentes das pol\u00edticas do Estado para promover o desenvolvimento e bem estar da popula\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o pode ser de outra forma.<\/p>\n<p>Albino, a Secretaria da Cultura, tem tr\u00eas grandes desafios, neste segundo mandato do governador Jaques Wagner: aproximar-se mais da Educa\u00e7\u00e3o, para que a musculatura desenvolvida pela produ\u00e7\u00e3o cultural baiana tenha eco e retorno; preparar o estado para que o legado da copa, no campo da engenharia do espet\u00e1culo, seja estruturante para nossa economia; e consolidar muito do que foi feito, come\u00e7ando pela aprova\u00e7\u00e3o da Lei Org\u00e2nica da Cultura, que est\u00e1 na Casa Civil, e a seguir, cuidando da reestrutura\u00e7\u00e3o da secretaria para que ela esteja apta a atender de fato \u00e0 Cultura baiana em todas as suas dimens\u00f5es. Isso, como a reurbaiza\u00e7\u00e3o da Rocinha, n\u00e3o foi poss\u00edvel fazer.<\/p>\n<p>Cabe a voc\u00ea agora levar adiante essa jovem secretaria, de apenas quatro anos, Albino. \u00c9 p\u00fablica a minha admira\u00e7\u00e3o pelo seu pensamento, sua compet\u00eancia e seu trabalho. Como \u00e9 p\u00fablico o meu respeito e carinho \u00e0 sua pessoa. Conte comigo como amigo e pe\u00e3o, no que for preciso.<\/p>\n<p>\u00c9 com orgulho que agrade\u00e7o o apoio e a confian\u00e7a do Governador Jaques Wagner. Entendo que ele reconhecia em nosso trabalho as diretrizes de seu governo e as orienta\u00e7\u00f5es que nos deu, na primeira reuni\u00e3o do secretariado: que trabalh\u00e1ssemos na instala\u00e7\u00e3o deste Estado, republicano e democr\u00e1tico, que promove o bem estar de todos a partir de um desenvolvimento pautado em valores maiores que o monet\u00e1rio. E esta \u00e9 a Bahia que temos agora.<\/p>\n<p>Devo dizer que o mesmo apoio e confian\u00e7a que tivemos do governador, recebemos de todo o Governo. Agrade\u00e7o portanto a todos os secret\u00e1rios e suas equipes e, mais particularmente, aos da Fazenda, do Planejamento, da Administra\u00e7\u00e3o e a seus t\u00e9cnicos, pela sensibilidade com que sempre trataram as quest\u00f5es da Cultura. Assim como agrade\u00e7o tamb\u00e9m ao Legislativo.<\/p>\n<p>Importante tamb\u00e9m dizer que o alinhamento com o Minist\u00e9rio da Cultura e o apoio dos ministros Gil e depois Juca, como de todos daquele minist\u00e9rio, que foi um divisor de \u00e1guas na pol\u00edtica brasileira, foram fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o de nossas pol\u00edticas e do pacto federativo na \u00e1rea da Cultura.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante agradecer a todos os prefeitos da Bahia, especialmente \u00e0queles que estiveram mais pr\u00f3ximos e entenderam nosso projeto. E aos dirigentes municipais da cultura, por todo o trabalho que fizemos juntos mas, principalmente, pela cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o dos Dirigentes Municipais da Cultura que, tenho certeza, vai mudar o cen\u00e1rio das pol\u00edticas municipais da Bahia.<\/p>\n<p>Por fim, agrade\u00e7o tamb\u00e9m aos mais de 100 mil baianos que participaram das confer\u00eancias de Cultura e a todos os artistas e cidad\u00e3os produtores culturais, pelos conselhos, cr\u00edticas e elogios \u00e0 nossa gest\u00e3o, porque ajudaram a nortear e fortalecer nosso caminho.<br \/>\n\u00c9 engra\u00e7ado: agora volto para o meu lugar de artista, de onde nunca sa\u00ed, e saio do lugar de pol\u00edtico, coisa que um artista n\u00e3o deixa nunca de ser.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto escrito por Marcio Meirelles, em Salvador, em 23 de janeiro de 2010. &nbsp; Bom dia a todas as pessoas presentes. 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