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B DE BUTOH – B DE BANDO

leno sacramento em DÔ - foto: joão milet meirelles

leno sacramento em DÔ - foto: joão milet meirelles

Cada processo é um processo. Há algum tempo o Bando de Teatro Olodum tem investido na descoberta de novos caminhos e na própria diversidade do teatro.

Em 2006 investiu em Shakespeare e, com ele, na poesia, na tradução cênica de culturas estrangeiras, na apropriação de texto inglês ainda que traduzido para o português, em temas diversos dos que trabalhava mas não estranhos – o amor e o desequilíbrio que sua falta provoca foi tema muitas vezes de muitas peças – e criou um SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO negro e baiano, sem trair o velho bardo.

Em 2007, investiu no teatro para crianças, pela necessidade de criar referências negras ficcionais positivas para as crianças negras e brancas poderem ter imagens de fantasia, com personagens e estéticas e narrativas vindas das diversas culturas que também formaram nossa identidade. O resultado foram novas ÁFRICAS, que se desdobraram em projetos educativos desenvolvidos em escolas e no palco.

Em 2010 (depois de uma pesquisa de 2 anos), com BENÇA, o tempo, os mais velhos e os atores do Bando se encontraram no palco, num espetáculo/instalação em que as tecnologias digitais e audiovisuais reconstruíam na cena o conceito do continuum do tempo, como o entendem a cultura bantu e outras tradições africanas.

Agora em 2012, o Bando de Teatro Olodum busca se reinventar de novo neste diálogo multi (ou bi) cultural, com Tadashi Endo e o butoh, que como o Bando, e com ele, também se reinventam. O coreógrafo japonês quis trabalhar com o grupo exatamente porque não sabia o que fazer. Quando o convidei foi porque não sabia o que poderia acontecer. O não saber, o desconhecido, nos moveu. Os atores se envolveram na aventura do diálogo. Tudo isso está gerando DÔ (movimento em japonês).

tadashi e o bando - foto: marcio meirelles

tadashi e o bando - foto: marcio meirelles

A possibilidade de um choque cultural era grande. A energia contida do butoh e a explosão energética do Bando podiam dar num curto circuito. Mas vontade, curiosidade, espírito inovador de todos os envolvidos criaram um resultado que é bando+butoh. As duas identidades estão preservadas mas contaminadas uma pela outra. Nunca mais serão as mesmas.

É bonito ver os corpos abandonarem o que sempre foram para serem o que nunca deixaram de ser mas nem sempre mostraram. É como nossa língua falar outra língua. Continuamos a ser quem somos e a fazer nosso discurso mas de uma nova maneira. Essas novas maneiras de se dizer o mesmo é que fazem do teatro um lugar fascinante. Um lugar de ver a transformação acontecer, para nos mostrar que é possível existir um mundo diferente. É o que sempre quisemos: estar em MOVIMENTO (DÔ) para um novo lugar que construímos.

Salvador, 06 de outubro de 2012

Publicado em 06/10/2012 | um comentário

Um comentário

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