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Frankestein está no Teatro Vila Velha

 

Dirigido por Márcio Meirelles, o espetáculo Frankenstein percorre diversos ambientes internos e externos do Teatro Vila Velha, no Campo Grande, de terça-feira a sexta-feira, sempre às 20h, instalando uma atmosfera polifônica e multidimensional. A estreia acontece hoje e segue até o dia 21. Ingressos: R$15 e R$30. Mais informações: (71) 3083-4600.

A partir do romance clássico da escritora britânica Mary Shelley (1797-1851), a universidade LIVRE de Teatro Vila Velha investiga as possibilidades cênicas e narrativas de uma das criaturas mais tenebrosas e poéticas da literatura universal, produzida em laboratório por um estudante de ciências naturais, que se tornou popular devido à primeira adaptação para o cinema, em 1931.

Segunda montagem da Trilogia dos Monstros, que começou com Drácula (de Bram Stoker), em 2012, o Frankenstein de Márcio Meirelles propõe a exploração do entorno e de todo o espaço interno do Vila, onde o elenco se divide em grupos, conduzindo o público a diversas versões e camadas da mesma história, possibilitando ao espectador maior autonomia na construção das suas próprias leituras sobre a trama.

“Uma atmosfera polifônica, onde uma série de vozes se apresentam e se cruzam; e que tem sido uma constante no trabalho de pesquisa do diretor. Essa liberdade de acompanhar diferentes interpretações dentro de um mesmo universo tem a perspectiva de criar múltiplas dimensões sobre os temas abordados na peça”, explica Meirelles, acrescentando que, “o percurso vem indicando marcas de construção narrativa muito interessantes, desenhando um processo híbrido, como é da natureza de Frankenstein”.

Para ele, Frankenstein  também se alicerça num trabalho que propõe a formação de um outro corpo cênico, que se distancie do virtuosismo e que provoque   estranheza nos próprios intérpretes, fazendo-os pensar sobre questões e estudos contemporâneos que dialogam com o romance, através de reflexões sobre a exclusão social, a solidão, o medo, a violência,  as lutas de classe, o confronto entre criador e criatura, cientistas e cobaias e outros embates e inquietações da humanidade. ”O mostro aqui se rebela contra os desmandos e abusos dos tiranos e opressores”, conta o diretor.

O processo vem sendo construído há quase 1 ano, mês a mês, por meio de experimentos, sob a coordenação geral de Meirelles. O trabalho tem a colaboração de projetos de dramaturgia com Hayaldo Copque, co-direção do argentino Martin Domecq, percussão com o ator e músico Ridson Reis, preparação corporal com Anita Bueno e Barbará Barbará, além da participação de muitos nomes das artes cênicas nacional e mundial, como o bailarino e coreógrafo japonês Tadashi Endo, o maestro francês Jean-Jacques Lêmetre, do grupo Théâtre Du Soleil, do ator e diretor Cacá Carvalho, do grupo LUME-UNICAMP, entre outros.

Desde o mês de fevereiro, a Universidade Livre do Teatro Vila Velha vem investigando a poética e as possibilidades narrativas do teatro e sua inserção no século XXI.  No início de abril, com pouco mais de um mês de trabalho, a Livre apresentou “Frankenstein – Experimento 1” ao público baiano, através de um ambiente interativo e performativo, onde os participantes e intérpretes abordaram a concepção e a proposta do programa, incorporando a exposição do trabalho à dramaturgia.

Em maio, a criatura se fundiu ao universo da peça “Macbeth”, de William Shakespeare, dando origem a “Frankenspeare/Shakestein – Experimento 2”, e mergulhou no que há de sombrio e poético entre os dois personagens. O processo criativo também se inspirou nas idéias de outros artistas, pensadores e diversos campos da ciência, para construção do discurso cênico, como a obra “Indignai-vos”, do escritor franco-alemão Stéphane Hessel (1917-2013), “Vidas Desperdiçadas”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, e “Rumo ao Abismo?”, do filósofo francês Edgar Morin, além de outros estudos políticos, econômicos e culturais. Nessa sequência, um total de 6 experimentos foram trazidos à cena através da LIVRE.

Com quase um ano de existência, a universidade LIVRE do Teatro Vila Velha tem no currículo duas montagens: Espelho para Cegos (2012), uma co-produção com a Companhia Teatro dos Novos, além de Por que Hécuba (2013), ambas com direção de Marcio Meirelles e texto do dramaturgo romeno Matéi Visniec. Na LIVRE, os participantes têm a oportunidade de exercer atividades em vários setores do teatro, desde a produção artística até as demandas dos setores técnico, administrativo e operacional do Vila. Por isso, os diversos campos do saber são articulados nessas experiências, refletindo o papel, a atuação e a forma como essas práticas interferem na configuração social, política, econômica e, principalmente, cultural, percebendo as trocas que se dão entre a entidade e este sistema.

Publicada na TRIBUNA DA BAHIA em 11/02/2014 06:12:30

Publicado em 12/02/2014 | nenhum comentário

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