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O TEATRO VILA VELHA NO ANO 2000

carta para o ator/jornalista gideon rosa – situando o teatro vila velha, suas realizações e políticas, no universo da produção cultural – possivelmente para um balanço do ano 2000, na bahia.

foto: joão meirelles

foto: joão meirelles

 

Gideon, acho que você poderia falar um pouco como o ano 2000 foi difícil para a cultura baiana. E então falar como o Vila atuou nesse ano.

Marchamos na contra corrente ao:

  • produzir espetáculos sempre com elencos numerosos, ao invés da tendência a monólogos e diálogos;
  • apoiar grupos e artistas – Bando de Teatro Olodum, Viladança, Cia Teatro dos Novos, Jarbas Bittencourt, Nelson Vilaronga, Sérgio Almeida, Cecília Haffer, Simone Erbeck – dispondo de espaço para ensaios e apresentações e infra estrutura administrativa e técnica;
  • manter projetos sem nenhum retorno financeiro –

Tomaladacá que abriga grupos emergentes da periferia, de escolas e entidades culturais ou sociais; numa troca sistemática de experiências e informações, promovendo oficinas, debates, mostra de cenas e de espetáculos, acesso aos espetáculos realizados no teatro para os integrantes dos grupos e da comunidade à qual estão ligados;

Curta Vila – mostra mensal de vídeos, seguida de debates e reflexão sobre o meio e sua relação com as outras linguagens e atividades culturais;

O Que Cabe Neste Palco – mostra da produção que está sendo gerada por jovens universitários no âmbito das Escolas de Teatro, Dança, Música e Belas Artes principalmente mas também em outras unidades da Universidade ou fora das escolas. Este projeto é coordenado, programado e produzido pelos Diretórios Acadêmicos das referidas escolas. O TVV cede o Cabaré dos Novos e o suporte técnico necessário para sua realização. Toda semana;

Choro no Vila – grupos e músicos dedicados ao chorinho se reúnem semanalmente para mostrar e ouvir clássicos e novas composições dessa expressão musical popular brasileira, a um público aficionado.

  • Manter projetos que proporcionem a experimentação e a discussão sobre as linguagens e sistemas e políticas de produção cultural:

Improvilação – dançarinos, músicos, atores e artistas plásticos se reúnem uma vez por mês para sessões de improvisação coletiva, seguida de discussões sobre os processos criativos. Projeto apoiado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia;

Falavila – palestras e/ou debates sobre temas de interesse imediato dos artistas para embasar montagens, ou menos ligados à um projeto específico, mas que geram reflexões sobre as atividades culturais. Este ano foram realizados dois ciclos: política cultural e estratégias de combate ao racismo, além de eventos pontuais (Peter Palitzsch e o teatro de Brecht, Martha Graam e Pilatice, entre outros);

Oficinas de formação e aperfeiçoamento para artistas e iniciantes.

  • Co-produções com grupos e artistas internacionais:

Supernova com o Teatro São João, Dramat, Assédio e Cendrev, de Portugal;

Início do processo do Projeto Fatzer, com direção de Peter Palitzsch (colaborador de Bertolt Brecht), com o Insatituto Goethe.

  • Apoio a produções de jovens artistas:

Hamlet, de Sérgio Almeida;

Bodas de Sangue, de Nelson Vilaronga;

Em menor escala a Fuzis da Senhora Carrar, de Cecília Haffer e ao espetáculo de dança de Simone Erbeck, entre outros.

  • Realização de espetáculos através dos grupos residentes:

VILADANÇA – CO2 – Cinco Sentidos e um Pouco de Miragem (vencedor do edital Prêmio Estímulo 99 – Minc/Funarte/Secretaria de Cultura e Turismo do Estado da Bahia/FCEBa); Hai Kai Baião (vencedor do Prêmio Estímulo 2000 – Secretaria de Cultura e Turismo do Estado da Bahia/FCEBa);

BANDO DE TEATRO OLODUMJá Fui – em parceria com o Detran, apresentados para escolas e instituições de Salvador e do interior do Estado; Cabaré da RRRRRaça – remontagem em novo formato;

TEATRO DOS NOVOS – Além de Supernova, Pé de Guerra (patrocinada pela Petrobrás através da Lei Rouanet).

  • Manter um programa de formação de público que, através de convites ou bônus e programas específicos, recebe em sua platéia, grupos e pessoas de pouco poder aquisitivo, num processo de democratização de sua produção.

Para o início de 2001, o Vila vai apresentar ao público baiano o CALDEIRÃO VILA VERÃO – mostra do que foi realizado durante o ano que passou:

Às Terças feiras – O menino que queria ser rei de Carlos Petrovich

Às quartas feiras – Hai Kai Baião, do Viladança

(…) feiras – Pé de Guerra, da Cia Teatro dos Novos

Às quintas (18:30h) – Choro no Vila

Às sextas e sábados – Cabaré da RRRRRaça, do Bando de Teatro Olodum (sempre com um convidado novo a cada dia)

Às sextas (1/2 noite) – Meia Noite se Improvisa

Aos domingos – Ó Paí,Ó!, remontagem da antológica montagem do Bando, revisitada e com a participação da Confraria da Basófia.

Além das Oficinas Vila Verão – quinze oficinas de teatro, dança e música. 

Para tudo isso conta apenas com um apoio financeiro da Bahiatursa, que cobre aproximadamente 50% do custo mensal da manutenção do teatro. Mas principalmente com o trabalho de seus grupos residentes, através da captação de recursos para seus projetos e da bilheteria dos seus espetáculos. Além do apoio dos Amigos do Vila: Workshop Informática, Forever – escola de inglês e espanhol, Cot e E-net.

O Vila trabalha pela revitalização do Centro da Cidade, participando de um fórum liderado pelo Sebrae, e na organização de uma entidade que congregue os dirigentes de teatros de Salvador para que se possa dar mais apoio aos grupos, artistas e produtores de espetáculos.

Conta com a desvantagem de estar situado no Passeio Público, que deveria ser um privilégio, graças ao descaso com que aquele espaço é tratado por sua administração. E a uma política que prejudica o teatro, não permitindo o estacionamento disciplinado em área específica, para o público do teatro, quando o permite para aquele que vai às festas do Palácio da Aclamação. Além de alugar o Passeio Público para a realização de feiras e eventos que impedem ou atrapalham o funcionamento do teatro.

marcio meirelles

salvador, dezembro de 2000

Publicado em 09/03/2014 | nenhum comentário

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