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MARCIO MEIRELLES VOLTA A ATUAR EM MONÓLOGO APÓS 36 ANOS

reportagem publicada n’A TARDE em 08/07/2015

texto de EDUARDA UZEDA

Romênia, 1970, regime do ditador Nicolae Ceascescu. O dramaturgo Matéi Visniec começa a escrever.  Brasil, 1972, governo de Emílio Garrastazu Médici. A ditadura militar chega ao auge com o chamado Anos de Chumbo (1968-1974). O diretor Márcio Meirelles inicia a carreira teatral.

Mais de 40 anos depois, a vida destes profissionais, que enfrentaram, cada um à sua maneira, um sistema opressor que tolhia a liberdade, inclusive de expressão, se entrelaçam, gerando uma parceria profícua. Depois de ter montado de Visniec Porque Hécuba, Espelho para Cegos, O Ultimo Godot e A Mulher no Campo de Batalha, Meirelles promove o Projeto Matéi, com cinco novas peças do autor romeno, que serão apresentadas neste mês e em agosto, no Teatro Vila Velha.

E tem mais novidades. Além de dirigir todos os espetáculos, Meirelles volta aos palcos como ator depois de 36 anos (como intérprete, ele subiu ao palco pela última vez na peça  Alice, com o antológico grupo  Avelãz y Avestruz, em 1979).

Crença no ser humano

Ele atuará no monólogo As Palavras de Jó,   uma montagem  curta, de 30 minutos, que será apresentada sempre aos domingos, às 19 horas.  “Estávamos viajando quando Matéi disse que tinha uma peça para eu fazer. E eu entendi o  por quê. Na versão bíblica, o demônio, mulher  e amigos  fazem de tudo para que Jó perca a fé em Deus e ele resiste.  Nesta peça de Vesniec, ele não perde a fé no homem”, afirma Meirelles.

“E por que eu faço teatro?  Estou com 61 anos, tenho 42 anos de palco. No fundo é porque eu acredito que, apesar de todos os erros do homem, um esboço que não deu certo, é possível ser diferente”, complementa o encenador.

Ele acrescenta ainda que, depois de tanto tempo como diretor, queria ver a cena do ponto de vista também do ator. “É sempre um mistério para o diretor”, diz.

Desafios

Há outros desafios. “No Projeto Matéi as peças se interligam. É como se fosse uma única”, afirma Meirelles. “Fronteiras, que estreia ho je, às 20 horas, e será apresentada às quartas no mesmo horário, mostra o limite entre a sociedade e o indivíduo, entre o eu e o outro;  Agorafobias, sempre às quintas, às 20 horas, trata de exclusão, tensão e revolta. Deserto, exibida  às sexta, às 20 horas,  acena para a metáfora do vazio entre as pessoas”, revela.

Aos  sábados,  também neste  horário, será mostrada A  História dos Ursos Pandas, que fala da paixão de dois jovens  (Meirelles montou o texto em Portugal com atores locais). De sua casa em Paris, Mátei Visniec fala sobre a parceria: “Márcio é como meu irmão gêmeo. Nós temos a mesma cultura teatral, nós gostamos dos mesmos autores, ambos achamos que o teatro tem uma dimensão social… “, frisa.

“Nós acreditamos que o artista tem uma missão na sociedade. E é por isso que eu encontrei em Márcio um “irmão” cultural….”, complementa. Sobre a escolha de Márcio para  As Palavras de Jó, Matéi afirma: “Eu penso que este texto se encaixa como uma luva para ele, na forma e conteúdo. Ele tem o caráter deste personagem e, sobretudo, a experiência de luta social e artística… Espero com emoção ver Márcio desempenhando este papel”.

Crise no teatro

Meirelles não deixa de falar da tão propalada crise no teatro: “Ela (a crise) se instala quando o artista deixa de produzir, mas nós invertemos a lógica que tem tornado os artistas dependentes dos editais e patrocinadores”, finaliza.

Programe-se!

O que: Projeto Matéi
Quando: de qua a domingo, 20h (Com exceção de As Palavras de Jó, às 19h)/ Até Agosto
Onde: Teatro Vila Velha/ Av. Sete de Setembro, s/n , Passeio Público
Quanto: R$ 30 e R$  15 (com Exceção de As Palavras e Jó, que tem o valor de   R$ 40  e R$ 20)

http://atarde.uol.com.br/cultura/teatro/noticias/1694967-marcio-meirelles-volta-a-atuar-em-monologo-apos-36-anos-premium

Publicado em 10/07/2015 | nenhum comentário

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