5 ANOS DE VILADANÇA
- cristina castro – criadora do VILADANÇA – aqui em UM TAL DE DOM QUIXOTE – foto: marcio lima
O Viladança sempre me emociona. Com a emoção profunda com que só o trabalho humano consegue emocionar.
Talvez deva usar uma palavra mais precisa que trabalho como labor ou engenho.
O Viladança me emociona com a emoção profunda com que o espírito humano transformado em ação consegue nos emocionar.
Como terra arada, como roupa de cama limpa, como comida bem feita, como o vôo de um avião, como a caneta tinteiro, como lâmpada elétrica, como um prédio em construção, como um poema.
O Viladança me emociona sempre com a revelação da presença do esforço humano. Muito mais do que com a mágica da leveza, com as aparições e imagens; mais do que com o alfabeto de gestos, as sequências precisas, os encaixes e vôos; mais do que com o surpreendente, o novo, a habilidade, o espírito de aventura, o inusitado; mais do que com a resistência física e o preparo técnico para executar os sonhos de movimento.
O Viladança me emociona sempre muito por que ali, no centro do palco, há cinco anos, está a marca viva do labor humano de estar no mundo e torná-lo hoje melhor que ontem.
marcio meirelles
rio, 8 de março de 2003
