A Sagração da Primavera
Texto escrito por Marcio Meirelles, publicado no programa da remontagem de “A Sagração da Primavera”, pelo Balé Teatro Castro Alves.
Nada é mera coincidência, o destino há muito deixou de criar acasos. Araiz ter vindo fazer “A Sagração da Primavera” foi a confirmação de nossa meta. Renascer, recomeçar, sempre e sempre. Como a terra, voltar a dar frutos depois do inverno. Cumpri os ritos. Arrancar o leite das pedras a dentadas quando a mãe terra for madrasta. Sugar. Abrir os sulcos e semear. E não esperar: pisar, ranger os dentes, bater com os pés, sangrar os dedos. A primavera virá para ser sagrada. O sacrifício foi feito. E tudo isso aparece sobre o palco, nas pernas, nos troncos, nas unhas, no mais, no abismo eterno além das cortinas, no mar salgado do suor dos bailarinos, nos cabelos, nos calcanhares sem asas, a voar. Estamos aqui, nós do Teatro Castro Alves, também ajudando a arrancar de uma terra esmagada e seca, uma nova primavera. Da forma que for possível, da forma que conseguirmos – nós todos (juntos).