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Cordel: “Ator”

Cordel escrito por Arquimedes Costa, em janeiro de 2011, em homenagem a Marcio Meirelles.

 

Ator
A cultura da Bahia
Tem raízes seculares
Costumes de vários povos
Vindos de todos lugares
Variedade de forma e saber,
E de origens populares.

Entender a diversidade
Dá muito trabalho e riquezas
Aceitar o contraditório
De diferentes belezas,
Com o valor imaterial,
De diversas naturezas.

Com centenas de cidades
Tem um milhão de talentos
Donos de puras verdades
Pintando, esculpindo e cantando,
Seus sonhos e realidades.

O movimento não é fácil
Muito ao contrário, é difícil
Precisava achar um “cara”
Que entendesse do ofício
Com talento e habilidade,
Pra comentar em comício.

O Márcio se apresentou
Trazendo vontade e saber
Juntando um pouco de tudo
Pra fazer e acontecer,
Dar visibilidade ao artista
E um futuro alvorecer.

Ator e Produtor
Começou então a montar
Um novo cenário baiano
Com valor a descobrir
Além da cortina de pano
Acabando o apadrinhamento
Repetido de ano em ano.

A liberdade da arte
Passou a prevalecer
Desfazendo as panelinhas
Fazendo a vontade e o saber,
Crescer a imaginação
De quem faz acontecer.

A gestão foi se expandindo
Motivando a discussão
De liberar as fronteiras
Para o artista cidadão,
Juntando no mesmo palco
O maestro e o artesão.

A decisão de Meireles
Atitude de gestor
Contrariou pouca gente
E a maioria agradou,
Mesmo assim a voz pequenina
Quis tirar o seu valor.

Os índios trouxeram suas artes
Da mata e do litoral
Com o apoio da Secult
Vieram pra Capital,
Pintados de todas as cores
Pra mostrar o trabalho afinal.

Ator, Produtor e Gestor
Os quilombolas também foram vistos
Mereceram à atenção
De preservação dos costumes
Outra grande decisão,
Conservar o seu habitat
E garantir a procriação.

Os dois segmentos tratados
Com a mesma afeição
Mostrado as modernidades
Trabalho de muita ação,
Minimizar os efeitos,
Da global informação.

Juntar num tabuleiro gigante
Culinária com arte-final
Quiabo, camarão e milho
Pimenta, farofa com sal
Cocada puxa com amendoim,
Pra esperar o carnaval.

As festas começam cedo
Da Conceição ao Bonfim
De Itapuan a Ribeira
Cortejos de blocos sem fim
Tem Iemanjá e o Dois de Julho,
No Pelô tem Querubim.

Samba de roda e trio-pipoca
Ouro Negro e Afoxé,
Mascarado, pandeiro e tambor
No Campo Grande e na Sé
E o “cara” merece palmas
De todos que tenham FÉ!!!!!

 

Publicado em 03/01/2011 | nenhum comentário

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