diário de um encenador em são tomé
entre e 31 de julho estive em são tomé e príncipe para dar uma oficina para atores no projeto P-STAGE – realização da CENALUSÓFONA com a colaboração do TEATRO VILA VELHA entre outras instituições.
dia 1
São Tomé é lindo
pode-se ver nas fotos
mas é terrível tb
é pobre controlado uma sociedade q vive sob….
a colonização ainda n acabou
basta ver-se a internet é mto cara e mto complicada e mto lenta
como pode haver desenvolvimento de um povo neste século
sem acesso à informação e a conexões?
sem comunicação…
na televisão passa o pior das produções brasileiras e portuguesas….
como se constrói uma identidade assim?
mas há o povo
o milagre do povo
q continua
q avança e constrói e mantém alguma coisa essencial e necessária
as oficinas apenas começaram começo a conhecer melhor cultura e povo e fato e história
o teatro revela representa e é uma história
o modo com q se faz tb
vários grupos: fôlô blági (forro – o povo daqui – brasil), parodiantes da ilha, os criativos, caravana africana, légi téla (raiz da terra), boneco animado da ilha, os brincalhões, gente de dor alegre, faz tudo – como se faz teatro aqui?
e muitos atores que participam mtas vezes de vários grupos, com nomes esssencialmente sãotomenses: admilze allainy ateriana azinilda edzanea henayelde mardiginia regner virginito wademeide wazilânia entre charles e odair e osvaldo e sandra e nelson e outros
um início tímido um chegar sem pressa com cautela quem sou eu quem é este?
um início lindo de aproximação de culturas de teatros de histórias
15/07/2013
dia 2
no segundo da oficina em s tomé dia fui brindado com uma suite de danças populares s tomenses
e de outras áfricas tb
uma explosão de alegria no final do encontro
uma celebração
foi um dia em q partimos dos ritmos e da concentração já iniciados no primeiro
daí surgiu o movimento e a semente de personagens
personagens fôlôs – quase um início de ESSA É NOSSA PRAIA
podemos fazer se quisermos um belo painel de personagens e situações locais como na TRILOGIA DO PELÔ q tb começou assim em oficina
a noção clara pra alguns de q é assim q se constrói dramaturgia
de q o texto surge
qdo se tem o q dizer
qdo se tem concentração
a pergunta de amador pinto fernandes ator do grupo OS CRIATIVOS
o marcio tem esse método escrito como um manual
resposta
não
pq vou inventando a cada dia
o ator deve ir estruturando seu próprio manual
um roteiro de como ele se prepara e constrói o seu discurso
ele autor de sua própria representação do mundo do qual é testemunha
temos uma base
a imaginação (e a indignação) é a matéria prima do ator
a partir dai pode-se preparar um discurso
movimento concentração respiração olhar redes entre olhares observação atenção em si no outro
no todo
busca de um ritmo exteriorização do ritmo em sons
afinidade de sons volume melodia dinâmica andamento
volta a respiração a novas pulsações
ao movimento
daí em roda
como no samba
na capoeira
dialogar provocar com sons e movimentos
criar situações
a situação proposta começou com
eu só vim avisar q o passarinho dela fugiu
daí uns se interessaram outros desviaram
novos assuntos foram inseridos
e fechou-se c o aviso de q o passarinho dela fugiu
a memória
a memória imediata de c quem contracenei e o q disse e qual a sensação
a memória cumulativa de guardar ritmos outras situações olhares rostos dos outros transformações provocadas por mudanças de respiração e imaginação nos outros e em cada um
hj e ontem e desde o início
e por fim a celebração detonada pelas palmas e ritmos e vontades
s tomé – a beleza
alguma coisa como ilhéus itaparica
cacau orla mar
abundância de peixes de frutas
é como se fosse um paraíso mas há o dinheiro
há o poder
há os interesses
há o mundo real pralém do imaginado
pralém do prazer
há as diferenças mantidas como garantia e dominação
há a falta de indústria pro bem e pro mal
há a ausência
16/07/2013
dia 3
no início reflexão pq da ausência de um manual escrito
teatro se escreve a cada dia em cada novo projeto
c cada novo agrupamento humano q quer fazer
e isso é claro pra mim
principalmente agora q trabalho c a UNIVERSIDADE LIVRE DE TEATRO VILA VELHA
o CURSO LIVRE DE TEATRO DA ETUFBA
preparo a encenação de ESPELHO PARA CEGOS
e faço esta oficina em s tomé
cada um um teatro
cada um um processo
a mesma base
mas como fixar um cânone
como estruturar um método
se n reescrevendo a cada dia o método
se n transgredindo e desobedecendo o planejado
passamos quase duas horas organizando os trinta toques e sons
em dois “conjuntos” sonoros de 15 toques cada
em dois objetos musicais
os ritmos se desencontravam
começavam casando um toque c outro
outro toque era acrescentado e se encaixava e iam se encaixando e de repente tudo começava a atravessar e recomeçar e encaixar e desencaixar
conseguimos montar os dois poliritmos com a ajuda de alguns facilitadores entre eles uns já tem estrada nos sons e instrumentos
depois retomar os personagens
uma longa caminhada
o início é sempre caminhar
um caminho q vai do primeiro dia até sempre
respirar
atenção
consciência da respiração
mudar
lembrar
voltar à respiração cotidiana
retomar a respiração imaginada e construída
a memória e o poder de reconstruir qdo quiser a partir de nenhum estímulo outro q n a vontade de mudar de assumir um outro estado provocado pela memória física da respiração
do ritmo e da pulsação
por fim os personagens retornam
e aceleram a respiração e o ritmo do andar
o andamento
em busca de alguma coisa q se quer muito
e por fim se chega ao lugar onde estaria o q se quer
onde aconteceria o necessário
e n sucede
n se encontra o buscado
relatar o q se buscou
e o exercício era relatar c sons
os sons construídos até então
o som de cada um como uma digital como a identidade a fala
usar os sons produzidos como linguagem
depois substituir a linguagem dos sons por palavras
o primeiro a relatar n encontrou mais uma festa
o segundo embarcou na festa q era de crianças e q tinha q acabar cedo
e tinha bebida alcoólica
levada por mães
e as crianças sumiram
e n tenho nada a ver c isso
e um longo discurso cênico sobre a isenção de responsabilidade da sociedade em relação aos problemas coletivos
vou resolver o meu
o outro resolva o seu
na roda final a cobrança de concentração
de q se escute a proposição e se execute o proposto
teve gente q fez
teve gente q
teve gente
e o debate sobre a diversidade dos participantes
mtos c experiência estrada formação
outros iniciando
excluir ou incluir
ajudar o outro a ser tb
ou ser e ir?
17/07/2013
dia 4
os personagens saem dos ritmos de cada um
surgem “como se estivesse vendo meus vizinhos”
os vizinhos q vão servir pra falar coisas
quem são eles?
surgem como dançarinas jogadores atletas policiais
trabalhadores pequenos proprietários c as terras invadidas
o q dizer c eles?
os personagens são como instrumentos q os atores devem saber tocar
e produzir a música q quiserem
ouvir os outros personagens
produzir uma música coletiva
q diga coisas
parte-se de mtos lugares
nós partimos da respiração q começa com caminhar
os participantes trouxeram tambores de seus grupos
lindos cheios de histórias
hj os ritmos são produzidos por tambores
q conduzem as ações
meio elenco toca meio elenco improvisa
apresentam os personagens e partem para uma jam session
os tambores guiam as ações
cada tocador com seu ritmo conduz um personagem do outro ator
há uma inversão
agora é meu ritmo q conduz seu personagem
faço c q entrem em cena intensifico as situações aumentando o volume ou andamento
tiro o seu personagem de cena parando de tocar
no intervalo outra explosão
tambores e danças
por fim
falar
dar nomes aos personagens e organizar sua memória
o q aconteceu?
em roda cada personagem se apresenta e diz o q faz
em roda são feitas perguntas para q se possa conhecer melhor cada um deles
as improvisações continuam como fala
cada personagem interfere na história do outro
afirmando coisas atos q mtas vezes o personagem arguido tenta negar
e mtas vezes o interlocutor diz tenho provas
e as provas são aceitas
mesmo se n expostas
é o princípio do jogo teatral
o outro nos conduz tb
as perguntas q fica é
q perguntas n foram feitas?
quem é seu personagem e o q vc vai fazer dele?
sobre isso vamos trabalhar segunda feira
18/07/2013
dia 5
hj n tem encontro na oficina
tem abertura do festival gravana
gravana é a estação seca q dura dois meses depois das chuvas
e corresponde a julho/agosto
é um festival de cultura q envolve os fazeres das ilhas
quatro participantes da oficina se apresentam num grupo de dança tradicional
por isso discutimos ontem como seria
houve consenso em suspendermos a oficina
abertura oficial c o ministro da educação cultura e formação
o diretor de cultura o de turismo e outra coisa q esqueci
o diretor da cst telefônica q tem o monopólio dos celulares e internet
e q cobra um absurdo pelo serviço
mas q está patrocinando o evento
com muitas discussões sobre isso
principalmente por causa da assinatura da cst
no banner do festival
coisa q no brasil nem se questiona mais
nem se percebe
nem se vê
mas há uma disputa acirrada entre criadores de material gráfico
produtores e agentes do patrocinador
tb na mesa o presidente da cenalusófona
falas música
qdo vai começar a dança falta luz
esperamos
falta gasóleo [disel] no gerador
volta a luz
dançam um pouco visivelmente constrangidos
os atores q trabalham conosco na oficina
falta luz
há já gasóleo liga-se o gerador
fim da abertura oficial
perguntas
pra quem foi aquela abertura?
q público se espera para o festival?
quais são os critérios de seleção das apresentações?
temos discutido mto isso de público e políticas culturais.
o fato é q hj n temos encontro para a oficina
mas este encontro aqui c a cultura sãotomense e c a política do setor no país
valeram como um aprendizado
como colocar isso no palco
no experimento q faremos?
logo ao sair do arquivo histórico nacional onde o festival foi aberto
deparamos com um outro festival de rua de rap hip hop onde jovens de atitude ao som de djs dançam e fazem rimas
repistas dão seu recado put your hands up put your hands up
no duplo sentido da frase estadounidense mas universal
mostram a indignação em relação ao mundo e nos manda colocar as mãos ao ar
como dizíamos qdo eu era criança e brincava de polícia e ladrão
quem são os ladrões?
19/07/2013 (escrito em 27/07/2013)
dia 6
mudamos de espaço
de manhã fomos eduardo pinto (produtor) e eu
ao liceu tentar local mais amplo pra nossos encontros
a sala da casa da cultura é mto pequena
falamos c o diretor
e conseguimos pq a cenalusófona já tinha mandado uma carta há uma semana ou mais solicitando
e todas essas formalidades epistolares parecem fazer parte dos ritos locais
são levadas muito a sério
n sei se para retardar ações ou se pela sacralização das instituições
para q elas tenham valor e sentido
de outra forma q valor tem uma instituição se vc pode resolver as coisas pessoalmente?
fomos então um pouco antes da hora do ensaio
para a casa da cultura a princípio para trabalhar lá mesmo
mas decidimos ir para o liceu
mesmo pq a chave da sala onde ensaiamos está na mão de alguém q n se acha
e hj tem um seminário sobre direitos de propriedade intelectual
organizada até onde pude entender por uma organização internacional
faz parte do festival gravana
e mtos ligados à cultura oficial estão envolvidos nele
no liceu
a sala ampla e empoeirada
foi arrumada
temos 24 atores hj
o número varia entre 24 e 31 a cada dia
mais para o fim do ensaio chegam mais 3 e participam como observadores
no início
depois do aquecimento em q caminhamos respiramos
reconstruímos personagens
fazemos uma grande roda e um ator vai até o centro e apresenta o seu
outro ator vai até lá e contracena c ele
o primeiro sai e chama outro q vem e contracena c o q ficou
assim vão aparecendo relações
basicamente contam trechos de coisas q viveram em outros exercícios
é a proposta
apresentam o personagem agora a partir n só da imaginação
mas tb de experiências q ele teve com outros personagens feitos pelos outros
depois escolho seis atores q contaram experiências
q podem gerar discursos e peço q escolham seu time
assim formamos 6 grupos de 4 atores
peço q improvisem uma cena coletivamente
e começamos a criar as 6 cenas c as quais trabalharemos
eles apresentam as cenas em cima de um pequeno palco q existe na sala
estar um palco foi um diferencial
pedi q
escrevam sobre o personagem
tragam canções q lembrem o personagem ou a cena
tragam textos q quueiram ler e tenha a ver c os personagens ou cenas
escrevam as cenas
22/07/2013 (escrito em 26/07/2013)
dia 7
mudo a configuração do espaço
crio um corredor com espectadores dos dois lados
e isso deve ser levado em conta
retomamos as cenas
cada grupo apresenta de novo o q fez
agora mais estruturado
menos improvisado
uma certa e primeira consolidação
ou edição do q fizeram no dia anterior
depois de apresentarem sentam e escutam as perguntas e questões
dos outros atores q devem
falar sobre o q viram e n sobre o q gostariam de ter visto
falar sobre o q foi feito e n sobre o q fariam
dizer as dúvidas q surgiram
fazer perguntas q tentem elucidar aspectos dúbios ou pouco claros da cena e das relações entre os personagens
falar sobre as relações e objetivos dos personagens q lhe sugerem as ações apresentadas
fazer uma crítica n de valor mas de pertinência do apresentado no sentido de o q vi foi isso e me escaparam mtas coisas pq…….
apresentar um espelho para q o grupo q apresentou possa ver o q foi feito através dos olhos dos outros
o grupo q apresentou n fala nada
escuta e vai procurar responder reformulando a cena
ou clareando a narrativa das ações
o trabalho acabou bem tarde e n pudemos fazer a roda final
poucos trouxeram o q pedi ontem
textos canções cenas escritas
23/07/2013 (escrito em 26/07/2013)
dia 8
começamos com o aquecimento
cada um canta a canção q trouxe
dividimos os grupos para trabalharem melhor as cenas
trabalho eu próprio cada grupo
tento introduzir as canções
sentimos dificuldade paramos fazemos só as cenas
e vou uma a uma trabalhando
noções de espaço cênico de distância entre os personagens
de olhar de visão de pontos de vista de sonoridades
discutimos conteúdo e forma
sugiro e ouço sugestões a partir do q foi dito ontem
e do q pensamos sobre o q foi dito e o q fizemos
as cenas vão crescendo tomando forma
problema c ausências e atrasos
novos atores introduzem seus personagens em grupos
onde faltaram personagens
esbarramos numa cena q trata da questão do uso de drogas
n é um tema local ainda
n se sabe mto bem ou se confunde a natureza e efeito de cada uma
cheiram liamba fumam droga
maconha deixa as personagens completamente fora de si
sem nenhum controle sem reconhecer os outros
e por fim um professor e uma estranha aparecem e numa recuperação mágica “salvam” os 2 drogados
levam-nos para o hospital para a “cura”
discutimos sobre isso sobre as drogas
e decidimos abandonar o tema
caro às ongs mas alheio ainda ao cotidiano local
q valeria a pena discutir se tivéssemos tempo para desenvolver uma pesquisa e um ponto de vista sobre o assunto
se fôssemos testemunhas deste fato e pudéssemos apresenta-lo para q a platéia tomasse decisões a respeito
o grupo sente-se frustrado
mas vai recomeçar e refazer a cena
pergunto o q este teatro q estamos fazendo tem a ver c o q eles fazem normalmente aqui
quais as diferenças e como podem usar as ferramentas q estamos experimentando ou criando para seu trabalho individual
apesar de às vezes trabalharem a partir de textos na maioria das vezes trabalham a partir de improvisações
alguém traz um guião e faz a escala de atores/personagens
eles improvisam e estruturam a peça
nunca tinham trabalhado a partir do personagem e de uma criação de roteiro coletivo
n costumam trabalhar c ritmos e canções locais
barros sinaliza a necessidade de compromisso de estudo de pesquisa q poucos trouxeram os textos ou fizeram os trabalhos propostos
q gostam muito de falar e trabalham pouco pra mudar q se querem ser profissionais precisam ter compromisso
q muitos faltam chegam atrasados e atrapalham o andamento c isso
q teatro n é fácil precisa de disciplina e dedicação q os personagens precisam aparecer
q precisam saber sobre o q estão falando qdo falam coisas e a cena da droga foi o exemplo
agradeceram a barros pela fala
falo: meu filho mais velho é biólogo trabalha c corais e mergulha
qdo soube q eu vinha pra s. tomé ficou mto animado pq gostaria de vir e mergulhar aqui
aqui existe uma riqueza e diversidade mto grandes de vida marinha e ele gostaria de conhecer
daí ele me escreveu um imeio dizendo q eu devia mergulhar pra conhecer o seu universo e assim entende-lo um pouco mais
isso foi uma indicação
daí nos inscrevemos num mergulho e ontem fomos fazer o primeiro treinamento na piscina
fomos orientados sobre todos os procedimentos e advertidos de todas as dificuldades e perigos
nos ensinaram todos os sinais necessários para o primeiro mergulho
sinais de comunicação c significados específicos p os mergulhadores
ensaiamos o mergulho várias vezes
ensaiamos algumas possibilidades de acidente com seus perigos as alternativas de solução
estávamos aptos a estrear no mar
em pouca profundidade mas no mar
hj fomos ao ilhéu das cabras e ancoramos perto de um navio naufragado
colocamos roupas e equipamento
o figurino próprio
e mergulhamos
desci segurando a corda da âncora como todos os outros
o ouvido doia um pouco na descida mas fiz o q ensaiei e resolveu
enqto alguns já nadavam c seu instrutor para mais longe da âncora da zona de segurança e mais para perto do navio
eu comecei a achar q n ia dar certo q eu ia entrar em pânico q n ia saber coordenar tudo o q tínhamos ensaiado
subi e desci 3 vezes
o instrutor perguntava através de sinais se estava tudo bem eu dizia q sim mas n estava
da última vez q desci e já ia desistir pensei
de alguma forma estou aqui representando meu filho
mergulho por ele q n está aqui para mergulhar e para ele
para entender melhor seu universo
se eu desistir vou falhar c ele e vou perder a experiência de ver a diversidade de vida q existe aqui em baixo
vou perder a aventura
percebi q respirava corretamente e q tudo estava como tinha sido ensaiado
era ir e fui
vivi a aventura até o fim
vi os peixes corais e pedras vi q o navio tinha se transformado num monstro marinho macio ao toque
n mais o toque frio do metal nos dedos era como um animal gelatinoso q alimenta outras vidas em simbiose
vi o universo que fascina e alimenta meu filho e o representei num mergulho q sua ausência geográfica n permitia
assim é o teatro uma aventura
temos equipamentos/ferramentas e procedimentos q vamos construindo nos ensaios
qdo estamos aptos mergulhamos no palco e representamos o público q n está alí mas espera q o representemos
q vivamos situações q n estão no nosso cotidiano mas q são parte da experiência humana neste universo
as vezes desconhecido
o pânico de entrar no palco e fazer o q ensaiamos pode ser vencido se fizermos exatamente o q ensaiamos
e estivermos preparados pra solucionar problemas e acidentes q por acaso venham a acontecer
daí emergimos outros novos renovados mais ricos possuidores de uma nova vida e experiência
e teremos feito nosso papel – representado e entendido melhor o outro q ao se ver em nós reconhece
o nosso esforço e a sua própria experiência e pode lidar c ela fora de si e corrigir caminhos
e mudar a rota e ser melhor
24/07/2013 (escrito de 26 a 29/07/2013)
dia 9
arrumamos as cenas
o grupo q fez a cena das drogas vai propor uma nova
atores q n vieram no primeiro dia
em q as cenas foram criadas ou seja n participaram do processo completo
onde cada um primeiro apresentou seu personagem
fez o diálogo c um outro
e depois foi escolhido para o “time” q faria a cena
formariam um grupo novo fruto do acaso do atraso e da ausência
resolvo propor q se juntem na cena da droga e façam a nova cena juntos
assim como agreguei um novo ator atrasado a outro grupo
então temos 4 cenas de 4 atores uma de 5 e um grupo com 7
- o grupo de 7 propõe uma cena sobre gravidez na adolescência
e problemas familiares entre pai autoritário
e mãe responsável única pela educação dos filhos
e um filho q quer ser repista
tem ainda um professor responsável pela moral
um lutador q engravida a menina e n assume
e um repista amigo do filho q combate o sistema
mas depois se rende ao rico pai do amigo q propõe à dupla
a gravação de um cd e apresentação num show
- no grupo de 5 atores temos uma cena
onde um comerciante pouco escrupuloso
joga cartas c um amigo pescador e
sabendo das dificuldades financeiras deste
oferece um empréstimo no intuito de tomar seu barco e seu trabalho
enquanto duas senhoras discutem seus problemas
um pássaro q n deixa uma delas dormir
e uma questão de divisão e invasão de terras n deixa a outra
nisto chega uma mulher ferida no braço
as outras duas pedem ajuda ao pescador q salva a ferida
o comerciante volta p cobrar a dívida
- uma mulher tem terras q estão sendo invadidas
pede ajuda a amigas para encontrar alguém pra trabalhar como guarda
e vigiar a roça durante a noite
contrata um senhor indicado por uma delas
mas este tem medo de escuro e da noite
e se esconde
qdo ela chega vê q levaram tudo
demite o novo empregado e cansada de tudo resolve ser dançarina
- um trabalhador rural planta e vê depois sua colheita roubada
enqto sua mulher tenta educar sua filha
q quer ser dançarina de kuduro e seduz um polícia pedófilo
- o pai chega e diz q estão sem colheita e sem dinheiro
a mulher tenta punir o polícia q n ajuda a resolver o problema do roubo
pq é polícia de cidade
- uma mulher sabe q seu marido tem uma namorada
discutem e ele diz q tem cinco mulheres pq é homem e pode
ela bate nele como costuma fazer
- o filho tenta apartar a briga e chama o vizinho
um militar aposentado q tb tenta
tenta colocar os dois pra marchar
- o filho q vai participar de um concurso de dança
bota todos a dançar
- uma senhora perdeu o filho e está desesperada
cobiçada por dois senhores q n se importam c o problema dela
ela encontra um atleta q diz ter visto o filho indo pro mar
c um pescador
ela desmaia e cuidam dela até ela voltar a si e sair em busca do filho
- os 3 homens discutem a incompetência deles em conquista-la
são situações ingênuas às vezes absurdas costuradas
c pedaços de personagens e relações construídas ao caminhar
imaginar coisas produzir ritmos relações c olhares
situações criadas c diálogos mudos
um acúmulo de elementos deram nestas cenas
q representam de alguma forma um momento daquele coletivo humano
pq surgiram essas cenas? esses assuntos?
o q no momento da história deste lugar fez esses atores
se voltarem para esses temas
este o segredo – o q temos p falar o q nos faz falar pq e p quem falar?
discutimos isso de várias formas
vamos conversando e reformulando cada cena
proponho ao grupo da mãe desesperada pela perda do filho
q o atleta sugira q ele foi enfeitiçado
ela se dá conta de q há bruxaria envolvida no desaparecimento
e cai tb em transe
há uma cerimônia de djambi e ela “montada” tem a revelação
de onde ele está e sai a procura no final
esta sugestão veio de uma conversa c barros
ele me disse q nos primeiros dias antes da minha chegada
provocou o relato de casos de bruxaria
elemento presente no espetáculo as orações de mansata
produto final do projeto q ele vai dirigir em coimbra
c atores de 5 países lusófonos portugal brasil angola guiné bissau e s tomé
todos trabalham suas cenas e reapresentam
há sensíveis mudanças em cada uma delas
a tarefa continua a ser pensar refletir propor
o q falamos qdo estamos representando esses personagens
q são como nossos vizinhos?
o q nos dizem nossos vizinhos e q vamos dizer p eles?
25/07/2013 (escrito em 29/07/2013)
dia 10
este foi um dia especial
criada no lugar da cena q n deu certo sobre as drogas
a cena da adolescente grávida precisa estofo
peço a cada grupo q vá retrabalhar suas cenas
incluindo canções
pensando em ritmos
incorporando pensamentos e reflexões feitas em grupo ou a sós
fico com o grupo da gravidez
me dou conta q um dos problemas desse grupo foi a inconstância
dos seus participantes no trabalho
com várias faltas e mtos atrasos
mas trabalhamos
me dou conta tb q unicefs e ongs
q usam o teatro como ferramenta pedagógica
imprimiram aqui como no novo teatro amador feito nos subúrbios e comunidades brasileiras
um teor didático-social-prop
sem a grandeza dos dramaturgos q repensaram a estética do teatro no século XX
a partir da necessidade de comunicar às massas idéias políticas e revolucionárias
nem a grandeza de um anchieta ao incorporar as estruturas das tradições e ritos indígenas no seu teatro catequético colonizador
não há uma preocupação estética maior nesse “teatro inclusivo/didático”
a preocupação é moral e comportamental
há a ignorância qto a certeza de q só uma experiência estética profunda
é transformadora
há uma tentativa de passar ideias e preceitos e condutas somente pelas palavras
colocadas em roteiros pobres e ingênuos
isso se reflete nas cenas propostas
nas resoluções mágicas para problemas mto complexos
como o prazer q provém das drogas e suas consequências
como o prazer advindo do desejo sexual e suas consequências
como refrear o delírio e o orgasmo c palavras apaziguadoras?
é preciso assumir q os atos humanos têm consequências
todo e qualquer
mas n dizer ao adolescente
explodindo de tesão e de ânsia de experiências radicais
q refreie tudo evite ou tome precauções?
como se precaver contra o desejo?
as estratégias serão outras para evitar um caminho sem volta
e devemos evitar os caminhos sem volta
ou apenas saber q eles existem e optar por seguir ou parar?
Trabalhamos uma meia hora sobre a cena da família envolvida
c a gravidez precoce
e n avança
percebo q os personagens são frágeis bidimensionais
e resolvo instalar o caos
chamo os outros grupos q trabalham sozinhos suas cenas
e acrescento a cada personagem uma relação c outro
filhos mães amantes primos amigos cúmplices aparecem
digo q eles são isso ou aquilo de alguém
q seu parente ou relativo está c um problema e ele precisa ajudar a resolver
e os mando para a sala de ensaio
o ruído aumenta
o caos se estabelece
os personagens interagem e se atropelam
novas relações e revelações surgem como coelhos numa horta
muito barulho por causas a ganhar
de repente a cena do djambi se refaz
mas o jovem lutador é q é montado
e começa a denunciar a verdade de cada personagem ali presente
e o ator é “montado” tb
sai da sala c outro ator o conduzindo
começa a andar pelo campo grande pátio do liceu
vou junto tento conversar ele começa a pedir q n o levem q ele quer ficar ali
me dizem “é assim às vezes a gente tem a memória leve
e o djambi toma conta é preciso ter cuidado”
ele grita avança outros chegam
conduzem-no de volta à sala
ele pede para todos saírem ninguém sai
alguns riem
uns duvidam outros vão ajudar executam procedimentos rituais
para tirar o espírito dele
ele pede q um outro ator se aproxime
“só quero meu amigo venha cá”
anda de mãos dadas c ele pela sala e pede
“vá lá fora traga 7 folhas de fruteira secas”
ordem executada folhas entregues “sete”
ajoelha-se esfrega as folhas na cabeça cai volta a si
“se fosse de verdade vc ia ficar a noite inteira servindo ele – traga vinho traga isso traga aquilo”
retomamos o ensaio
apresentam as novas cenas surgidas
arruma-se o caos
até onde o mergulho leva um ator para dentro do teatro?
26/07/2013 (escrito em 1o/07/2013)
dias 11 e 12
os últimos 2 dias são memórias de um processo quase sequencial
organizamos e edito as cenas
em casa penso e coloco no papel sequencias q experimentamos
faço cortes e intercalo situações
crio 3 blocos
no primeiro a gravidez adolescente e o caso do medroso
o jovem lutador q engravida a adolescente é filho do sr bondoso
o desempregado q teme a noite
no segundo a questão da divisão das terras herdadas
e do marido q apanha da mulher
se intercalam
questões de família a serem resolvidas
no terceiro a mãe q perdeu o filho e o djambi q revela cada um sem máscara
cada ator/atriz recebe uma cópia do guião
experimentamos
intercalo as cenas c ritmos
e c as canções q eles trouxeram
reedito alguns cortes q n deram mto certo
ouço sugestões e experimento
umas aceito outras n
no penúltimo dia um novo final me surpreende
qdo a mãe “montada” começa a dizer o q deveria
interrompo e peço q o espírito diga q o filho dela está perdido
assim como todas as crianças africanas
se n cuidarmos delas
e peço q todos cantem a canção da unidade africana
q um dos atores trouxe para o seu personagem
a vibração e alegria são intensas
é emocionante
no dia seguinte é a apresentação
29 e 30/07/2013 (escrito em 1o/07/2013)
dia 13
demora do ministro da cultura
atores e atrizes sentados em seus lugares depois do último ensaio
a embaixadora de Portugal chega e sai rápido
sem entrar na sala onde estamos
por fim desiste-se de esperar pelo ministro e começamos
fala de barros
a cena lusófona apresenta o projeto P-STAGE
o ministro chega
amador (flasquim) e alice falam como participantes
rápidas palavras sobre o processo
falo sobre a importância pra mim desta troca de saberes
de manuseios de ferramentas q tivemos e de como s tomé se mostrou
p mim pelo teatro e a riqueza q são esses atores e essa cultura
peço ao ministro q cuide deles
falo dos 49 anos do teatro vila velha hj e da comemoração transatlântica
q será apresentarmos o experimento no mesmo dia
falo q o vila nasceu como espaço de liberdade 4 meses depois do golpe militar
q instalou a ditadura no brasil e da importância deste espaço [teatro] na bahia
no brasil
desde então
apresentamos o experimento
A TERRA DOS HOMENS
roteiro do experimento
cenas criadas em improvisações
com os atores participantes da oficina P-STAGE
dirigida por márcio meirelles
realizada pela cenalusófona
em são tomé/são tomé, entre 15 de julho e 1o de agosto de 2013
Ficaram aqui fragmentos de cenas, situações, ações e personagens surgidos em exercícios feitos durante a oficina. São retratos ingênuos de situações complexas envolvendo relações humanas, afetivas, políticas, familiares, econômicas q de alguma forma traçam um painel sobre a vida popular em São Tomé, hoje. Em dez dias de três horas e meia de trabalho, foram apresentadas ferramentas q geraram o material q usamos para montar, no último dia, o roteiro. Depois seguimos o método dos grupos em relação às falas. Não foram escritas, os atores as improvisavam a partir de uma sequencia, c assuntos e desenvolvimento combinados e estabelecidos previamente, variando um pouco nos dois dias em q ensaiamos e na apresentação do experimento.
ABERTURA
TODOS cantam:
Sinto-me orgulhoso de ser africano
meus antepassados todos nasceram aqui
filho legitimo de mundo rainha
minha africa, ôiê ôiê
BLOCO 1
1.
PEDRO treina lutas
NINA entra e fala q está grávida
PEDRO a rejeita manda ela tirar o filho e sai
NINA sai chorando
2.
MALVADO vende terreno a BLAGABOTA
3.
XEPA JOANA e MARIA entram ao som de canto tradicional
Trabalham na terra
XEPA diz q n aguenta mais a situação q a estão roubando e pede q ajudem a encontrar um guarda pra vigiar o terreno
JOANA fala em convidar SENHOR BONDOSO q está desempregado
MARIA diz q se for p trabalhar de noite ele n vai dar certo
Decidem arriscar
4.
VITÓRIA manda seu marido SENHOR BONDOSO arrumar o problema de um pássaro q a está incomodando
Ele fala q tem medo da noite e do escuro
Ela manda ele trabalhar pq n tem dinheiro em casa e ela n aguenta mais
5.
NINA diz à mãe – RALA – q está grávida
RALA fica desesperada pq o marido – MALVADO – vai por a culpa nela
6.
JOANA vem chamar SENHOR BONDOSO para trabalhar e sai
SENHOR BONDOSO diz a VITÓRIA q se for de noite n trabalha
7.
MALVADO chega em casa e sabe da gravidez de NINA fica furioso e vai c a família na casa do rapaz
8.
SENHOR BONDOSO chega em casa novamente desempregado
O emprego era noturno e ele n aguentou
Briga c VITÓRIA
PEDRO chega em casa interfere na briga e diz q engravidou NINA mas n vai assumir
Os pais lhe dão razão
Chegam MALVADO RALA e NINA grande discussão com SENHOR BONDOSO VITÓRIA e PEDRO
Chegam a um acordo – a família MALVADO fica c NINA e a criança
A família BONDOSO ajuda c trabalho e alimento
Sai a família MALVADO
Na família BONDOSO fica decidido q PEDRO vai trabalhar para sustentar sua família e SENHOR BONDOSO vai trabalhar p sustentar a sua
BLOCO 2
1.
IOLA vem reclamar da divisão do terreno q receberam de herança:
Precisamente, prima Xepa….
XEPA diz q n tem nada c isso e pede às vizinhas q vão buscar o irmão mais velho e um advogado
Saem as 4
2.
CHICA sabe q o marido TINO tem uma nova namorada
uma catorzinha q se chama LUA
TINO chega em casa
briga de CHICA e TINO depois de forte discussão
ele diz q por ser homem tem direito a ter boquitas
ela bate nele
FILHA tenta acalmar o conflito n consegue e vai chamar os vizinhos
ZERO chega c CAPITÃO GANCHO e tenta resolver propõe q CAPITÃO GANCHO vá conversar c TINO enqto ele vai conversar c CHICA
3.
BLAGABOTA vem falar c XEPA
IOLA tb chega
FRANCISCA – esposa de BLAGABOTAS chega depois
Grande confusão e tentativa de esclarecimento sobre divisão da terra herdada pelos primos
XEPA manda JOANA chamar ADVOGADO e MARIA chamar o irmão mais velho – VINGÁ
Saem
4.
Voltam ZERO, CAPITÃO GANCHO, CHICA e TINO.
ZERO continua a conversa c CHICA
CAPITÃO GANCHO conversa c TINO sempre perguntando sobre LUA
ZERO ameaça ligar p o centro de aconselhamento familiar q cuida da violência doméstica
para TINO denunciar CHICA este se apavora e decide fazer as pazes
CAPITÃO GANCHO e ZERO saem
Casal resolve a cena c a filha
Saem
5.
JOANA e MARIA trazem VINGÁ q resolve a questão contando a história do terreno
O ADVOGADO propõe um acordo
XEPA tem os documentos do terreno e IOLA tb
BLOGABOTA apenas xerox da xerox
MALVADO vendeu a parte do terreno q era dele e parte de XEPA
Tudo se resolve
6.
LUA vai começar o show na discoteca
CAPITÃO GANCHO vem prender LUA
Ela canta ele fica seduzido e libera ela
BLOCO 3
1.
Canção tradicional.
SENHORA PAULA entra desesperada pq o filho está desaparecido
Entra SENHOR CIRCUITOROMÂNTICO
Ela pede ajuda ele quer ficar c ela
Ela o enxota
2.
Canção tradicional.
Entra SENHOR ARANDIR
SENHORA PAULA pede ajuda ele quer ficar c ela tb
Ela enxota ele
3.
Entra EUJADISSE – um atleta
Diz à SENHORA PAULA que viu o filho dela c um velho na praia c uma vela acesa
SENHORA PAULA entende q tem bruxaria envolvida e cai desmaiada.
EUJADISSE pede socorro
4.
Entram os 2 pretendentes para ajudar
SENHOR CIRCUITOROMÂNTICO faz ritual de djambi e SENHORA PAULA se levanta “montada”:
PAULA:
Quem mandô chama ami prami fala o quê? Damu xipa, damu maruvo. Pra mi falar. Não vai falar ami fofoqueiro? Mas ami vai falar. Fio de caxa saiu com sinhoro Vingá. Esse homem feticero. Que está ensinar seu filho obra de bruxaria. Leva menino em senhora Xepa. Senhora lava menino faz tudo. Fica melhor. Se não tá perdido. Como os meninos africanos. Se não cuidar de meninos africanos tá tudo perdido. Precisamos cuidar de nossas crianças pra gente ter um mundo melhor. Não só mães que cuidam das crianças. Os pais devem cuidar também de seus filhos.
TODOS cantam:
Solo:
Sinto-me orgulhoso de ser africano
meus antepassados todos nasceram aqui
filho legitimo de mundo rainha
minha africa, ôiê ôiê
São Tomé e Príncipe, ôiê
Coro:
ôiê ôiê
Solo:
Angola, ôiê
Coro:
ôiê ôiê
Solo:
Cabo Verde, ôiê
Coro:
ôiê ôiê
Solo:
Guiné Bissau, ôiê
Coro:
ôiê ôiê,
Solo:
Sinto-me orgulhoso de ser africano
meus antepassados, todos nasceram aqui
filho legitimo de mundo rainha
minha africa, ôiê ôiê
Portugal ôiê
Coro: – ôiê ôiê
Refrão: – Moçambique, ôiê
Coro:
ôiê ôiê
Solo:
Timor Leste, ôiê
Coro:
ôiê ôiê
Solo:
Brasil, ôiê
Coro:
ôiê ôiê
Solo:
Sinto-me orgulhoso de ser africano
meus antepassados todos nasceram aqui
filho legitimo de mundo rainha
minha África, ôiê ôiê
depois da apresentação a festa
a comemoração dos 49 anos do teatro vila velha deste lado do atlântico
tinha comentado com os participantes no dia anterior q nada é coincidência
e q íamos apresentar o experimento no dia do aniversário do vila
eles trouxeram salgadinhos refrigerantes e cervejas
cantamos parabéns e dançamos danças tradicionais
31/07/2013 (escrito em 1o/07/2013)
dia 14
o dia final
o fechamento do círculo
a despedida de um momento
o q fica?
essa é a pergunta angustiante q sempre me faço
fui útil? deixo alguma coisa q vai ajudar esses atores a seguirem em frente?
como vão usar as ferramentas q usamos em seu trabalho
depois
?
como serão seus processos depois deste?
e os meus?
estar no continente africano
em um país insular como são tomé
q muitos de nós brasileiros desconhecemos por completo
neste mito mama áfrica e coordenar uma oficina de teatro para atores
oficina de improvisação de construção dramatúrgica
mas principalmente
oficina de repensamento de teatro
é alguma coisa q ainda n processei
enfrentar os mitos sempre é uma tarefa hercúlea
um trabalho mítico tb
daí chegar ao humano ao comum
ao simples ao cotidiano é duro
uma meta da oficina era tb revelar os atores e seu potencial
para barros poder escolher 2 q vão integrar o elenco de
as orações de mansata
– inspirada em macbeth –
q vai montar em coimbra
vim pra cá c a idéia de trabalhar algumas cenas da peça de shakespeare
através dos ritmos nacionais
falar c tambores
como fizemos na universidade LIVRE de teatro vila velha
em nosso experimento FRANKENSPEARE/SHAKESTEIN
mas percebi q ganharia mto mais trabalhando a partir
da memória do q fiz para construir o BANDO DE TEATRO OLODUM
provocar os atores para usarem memória e imaginação
imaginação e memória
e irem descobrindo um método próprio de trabalhar
com a criação de respirações e ritmos q montem
um quebra cabeças
peça por peça até tornar visíveis os “vizinhos”
n EU mas alguém mto próximo de quem conheço os hábitos
mas de quem guardo uma certa distância
q me permite observar sem envolvimento
só observar e representar
n falei de “vizinhos” uma atriz
– no exercício do caminhar montar e observar o outro –
é q falou na avaliação “é como estar vendo meus vizinhos”
gostei do conceito
construímos vizinhos através dos quais podemos falar de nossa comunidade
familiar territorial setorial social política
e esses vizinhos começam a se relacionar
são criados parentescos e ações surgem daí
costura-se as ações c o fio de uma ideia
surgida delas mesmas ou trazida de um desejo de falar sobre alguma coisa
ou da necessidade de q alguma coisa específica seja falada
hj aqui para podermos lidar c ela
os personagens essas coisas q o ator maneja para falar
como um músico maneja seu instrumento
são “vizinhos”
foi bom ter mudado de rota e em vez de revisitar uma vez mais o velho bill
tenha trabalhado c as ferramentas da improvisação
é o teatro q a maioria dos grupos aqui faz
improvisado a partir de guiões
então em 12 dias de trabalho foi mais efetivo
exercitar o uso dessas ferramentas
e as possibilidades q ela dá de serem criadas dramaturgias
na avaliação final foi importante ouvir q na oficina
aprenderam q qdo se trata de teatro trata-se de muitas outras coisas
foi o mais importante
os agradecimentos as mudanças radicais na vida de cada um
os depoimentos sobre descobrimentos e epifanias
são contaminados pela emoção da apresentação
da adrenalina produzida pelo encontro c o público
o fato de terem louvado minha paciência
é uma ilusão n sou paciente
aguentei os atrasos e faltas de alguns para ter mais prazer
no trabalho c o mínimo de tensões
além de saber q é preciso negociar c a vida real compromissos e culturas
e o fato de q eles viraram um grupo único
quebrando as barreiras entre os grupos aos quais pertencem
e nos quais se isolam dos outros
apesar de ser verdade temo ser uma verdade passageira
temporária
q dura enqto dura a oficina
é bom mas vai se dissolver no cotidiano
o desejo de constituir um fórum ou associação de teatro
me anima
é um desejo e os desejos cobram realizações
pode ser
será difícil
como tudo nestas áfricas
mas n impossível
como qualquer coisa nestas áfricas
1o/08/2013 (escrito em 3/07/2013)




