TEATRO ÉPICO NA BAHIA
texto para o programa de LUZES DA BOEMIA – texto de valle-inclan – encenação de santiago roldós – projeto de residência artística TEATRO ÉPICO NA BAHIA
quando sentei hoje para escrever o texto sobre o projeto teatro épico na bahia
passei antes no facebook para atualizar a foto de capa
c o anúncio de LUZES DA BOEMIA
me deparei com o post de renato ferracini
não consegui engolir mais nada
nem pensar em mais nada
nem conectar as ideias p escrever o texto q deveria escrever
n podia ficar sozinho c aquilo n cabia em mim n cabia no meu dia
mandei então o post pra minha lista de contatos do whatsapp
e começaram as respostas dos amigos
e as minhas
repostei-as e aqui está esta dramaturgia esperpêntica whatsappiana
paraguaios que não aceitaram o golpe e tacaram fogo no congresso escreveram no twitter “NÃO SOMOS BRASILEIROS” – realmente não são MESMO!!! A passividade do brasileiro é motivo de piada internacional.
alguns amigos estão me alertando que foi a extrema direita….. sei disso.
n milito nem pelo centro qto mais pela direita. mas estou com vergonha de nós
o fato que deveríamos aprender com a extrema direita de outro país só aumenta nossa vergonha.
uma amiga fez uma excelente postagem: parabéns para a direita paraguai: estão melhores que a esquerda brasileira que não passa do “fora, temer”
depois q vi o q os paraguaios fizeram tive a mesma opinião. agora é bom lembrar q temos aqui uma rede globo e qual o papel dela nesse processo de passividade. enquanto não derrubarmos essa pocilga não avançaremos.
marcio, tudo bem? uma grande amiga é paraguaia, jornalista muito atuante, hoje há muitos anos vive em madrid. militou muito e escreveu indignada. vou pedir a ela uma análise crítica de quem conhece a real dessa situação e te envio, bjs
pois é, a passividade tem sido treinada há 50 anos pela globo. é estarrecedor. estamos fritos no meio de evanjekas e empilhados globais. haja kannario, tiroteios, destruição das matas, dos
tô acompanhando.
tá, foi a direita. e daí? estamos falando de passividade.
e daí? o q podemos dizer. se a mensagem é certeira. sobre a realidade nossa.
o golpe avança e os governos ditos de esquerda mantém os lucros dos tentáculos familiares da rede globo em todo país, com recursos para propaganda contra o povo.
não, aí não concordo…
a direita tem instrumentos que nós não temos…
a cabeça do golpe é americana… em toda américa latina.
o povo que está nas ruas não está na tv.
o congresso está tomado de abutres…
só tem uma solução, a desobediência civil.
quebrar e invadir tudo…
mas quantos somos???!!!
quantos estão teleguiados pela globo?!
onde estão as bases dos partidos que não se infiltram nas favelas e nos bairros para fazer a cabeça do povão.
pq os demais: policia, educação e a lei… está nas mãos dá direita, meu caro…
então não dá para dizer “e daí”…
os caras da direita twittam lá no Paraguai, que não são iguais aos brasileiros, e nós ecoamos como um grito de guerra….
só que é uma guerra que a direita está levantando…
quando derrubaram o lugo não tivemos acesso a nada….
agora querem derrubar a volta do lugo no paraguai…
que é o mesmo que querem fazer com a volta do lula…
então sinceramente é muito perigosa essa leitura…
tá difícil, márcio. o que fazemos? concordo que a passividade tá foda, mas o que conseguimos fazer? tacar fogo ainda não tenho coragem. mas tb não sei se é só a rede globo não. nós, brasileiros, somos culturalmente passivos. todas as nossas “revoluções” foram a custa de golpes. seja independência, república, redemocratização…. tb me sinto revoltada, sem saber o que fazer
é, queridão. é assustador. sobretudo quando vejo gente próxima sendo pautada pela globo.
o fascismo se manifesta assim.
meirelles, irmão, o que temos visto desde o golpe parlamentar-jurídico-midiático: a rua, a população, os movimentos sociais e até as advertências de organismos internacionais sendo ignoradas. o parlamento se fechou nele mesmo para por em curso uma agenda neoliberal que FHC não emplacou. concordo que somos covardes para uma investida mais radical, mas dizer que somos “culturalmente passivos”, discordo veementemente. as manifestações contra a PEC dos gastos, a reforma da previdência e a terceirização, levou às ruas centenas de milhares de brasileiros, que obviamente foram ignorados pela mídia golpista e pelo congresso nacional. diante disso, e com o agravamento em curso, nos resta a luta armada, a guerrilha. temos coragem e competência pra isso? nossa trincheira é o palco (todos os palcos), a arte
nossa metralhadora!
pois diante de tantos discursos e vendo a situação em que nos encontramos limitados com uma mídia sensacionalista e nada informativa, vejo a arte como nossa metralhadora. porém uma arma que anda um tanto enferrujada, dependente de editais, distanciada do público. como engrenar novamente essa arma? como lubrificar essas engrenagens!? vejo o hipercapitalismo e a hiperindivudalização como areia nesse artefato que temos, artistas isolados, ideais distorcidos. me sinto a deriva e com um remo quebrado na mão que não deixa de ser remo.
querido márcio, a provocação é válida. por hora (talvez por um bom tempo) não tenho condições de avaliar o conjunto no brasil. passividade de uma parte, talvez, mas não de todos (de direita e de esquerda tem brasileiros revoltados, reclamando, gritando e se sentindo impotentes). a correlação de forças contrárias são poderosas e se somaram (tv, mídia golpista, direita política e reacionária, talvez a pior, o judiciário parcial, cúmplice e operador). o povão (dado o tamanho do nosso país) me parece um misto de indiferente, míope, ludibriado e incrédulo (não é o povão que sai às ruas, infelizmente) – o hiperindividualismo e os efeitos do hipercapitalismo de lipovetsky são conceitos muito assentados sobre este fenômeno. acredito ainda que uma reação será possível nas urnas. mas, enfim. como sou teimoso e insistimos, sigamos.
TSE DÁ MAIS PRAZO PARA DEFESAS E ADIA JULGAMENTO DA CHAPA DILMA-TEMER
MINISTRO DÁ 48H PARA PF EXPLICAR BUSCA NO GABINETE DA MULHER DE JADER
as duas fotos de capa do estadão de hoje me causam repugnância e lembram este poema, acho que de neruda:
…” os parlamentares se encheram de pompa,
nos clubes se condecoraram
e foram escrevendo a história.
depois repartiram entre si as ruas, o ar, as universidades
e os sapatos…”
cara, ver o conchavo do gilmar mendes com o ministro do tse…
a mais escandalosa normalidade! não sei se perdi algo, mas o JN não deu nada sobre o início do processo de cassação da chapa dilma/temer nesta terça? a cassação era o plano b, caso o impeachment não saísse, agora embolou tudo. o mais surreal é ver o ministro das relações exteriores de um governo ilegítimo, impopular, terminal como o de temer no jornal nacional analisando do alto da “normalidade” brasileira a situação do paraguai, com a população revoltada queimando e quebrando o congresso; julgando a venezuela, também em meio a uma crise institucional, comentando as eleições do equador, onde a esquerda ganhou e querem puxar o tapete, como fizeram aqui, isso tudo como se no brasil nada estivesse acontecendo politicamente! as vésperas de um processo de cassação do atual presidente golpista, que chegou no poder por um processo espúrio, metido até o pescoço em delações e transações escusas, quem viu o jornal nacional desta segunda pensaria que enfim estamos em um oásis de tranquilidade! cassar temer? manter o golpista até o fim? acordar eleições indiretas? nada, nenhuma notícia, nenhuma análise. o surrealismo tropical, o rocambolesco do atual momento político é neutralizado por doses de imagens chapa-branca. o brasil julgando o continente em convulsão. o problema são os outros, no caso a américa latina! e vamos de “boa noite!”
equador é um governo de esquerda que reprime a esquerda. são posneoliberalistas. um governo de tecnoburocratas e novos ricos
é só bandalheira chefe
guerra meu caro
não vai acabar tão cedo isso
caralho marcio! que porra é essa!?…
e todo mundo achando tudo isso NORMAL.
a imprensa produziu uma saturação de informação que nenhum escândalo é mais considerado escândalo. tudo agora já é normal!
e todo mundo só o que faz é ficar com o rabo sentado numa cadeira olhando para o whatsapp e instagram
pois é né, márcio, levou gente às ruas mas as mudanças são pequenas. Tem uma outra mudança muito maior que tô vendo que é movimento feminista tá fazendo… as mulheres feministas negras… que tão fazendo mudanças muito relevantes. Às vezes até repetindo o código do opressor, que é o q me assusta, bastante inclusive, mas as mulheres eu acho q tão arrebentando… se articulando, agindo… pô a gente ainda n conseguiu fazer uma greve geral! Mas aí vou te dizer, vou filosofar aqui, meu irmão…. vc por favor me entenda. O problema é q pra conectar precisa de afeto e empatia. E essa luta, da maneira como foi realizada, ela fez o povo, nós, o povo, nós q não estamos lá no congresso, a gente pensar, acreditar, q somos dois lados q nós somos diferentes. Mas na verdade, na verdade, faltou essa aproximação. E n tô falando dos radicais conservadores, pro Bolsonaro, essas coisas todas não, pq aí é o ponto fora da curva. Mas a grande massa, q poderia ter alguma empatia, tá achando q é time diferente, tá só no fígado, e é isso q eu tenho pensado mto, sabe? Se o afeto um dia vai poder ter o poder de unificar? Aí era o sonho, né? A gente conseguir unificar através do afeto, pra aí poder chegar a um lugar comum. Mas parece q, na falta do afeto, o q sobra é a barbárie, a guerra… a barbárie e a guerra. É… e como temos tendência à passividade, a nossa guerra vai até um certo ponto, né? Ela n… ela n… n chega às vias de fato.
resolvi publicar este manifesto de um teatro épico
para dizer
q o teatro tem q dar conta desta complexidade política
desta polifonia dissonante
onde estamos soterrados
c a qual nos expressamos
ou n será teatro
salvador, 04/04/2017
marcio meirelles
c a colaboração de muitos amigos